16 agosto, 2017

ABOUBAKAR vs LUISÃO.


Se há frase relativa ao futebol com a qual concordo perfeitamente é a mítica proferida pelo ex-presidente do Vitória de Guimarães, António Pimenta Machado: “No futebol, o que hoje é verdade, amanhã é mentira”. Quem anda neste Mundo ou simplesmente o acompanha de perto, já por diversas vezes assistiu ou viveu situações nas quais esta frase se aplica na plenitude.
Mas se a mesma é indesmentível, também não é menos verdade que existem neste Mundo um conjunto de “virgens ofendidas” que clamam por seriedade e honestidade intelectual quando a verdade se “distorce” em seu desfavor, mas que rapidamente a assumem como incontornável quando a mesma vai de encontro às suas preferências.

Vincent Aboubakar, avançado do nosso clube e com o qual temos contrato (convém não esquecer, pois até parece que o mesmo termina daqui a 15 dias), não gostou da forma como foi tratado na pré-época passada. Sobre isso não me vou pronunciar, pois não tenho dados que me permitam avaliar se o camaronês foi alvo de um tratamento incorrecto ou se tudo se ficou a dever a mera opção técnica, independentemente da concordar ou não com a mesma. O que é facto, é que o mesmo se sentiu injustiçado e rapidamente a comunicação social centralista procurou “fazer sangue”. Com a facilidade de ter emigrado para o Besiktas e de na Champions o slb ter ficado no mesmo grupo dos turcos, os imparciais jornalistas montaram a “ratoeira” ao atleta, e numa altura em que tudo lhe corria bem no clube de Istambul, questionaram o jogador se queria voltar a Portugal. Que resposta se esperaria? “Sim, quero!” ou “Sim, tenho saudades do banco!” ou “Claro, quero voltar a ser suplente!”. Como é evidente, a maior referência actual do futebol dos Camarões, respondeu que não queria regressar... óbvio! É que além do aspecto desportivo, convém recordar que na Turquia a percentagem de desconto do salário do jogador é muito inferior à aplicada em Portugal, pelo que a remuneração auferida é substancialmente superior.
Finalizada a época, qualquer jogador que tenha contrato com um clube tem que regressar à origem, e foi obviamente isso que aconteceu.
Nova época, novo treinador, novo diretor para o futebol, nova estratégia, nova política desportiva, novas dinâmicas e relações. O camaronês passa a sentir-se mais importante no grupo, mais valorizado, mais reconhecido e com maior preponderância no 11 titular. Resultado natural? Aquilo que há um ano era verdade (a vontade de não voltar a jogar no Porto), passa a mentira! Mas passa a mentira porque todo o contexto mudou! Passa a mentira porque o seu meio envolvente e contexto dentro do plantel mudou radicalmente. Aboubakar mudou de opinião não porque lhe tenham aumentado o salário ou por outra qualquer razão esotérica, mas tão só porque toda a realidade mudou.

O problema é que as tais virgens ofendidas que se vergam perante o clube do regime e que estão disponíveis a tudo para terem um minuto de atenção do 1.º ministro do estado lampião, quiseram e querem fazer disto um caso e um caso aparentemente virgem de um jogador que inverte discurso. Mais, ao invés de valorizarem o trabalho que aparentemente foi feito pelo treinador e estrutura junto do jogador, persistem é em lhe querer encontrar futuro num outro clube por estar a iniciar o último ano do actual contrato, como se também esta situação fosse virgem no futebol ou até mesmo em Portugal.

Curioso que não é preciso recuar muitos anos para nos recordarmos da novela de todos os verões do clube da luz: a saída de Luisão! Todos os anos era desta, Luisão dizia que o seu ciclo tinha chegado ao fim, apareciam dezenas de grandes clubes europeus interessados no seu contributo, o brasileiro chegava tarde para treinar porque estava a analisar as soluções, mas depois o final era sempre o mesmo: aumento salarial e continuidade na luz, como ainda hoje acontece. Não, nessa altura o que era verdade hoje não era mentira manhã. Não... Luisão amava e ama o benfica, adorava e adora lisboa, e tudo não passavam de situações normais de mercado. São uns ridículos que de tão descarados que são tornam-se a chacota para quem tem dois dedos de testa.

Meus caros, não nos deixemos intoxicar por esta gente que insiste e persiste em nos menorizar e dividir. O FC Porto somos nós contra tudo e contra todos.

Um abraço, até domingo no sítio do costume!

PS – Finalmente, finalmente! Nas próximas duas semanas estarei de férias. Regresso a 6 de Setembro.

15 agosto, 2017

A DIFÍCIL HERANÇA DE SÉRGIO.


É indesmentível que, dois meses após a apresentação de Sérgio Conceição, os sinais da equipa são positivos, não sendo brilhantes, nem fantásticos, creio que nenhum Portista poderá estar insatisfeito com aquilo que viu na pré-época e com aquilo que viu nos primeiros dois jogos do campeonato.

Porém, há coisas que admito continuam a desagradar-me e outras que mais do que desagradar, irritam-me profundamente e entram no campo dos fenómenos inexplicáveis.

Não creio que os mais de 70 milhões provenientes da venda de jogadores constituam uma notícia verdadeiramente positiva para o universo Portista. Acho que era imperioso ter feito um encaixe bem superior e que era necessário limpar de forma mais efetiva uma folha de jogadores, dos quais vários deles são de uma mediocridade que devia fazer corar quem decidiu a sua contratação para um clube com a enorme dimensão do FC Porto. É indesmentível também que só um encaixe de mais de 100 milhões de €, teria permitido um ataque ao mercado para suprir algumas das óbvias necessidades do atual plantel, mas também já se percebeu que é quase impossível fazer encaixe significativo com os excedentários que restam, sim porque fazer encaixes com bons jogadores é muito mais fácil.

Infelizmente, cometeram-se muitos erros nos últimos anos, gastaram-se muitos milhões de € em jogadores sem qualidade para um clube como o FC Porto, errou-se, por isso, muito na gestão desportiva, para além do adormecimento comunicacional (problema resolvido e bem pelo atual diretor de comunicação, honra lhe seja feita!), aproveitado pelos outros, das mais variadas formas, legais, ilegais, pouco éticas, nada éticas, etc…

Não espanta, porém, que alguém tenha querido levar Ruben Neves por 18 milhões, mas que ninguém queira Herrera por uns 15 milhões, que Adrian Lopez se mantenha no seu enésimo empréstimo porque ninguém o quer a titulo definitivo por um valor minimamente aceitável, que Jose Angel tenha saído a custo zero e que fazer algum encaixe financeiro com Abdoulayes, Suks, Buenos ou Zé Manuéis seja tão provável como acertar na chave do Euromilhões.

Por tudo isto, não posso também deixar de elogiar fortemente Conceição pelo discurso que tem tido, contrariamente ao fraquíssimo conteúdo do discurso de NES. Conceição tem um discurso que é ao mesmo tempo otimista, mas que foge da monotonia de um discurso feito de lugares-comuns e afirmações que não acrescentam coisa nenhuma. Mais do que lamurias relativamente do que falta, Conceição tem sabido trabalhar com o que tem, potenciar o que é possível e esconder ao máximo aquilo que é menos bom.

Mas de uma coisa ninguém tenha duvidas, por mais defeitos ou criticas que se lhe possa apontar, é evidente que a herança de Conceição não é fácil dados os condicionalismos financeiros em consequência de muito disparate cometido. Conceição não dispõe, nem disporá dos milhões de € que todos os anteriores treinadores tiveram, por isso não coloquem, uma vez mais, nas costas do treinador todas as responsabilidades de um eventual insucesso. Até porque um eventual sucesso, com os mesmíssimos jogadores das ultimas 4 épocas sem títulos, dever-se-á, sobretudo, ao treinador!

13 agosto, 2017

A VITÓRIA DO SACRIFÍCIO.


TONDELA-FC PORTO, 0-1

É com jogos como o desta noite que, por vezes, se vencem campeonatos. Esta foi uma das frases de Sérgio Conceição no fim do jogo. Não poderia estar mais de acordo com tal conclusão. O FC Porto obteve três pontos importantes e, na parte final, não ganhou para o susto.

É certo que os portistas poderiam ter obtido outro resultado, mas algumas oportunidades desperdiçadas impediram os Dragões de tranquilizarem antes do final do jogo.


O Tondela manietou o FC Porto na primeira meia hora do encontro. Impediu, muitas vezes, que os laterais azuis-e-brancos subissem até à linha final e condicionou o jogo de Óliver Torres que é nada mais, nada menos que o cérebro da equipa portista.

Os homens de Tondela fizeram da sua arma o jogo directo, procurando surpreender os Dragões através de lances em profundidade ou em segundas bolas. Mas a equipa de Pepa não criou lances dignos de registo.

De registo, ficou mais uma grande penalidade por assinalar a favor do FC Porto. Depois de, na 1ª Jornada, Marcano ter sido socado por Moreira na grande área, desta vez Ricardo Costa agarrou, primeiro, e derrubou, depois, Marega na área tondelense. A falta começou fora da grande área, mas terminou dentro.

Eu pergunto para que serve o VAR (Vídeoárbitro). Para nada. Ou melhor, se calhar para decidir lances a favor de outra agremiação em que depois as más decisões são justificadas com a má colocação das câmaras ou com imagens deficientes. Que conveniente!


O certo é que, tal como no ano passado, tudo parece igual ou pouca coisa mudou. Um penalty assinalado ou não, pode fazer toda a diferença num jogo de futebol. Se o VAR não vem para ajudar a facilitar as decisões dos árbitros, então poupe-se dinheiro e recursos.

Voltando ao jogo, o FC Porto procurou o golo. Demorou a chegar, mas acabou por aparecer à passagem dos 37 minutos. Brahimi conduziu a jogada, lançou Corona na direita do ataque portista. O mexicano centrou para o coração da área contrária onde um defesa tondelense aliviou, de forma, defeituosa. Alex Telles tentou o remate frontal, a bola sobrou para Aboubakar que, isolado e à segunda, bateu o guarda-redes da equipa da casa.

Desta vez, o árbitro pediu o auxílio do VAR (outra conveniência), quiçá para tentar vislumbrar uma irregularidade num golo limpinho. Que pena, não é sr. Padre? O golo é regular.

O intervalo chegou pouco depois. Pensou-se que os Dragões tinham aberto finalmente o jogo para uma etapa complementar mais produtiva e mais facilitada.

O início da segunda parte veio, realmente, mostrar um FC Porto mais perigoso e com mais oportunidades, mas Aboubakar, com uma bola no poste, e Marega, com um remate para defesa aparatosa do guarda-redes contrário, tiveram a oportunidade de sentenciar a partida.


A partir daí, o Tondela cresceu, operou substituições no sentido de subir no relvado e disso não soube o FC Porto tirar partido. Retraiu-se em campo e Sérgio Conceição foi obrigado a reforçar o meio-campo de forma a estancar o ataque da equipa da casa.

Por duas vezes, Iker Casillas foi chamado a intervir com duas defesas difíceis e aparatosas, sem não esquecer que fica ligado a uma fífia e que poderia ter comprometido os três pontos já bem perto do final da partida.

Não foi um bom jogo do FC Porto. Foi, sim, uma boa vitória, que valeu três pontos e que podem ser muito importantes para as contas do campeonato. A deslocação a Tondela revelou-se muito difícil para um Dragão que nunca conseguiu impor o seu jogo como durante a pré-época. A equipa soube sacrificar-se, soube unir-se e soube jogar como uma só para arrecadar o mais importante: a vitória.

Na próxima jornada, o FC Porto recebe o Moreirense no Estádio do Dragão e prevê-se mais uma enchente para apoiar a equipa e ver os seus jogadores somar mais três pontos.

Notas finais para as boas prestações de Corona e Brahimi no apoio à equipa e no trabalho incansável e de grande sacrifício de Marega no desgaste à equipa beirã.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: “A vitória é justíssima”

FC Porto é justo vencedor
“Há sempre riscos quando se está a ganhar pela margem mínima. Um lance poderia dar o empate, mas estávamos precavidos para o jogo do Tondela. É difícil jogar contra uma equipa que faz muito jogo direto. A jogar assim, tenho a certeza que será difícil para qualquer adversário sair de Tondela com pontos. Não foi um espetáculo brilhante e tentámos impor a nossa dinâmica sempre que podíamos, mas também há mérito do Tondela na forma como nos condicionou. Mesmo com pouco espaço, tínhamos de tentar desequilibrar a defesa. Poderíamos ter feito o 2-0 e isso ia dar maior tranquilidade à equipa, mas a vitória é justíssima e não há nada a dizer.”


Entender o jogo
“Temos de saber entender o jogo. Quando o adversário nos condiciona, temos de ser inteligentes e não arriscar certas situações. Tínhamos de aproveitar melhor a capacidade dos nossos avançados. Por vezes perdemos bolas que não devíamos perder, mas soubemos sempre recuperar. Na generalidade, foi um jogo controlado por nós.”

Ganhar sabe sempre bem
“Tínhamos de igualar a agressividade do Tondela. Poderíamos ter feito três ou quatro golos, mas estas vitórias também são saborosas. Na época passada o FC Porto perdeu dois pontos neste estádio.”

Qualidade e confiança
“Os meus jogadores têm uma qualidade enorme, seja a jogar em casa ou fora. Será sempre a mesma coisa. É preciso não esquecer que jogamos sempre contra um adversário que nos cria dificuldades. O importante é saber sempre responder a essas dificuldades. O importante é a resposta dos jogadores e eu confio cegamente neles.”



RESUMO DO JOGO

12 agosto, 2017

VAR - VIDEO AMIGO DO REGIME!


É inacreditável o ponto a que chega a impunidade do clube do regime e a forma como os Agentes do Futebol, e não só, lhe são subservientes é absolutamente vergonhosa.

Depois de tudo o que tem sido tornado público nas últimas semanas, como o apoio a claques ilegais, o acesso a informações da vida pessoal de árbitros e ao Telemóvel do Presidente da FPF, a influência exercida sobre os mais diversos agentes desportivos para que decisões relativas à arbitragem e disciplina lhe sejam favoráveis e, mais recentemente, o desejo de vasculhar o Computador de um seu Ex-Treinador, eis que o início da implementação do VAR tem sido a cereja no topo do bolo do proteccionismo ao clube de carnide.

Nos 2 jogos oficiais que esse clube disputou, Supertaça e receção ao Braga, temos nada mais nada menos que 2 lances de golo mal ajuizados pelo VAR. Na Supertaça, no primeiro golo marcado por Jonas, na altura do cruzamento que origina a frangalhada de Miguel Silva, Seferovic está adiantado como se comprova na imagem abaixo exposta e, claramente, é o seu posicionamento que origina o erro do Guarda-Redes Vitoriano. Jorge Sousa, no VAR, indicou a Artur Soares Dias que o golo é legal.


Na partida da passada Quarta-Feira, o Braga chega ao 3-2 de forma absolutamente limpa, o golo é invalidado pelo assistente, e Fábio Veríssimo, no VAR, confirma a decisão.

Embora sejam lances onde as repetições mostradas não são as mais claras, mas já lá vamos, é inacreditável como é que alguém com acesso a imagens de todas as Câmaras que estão a filmar a partida consegue confirmar as erradas decisões de quem dirige a partida no relvado. O VAR pode não ter qualquer efeito prático, como se vê claramente nestes dois exemplos, mas servirá para desmascarar, ainda mais, quem anda no Futebol ao serviço do Clube do Regime, pois só assim se compreende que alguém vendo estes lances na Televisão consiga decidir a favor dos de carnide.

Mas, se na minha opinião não existe qualquer desculpa para o VAR nestas duas jogadas, também é preciso salientar que as imagens não são as melhores. Se no caso da Televisão do Regime é apenas a continuação de uma palhaçada que se arrasta pela 5ª Época consecutiva, mas que esta Temporada terá contornos ainda mais graves devido à utilização do VAR, no caso da RTP seria exigível um pouco mais de rigor na transmissão da partida.

E foi para mim curioso assistir ao pedido de desculpas do realizador do jogo Ricardo Espírito Santo por ter feito um plano do seio de uma adepta do regime, sem que tenha existido também um pedido desculpas por não ter contribuído para o auxilio ao cumprimento das regras do jogo de forma negligente. A imagem do Fora-de-Jogo de Seferovic que apresento em cima foi tirada com a minha TV em Pausa, para que toda a gente possa ver a posição do Suiço no momento do cruzamento e ai constatar claramente a sua posição irregular. No entanto, o senhor Ricardo Espírito Santo, que como realizador deveria ter a responsabilidade acrescida de garantir a imparcialidade e também o máximo de rigor possível na difusão das repetições de forma a que todos os espectadores ficassem esclarecidos à cerca da legalidade dos lances, não foi capaz de parar a imagem na altura do cruzamento e assim mostrar, inequivocamente, que o primeiro golo do Regime foi obtido de forma ilegal.

Quero acreditar que tal como no plano do seio da dita adepta, o senhor Ricardo Espiríto Santo também se sentirá arrependido por não ter sido capaz de esclarecer de forma mais clara os Telespectadores que acompanharam a partida na Televisão do Estado.

Posto isto, meus amigos, está mais do que visto que a luta será dura e que tudo valerá para que o tão ambicionado Penta aconteça. Resta-nos continuar unidos, focados, mas também humildes, porque se mantivermos todos esta atitude acreditem que iremos ser muito felizes lá mais para a frente.

Um abraço Azul e Branco,´
Pedro Ferreira

11 agosto, 2017

SEM NOME E SEM VERGONHA.


Está lançado o debate público sobre a legalização das claques. Está previsto na lei, desde 2009, que nenhum promotor de espectáculos desportivos pode apoiar uma claque ou grupo organizado de adeptos que não estejam devidamente legalizados e registados como uma associação. Já não vou entrar aqui na questão de concordar ou não concordar com a legalização, com o facto de todos os ultras terem aparentemente de se identificarem para fazerem parte da claque, entro apenas na questão da lei. É lei e portanto é para cumprir. Julgava eu...

Lisboa está à margem da lei, o Carnide está à margem da lei e naturalmente os No Name Boys e os Diabos Vermelhos estão à margem da lei. De forma absolutamente clara e à vista de toda a gente, sem medo das consequências. Estão fora da lei, sabem-no, demonstram-no e gabam-se disso mesmo.

As claques benfiquistas quanto a mim podem ser ilegais para sempre, Vivo bem com isso. Não podem é ter as mesmas regalias do que as claques legais.


Podem concentrar-se num café ou em casa de um elemento do grupo, não podem ter uma sede própria oferecida pelo Clube. Podem ir à MegaStore todas as semanas comprar bilhetes, não podem é ter direito a remessas que nem passam pela bilheteira. Podem ir de carro, carrinha ou autocarro apoiar o seu clube, desde que paguem do seu próprio bolso como qualquer outro sócio anónimo, não podem ter viagens grátis e “pága o Benfica”. Podem entrar cachecóis, estandartes, bandeiras ou faixas do clube, não podem é usar material da claque. Podem ir ao jogos fora como qualquer adepto dito “normal”, não precisariam é de chamar a polícia e fazer-se uma “caixa de segurança” para os proteger, como se faz a qualquer claque. Exemplo disso ainda agora, há menos de dois meses, o jogo de Hóquei em Patins no Dragão Caixa.

Estamos a falar de claques que levam dois assassinatos desde a sua fundação. Claques que quase mataram um jogador de hóquei do Porto. Claques que queimaram um autocarro de adeptos do FC Porto que se tinham deslocado a Lisboa. E tantos outros exemplos...

Estes indivíduos recusam-se a dialogar com quer que seja, muito menos com a autoridade. Deste lado, onde existe um grupo bem mais aberto (para o bom e para o mau), onde a polícia sabe perfeitamente quem é e quem não é da claque, quem vai muitas vezes, quem nunca vai e quem vai sempre, onde existe um clima de cooperação uns com os outros, somos sempre os perseguidos os e os alvos a abater.


A PSP, em vez de andar atrás daqueles que não dão a cara todas as semanas nos estádios portugueses e em alto e bom som cantam “ilegais allez”, fez uma caça às bruxas no primeiro jogo do campeonato com o Estoril. No final do jogo, já com tudo a desmobilizar, confrontou agressivamente jovens para lhes revistar... o cachecol. No meio de tanta revista, um auto de apreensão! Um artefacto perigosíssimo que põem qualquer espectador em perigo. Um cachecol que diz “NO PYRO NO PARTY”. Contado ninguém acredita mas é mesmo verdade.

Os lampiões são ilegais e a autoridade cai em cima dos legais. Neste país, o crime compensa. Estamos numa república das bananas. É não passar cartão a esses senhores, que aos anos passeiam as fardas e as trombas pelo país inteiro atrás de nós, mortinhos por nos cair em cima à primeira oportunidade.

Um abraço ultra.

09 agosto, 2017

ENTRADA DE DRAGÃO.


FC PORTO-ESTORIL, 4-0

O FC Porto começou o campeonato dando continuidade à boa pré-época realizada. Uma equipa intensa que massacra, que mói, que persiste e que quer sempre mais. Não se dá por satisfeita depois de estar em vantagem.

Assistimos, neste fim de tarde, a uma exibição fantástica de uma equipa que sabe o que quer. O FC Porto esmaga, sufoca e coloca o adversário em sentido. O Estoril que o diga. O futebol é virado sempre para o ataque e o ritmo é desconcertante. O Estoril não teve um momento de descanso e de tranquilidade para pensar o seu jogo.


Que diferença deste Porto para o Porto da época passada. E o grosso dos jogadores está lá. A postura, a atitude e a performance é que são completamente distintas. O principal responsável tem um nome: Sérgio Conceição. O treinador portista conseguiu num mês cativar um grupo de jogadores e soube passar a mensagem daquilo que pretende.

Claro que ainda há muito para melhorar, muitos aspectos para trabalhar e o plantel poderá não estar completamente definido. Mas, neste FC Porto, há trabalho feito e é nisto que nos importa focar de momento. Realçar o que vimos esta tarde no Estádio do Dragão é aquilo que importa descrever.

O primeiro golo só chegou depois da meia hora num lance em que Marega, acabado de entrar para o lugar do lesionado Soares, aproveitou um mau passe de Mano para Moreira e rematou para a baliza deserta.

Mas o lance do primeiro golo, apesar de ser uma oferta monumental, também tem mérito da parte do avançado portista. A pressão constante e a atitude de nunca dar um lance como perdido são sinais evidentes neste FC Porto 2017-18. E com esta evidência, o FC Porto inaugurou o marcador.


No primeiro tempo antes do golo, o FC Porto tinha desperdiçado algumas boas oportunidades, sobretudo por Aboubakar. Viu o árbitro, e bem, anular três golos. Mas já não esteve bem na análise de um lance na área canarinha quando o guarda-redes estorilista, ao tentar socar uma bola, acertou em cheio no nariz de Marcano. Terá ficado uma grande penalidade por assinalar.

Na segunda parte, jogo novamente de grande intensidade por parte dos Dragões. Agressividade e persistente procura da bola e de golos foi visível no relvado. Brahimi, aos 52 minutos, numa iniciativa individual, entrou na área e, na cara de Moreira, atirou para o fundo das redes.

Com 2-0, o FC Porto atingia a tranquilidade, mas os azuis-e-brancos queriam mais. Mais golos é a palavra de ordem desta equipa. Os canarinhos ainda tentaram reagir. Tiveram três bons remates. Dois bem defendidos por Casillas e outro que roçou a trave da baliza portista.


Mas a noite era azul-e-branca. Aos 60 minutos, Óliver Torres assiste Marega que, de cabeça, bisa na partida e dez minutos depois, o médio espanhol bate um livre para a área onde surge o seu compatriota Marcano a cabecear para o 4-0. Inicialmente, o golo foi anulado por pretenso fora-de-jogo, mas a tecnologia do videoárbitro veio repor justiça, validando o golo.

Até ao fim da partida, houve ainda tempo para mais oportunidades desperdiçadas, com destaque outra vez para Aboubakar. O camaronês fez um jogo em grande, mas esteve numa noite de azar no capítulo da finalização. Em grande também estiveram Óliver, um jogador de grandíssima classe, Brahimi a atacar e a defender, embora por vezes cometa exageros desnecessários, e Marega que aproveitou a oportunidade para mostrar que quer ser solução.

O FC Porto soma os primeiros três pontos e no próximo Domingo desloca-se a Tondela para cumprir a 2ª Jornada da Liga NOS 2017/18.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: “Foi um jogo muito positivo”

O mar azul
“Tivemos um apoio fantástico dos adeptos, estamos a criar um verdadeiro mar azul e eles são verdadeiramente o nosso 12.º jogador. É muito importante sentirmos esse apoio, esta paixão que eles sentem pelo clube e isso transmite-se para dentro do grupo de trabalho, que também sente isso. Há uma coisa que posso prometer, podemos até empatar ou mesmo perder um jogo – espero que não – mas a atitude, a paixão, a entrega e a dedicação estarão sempre em campo.”

A justiça do resultado
“Foi uma vitória justa. Na primeira parte, em alguns momentos do jogo podíamos e devíamos ter circulado a bola de forma mais rápida, até para encontrar espaço perante o bloco médio/baixo do Estoril. Muitas vezes tivemos algumas dificuldades em encontrar um futebol mais de apoio e diversificar esse tipo de movimentos. Mas depois, com decorrer do jogo, com a nossa intensidade, a procura constante de condicionar o adversário, a forma como estamos vivos, presentes no jogo, surgiram naturalmente os outros golos.”

A ansiedade no primeiro jogo
“A pressão é sempre positiva. Naturalmente que os jogadores poderão sentir o início do campeonato, a necessidade de dar uma resposta igual à que foi dada na pré-época. Isso é natural e é algo que sabia que, com o jogo, se ia perdendo. É uma situação normal, não é só no FC Porto e no Estoril, em todas as equipas há essa ansiedade. É bom sinal, é sinal de que os jogadores ficam vivos, desconfiados do próprio adversário.”


A força do grupo
“Hoje ficaram jogadores de fora como o André André, o João Teixeira, o Sérgio Oliveira, o Indi, o Rafa, o Layún, que está doente. Todos eles, os que jogam e os que não jogam, fazem um FC Porto competitivo, com uma luta sã dentro do grupo de trabalho e penso que isso é o mais importante. Há alguma tristeza de alguns por não participarem, mas com as competições internas e com a Liga dos Campeões toda a gente vai ter oportunidade de jogar. O espírito solidário do grupo de trabalho também é uma das nossas forças.”

A lesão de Soares
“Será reavaliado amanhã. O departamento médico saberá mais em pormenor a gravidade da lesão. O que me foi passado pelo departamento médico, com quem estamos em total sintonia, é que ele estava a 100 por cento para o jogo, se não obviamente que eu não o teria utilizado. Foi o menos bom de um jogo muito positivo da nossa parte.”

A estreia oficial no Dragão
“Senti-me muito bem. Como disse na antevisão do jogo, é óbvio que estava emocionado por saber que ia ter a minha estreia como treinador principal num jogo oficial, mas hoje acordei completamente focado no jogo, no que tínhamos que fazer para ganhar.”

O FC Porto de Sérgio Conceição
“Tem a ver com uma ideia de jogo diferente, quero um FC Porto sempre com grande intensidade, com boa agressividade, a constante procura da bola, do golo, sempre de forma organizada e equilibrada também, que é importante, condicionando muito o jogo do adversário. Temos jogadores com essas características e tentamos ao máximo potenciar essa ideia de jogo. Não vai ser sempre assim, não vamos marcar sempre quatro golos, mas acho que desta forma estaremos mais perto de ganhar os três pontos.”


RESUMO DO JOGO

UM(A) PINHÃO BADALHOCO(A).


De certo tipo de gente já não há nada que nos possa surpreender, pois quem faz do ódio pessoal a sua razão de existência, simplesmente não conhece limites. Esse tipo de gente mesquinha, rasteira, sem nível e mal amada, não devia sequer ter nascido pois a sua presença polui o universo, e não me refiro apenas à aversão a tomar banho com frequência aceitável.

Se é um facto que a comunicação social sulista e elitista, prostituta e rendida à capital, de cócoras e sem nível, encontra um sem número de exemplares no perfil anteriormente descrito, a verdade é que poucos reunirão um conjunto tão alargado de características nojentas e asquerosas como o(a) Leonor Pinhão.
Este ser humano, é a única forma que encontro de me dirigir a ele(a), tem um passado de ódio ao FC Porto e seu presidente, onde passagens como o livro de Carolina Salgado ou as crónicas semanais no jornal A Bola, são apenas retalhos de uma vida que lamentavelmente brotou há já 60 anos, numa altura em que a lei do aborto ainda não estava aprovada.

Podem os mais sensíveis estar chocados com o início do meu artigo de hoje, mas quero deixar bem claro que desde o penúltimo sábado (29/07), a diferença entre o(a) Pinhão e um qualquer animal é que tenho mais compaixão pelo animal do que pelo(a) Pinhão.
E porquê? Vindo deste(a) Pinhão já nada choca ou surpreende... ok, é verdade! Mas há limites mínimos de dignidade que o ser humano não pode, ou pelo menos não deve ultrapassar. Se o fizer, e este foi o caso, passa automaticamente a deixar de merecer qualquer respeito ou dignidade.
E o que escreveu o(a) Pinhão desta vez? Na sua habitual crónica de sábado no CM, escreveu em dada altura aquele(a) que gosta tanto de um chuveiro como a Tânia Laranjo:

“O diretor de comunicação do FC Porto, por exemplo, anunciou na semana passada que o melhor está para vir e logo no dia seguinte o presidente do clube sofreu uma queda aparatosa que o remeteu para o leito de um hospital”.
Meus caros, quem faz uma afirmação destas na mesa de um tasco, é de lamentar e só o pode fazer por estar embriagado ou por defeito de formação humana.
Mas quem o escreve num jornal, apenas merece que se lhe deseje o mesmo: que se junte ao Eusébio!
De pouco vale um discurso falsamente moderado, típico do primeiro ministro lampião, numa qualquer televisão quando depois se escreve isto. Isto é ser nojento(a), asqueroso(a), porco(a), badalhoco(a) e apenas ao alcance de gente sem nível, sem princípios e sem valores éticos e morais. Falar de defeito de formação humana é utilizar um eufemismo para classificar quem se exprime publicamente desta forma. Daqui em diante, qualquer um que lhe deseje a morte está absolutamente legitimado!
Se calhar desejar-lhe a morte não é suficientemente mau. Provavelmente é bem pior desejar-lhe uma inundação em casa, mesmo que a água não suba além do tornozelo! É que imaginando o efeito que H2O poderá ter em alguém que lhe tem alergia, estaremos seguramente a falar de um castigo devastador e torturante que quiçá poderá ultrapassar a morte.

Como não temos memória curta, sublinho que esta não é a primeira vez que publicamente alguém ligado ao único clube em Portugal cujas suas claques já assassinaram adeptos adversários, deseja a morte ao nosso presidente. Já em plena emissão da benficatv, um seu comentador desejou que Jorge Nuno Pinto da Costa fosse fazer companhia a José Maria Pedroto. Perante isto, pedir depois aos outros que sejam moderados ou respeitadores, só por brincadeira. Jesus Cristo é que levou um estalo e deu a outra face. Eu não sou Jesus Cristo nem espero ser. Quem se mete desta forma com o meu clube ou os que o servem, leva resposta e o mesmo tipo de sentimento. Não nos podemos silenciar ou ignorar quem tanto mal nos deseja, quem nos deseja tão mal ao ponto de escrever o que este(a) Pinhão escreveu.

Meus amigos, é por estas e por (muitas) outras que temos que estar mais unidos do que nunca se queremos regressar aos títulos e às vitórias. Mais do que nunca temos que estar reunidos em torno daquilo que é nosso e em torno daqueles que são os únicos que neste momento nos podem devolver ao caminho da glória.

Até logo, no sítio do costume!

07 agosto, 2017

A TRISTE REALIDADE: UM CAMPEONATO COM 17 EQUIPAS E 1 BATOTEIRO.


Sinceramente, ao olhar para os últimos desenvolvimentos do futebol português não sei muito bem se devo rir ou chorar. Por mais piada que achemos a determinadas coisas, depois constatamos o tempo que perdemos, as angustias que sofremos e a expetativas que criamos em relação a uma coisa que se chama futebol e damos por nós a pensar: “estarei a fazer figura de tolo ao me chatear e perder tanto tempo com isto?!?!”.

O facto deles até agora apenas negarem a acusação de corrupção, mas nunca o conteúdo do que foi divulgado ao nível de mails e sms, bem como o facto de alguns intervenientes nos mails divulgados, nomeadamente o sr. Figueiredo (aquele que enquanto presidente da Liga, disse que iria estar sempre ao lado de um clube!), já terem admitido a veracidade e existência dos mesmos, já indiciava que tudo o até aqui divulgado seria real e verdadeiro.

O anúncio de que eles irão fazer uma queixa contra o FC Porto por acesso a correspondência eletrónica comprova factualmente que tudo aquilo é verdade, existe, não foi manipulado, nem inventado. A partir daqui poderemos então refletir sobre tudo isso, com a certeza de que estamos perante coisas reais, verdadeiras, que existiram mesmo. Acrescente-se que também caberá a eles provarem que o FC Porto, e os outros órgãos de comunicação social como o Expresso (ou só fizeram queixa do FC Porto?!?!?!?!), acederam ilegalmente a estes mails. Caso não o conseguirem fazer, mesmo com uma vasta equipa de advogados e consultores, será que a indemnização de 50 milhões seguirá sem sentido contrário, ou seja, a favor do FC Porto?

Conclui-se e constata-se, portanto, que aquilo que estamos a viver é uma “guerra” em que clube se julga completamente acima das leis, aliás, esse clube julga-se superior ao próprio estado de Direito, uma espécie de realidade paralela à margem das leis pelas quais se regem todas as outras instituições e pessoas, algo mais comum num qualquer país africano subdesenvolvido do que num país da UE.

É evidente que a posição do FC Porto não pode ser outra em relação a tudo isto. Uma postura não agressiva, mas sim bélica e violentíssima, de denúncia constante, alto e bom som na maior parte dos órgãos de comunicação social possível, da pouca-vergonha que semana após semana se vai sabendo em relação a tanta nojice encornada. Outra dimensão diferente, mas igualmente importante, é sermos competentes dentro de campo, treinador, jogadores e SAD. A culpa de termos chegado aqui também é obviamente nossa e já é tempo de estancar os erros das ultimas quatro épocas.

Não há outra forma de reagir, senão sermos violentos e incómodos em relação àquilo que é um clube que se julga no direito de brincar com tudo e todos, instituições governamentais incluídas…

É preciso ter uma lata descomunal quando vemos agora um senhor com orelhas grandes estar muito preocupado com a imagem do futebol português. Quando há uns anos foi à UEFA pedir a exclusão do campeão nacional (título ganho com 20 pontos de vantagem) da Champions League aí não estava preocupado com a imagem do futebol português.

Infelizmente tudo isto é uma grande tristeza mas é o que há…

É triste saber que um campeonato vai começar e uma das equipas tem um 1º ministro que prefere "lugares na liga a bons jogadores" e que, a julgar por algumas prosas de Adão para Guerra, tem "os padres que escolhe e ordena, nas missas que celebra"…

É triste saber que um clube tem o poder de aceder indevidamente a relatórios de observadores para “dar cabo” a notas de árbitros…

É triste saber que o assessor jurídico da SAD de um clube recebe listas com candidatos a árbitros e assistentes da Liga com mensagens do tipo “por esta ordem, estes são os melhores e nada pode falhar”…

É triste saber que há delegados da Liga que querem ser os “meninos queridos” de um certo e determinado clube e que inclusivamente trocam mensagens de afeto com assessores jurídicos desse clube…

É triste saber que um clube recebe, através do presidente da assembleia geral da Liga, documentos oficiais da Liga, antes ainda de todos os outros clubes terem conhecimento…

É triste saber que há um clube que recebe e monitoriza os sms de Fernando Gomes, atual presidente da FPF…

É triste saber que um clube recebe mails sobre aspetos da vida privada e íntima de árbitros de futebol, incluindo fotografias de amantes…

É triste saber que um clube apoia ilegalmente claques, negando depois a existência das mesmas, quando o seu próprio treinador dá os parabéns quando uma das claques celebra o aniversário ou quando um funcionário do próprio clube ajuda a claque em dia de jogo…

É triste tudo isto e muito mais, mas é contra isto que também temos de combater!

30 julho, 2017

DRAGÃO FULMINANTE.


FC PORTO-CORUNHA, 4-0

Esta é a primeira crónica da época que escrevo de uma época que se iniciará no dia 9 de Agosto quando o Dragão defrontar o Estoril na 1ª Jornada do campeonato. Os azuis-e-brancos têm vindo a realizar uma pré-época em crescendo e a criar todas as bases para uma época que se pretende cheia de sucessos.

Sérgio Conceição, o novo timoneiro, tendo à sua disposição a base da equipa da época passada e aproveitando o que de bom foi feito, tem vindo a fazer um trabalho muito sustentado, visível dentro do relvado. Além disso, o novo técnico portista tem também o mérito de saber tirar proveito de jogadores que estiveram emprestados.


Os Dragões estão algo condicionados financeiramente por terem de respeitar e cumprir o fair-play financeiro. Deste modo, dinheiro para reforços não abunda, mas abundam muitas soluções que andaram a jogar por empréstimo noutros clubes. E neste aspecto, o técnico azul-e-branco tem tido a capacidade de saber tirar o melhor de cada um para formar um plantel coeso e competitivo.

Por outro lado, o clube teve a competência de fazer alguns encaixes significativos para cumprir o fair-play financeiro, não mexendo no onze base da época passada. Isso foi, até ao momento, um bom sintoma de que se está a trabalhar bem no Dragão, apesar de terem sido vendidos dois jogadores da “cantera” portista.

Mas nem tudo pode ser como se pretende. O importante é ter um rumo e os objectivos bem definidos. Saber muito bem o que se quer e onde se pretende chegar é essencial para uma época de sucesso.

Esta noite realizou-se o habitual jogo da apresentação oficial aos sócios e simpatizantes do FC Porto. O Deportivo La Coruña foi o convidado de honra para defrontar um FC Porto bastante agressivo, goleador e fulminante como temos visto ao longo desta curta pré-época.

Depois da apresentação dos jogadores que constituem actualmente o plantel e a atribuição dos números a cada um deles para a nova época, ficou registado que não foram apresentados os números 4 (central na calha?) e 6 (um lugar vago no meio-campo?). Também se consegue percebe que, dos 29 jogadores apresentados, alguns irão sair por empréstimo ou em definitivo, isto a avaliar pelas suas utilizações residuais durante os jogos já realizados.


Mas o mês de Agosto é longo, há quatro jornadas do campeonato para cumprir e até lá vamos ter oportunidade de assistir a algumas mudanças. Esperemos que sejam pontuais. Importante seria renovar contrato com alguns jogadores considerados nucleares nesta equipa que estão prestes a expirar as suas ligações ao clube e, claro está, vencer, no mês que se avizinha, os quatro primeiros jogos oficiais para começar a época da melhor forma.

Mais dois golos de Aboubakar, um de Jesus Corona e outro de Marega, definiram um resultado robusto que finalizou uma bela tarde no Dragão. 4-0, mais uma goleada, mais uma boa exibição e mais uma prova cabal de que a equipa está no bom caminho.

Vi um FC Porto à semelhança do que tenho visto nos jogos de preparação realizados recentemente. Mantém a consistência defensiva da época transacta e revela-se muito mais prático e eficaz na zona da finalização.

Há trabalho feito, há condições para encarar com optimismo e esperança uma época que se prevê longa. A equipa terá já um onze base, ainda com uma ou outra dúvida, mas soluções no banco e no plantel não parecem faltar.

Em relação à equipa-base da época passada, Sérgio Conceição não mexeu quase nada. Maxi foi preterido pelo regressado Ricardo Pereira e Aboubakar, também vindo de um empréstimo, salta para o onze portista, saindo A. André. O que mudou na equipa foi a mudança do 4x3x3 para um 4x4x2. Com uma defesa clássica de quatro elementos, dois médios, dois extremos e dois pontas de lança, o FC Porto desgasta os adversários desde a saída da grande área contrária.

Danilo não joga fixo na posição seis, forma dupla com Óliver Torres no meio-campo em situação de transição defensiva. Em situação atacante, o médio defensivo recua para o meio dos centrais e os defesas laterais sobem nos corredores para apoiar os extremos. Desta forma, criam-se desequilíbrios na frente de ataque. É uma forma de encarar o jogo com ambição sem descurar a organização defensiva.


O que me parece é que este FC Porto irá dar poucas hipóteses a equipas inferiores de ser apanhado desprevenido em contra-golpe e pode muito bem aproveitar, como se viu esta noite, os erros contrários em zonas proibidas. Ora isto, poderá originar recuperações de bola junto da baliza adversária e, consequentemente, golos. Muitos golos!

Com equipas do mesmo calibre e, eventualmente superiores, estou curioso para ver como é que o FC Porto se vai apresentar e reagir. Até lá, há que afinar o sistema de jogo e prepará-lo com equipas mais acessíveis.

A equipa revela-se bastante confiante nas ideias do treinador. Ataca com muitos homens e ensaia jogadas constantes de perigo, privilegiando as triangulações e as rápidas incursões à área adversária. Em situações de perda de bola, a equipa contrária não tem tempo para respirar. E aí comete erros na zona de saída de bola ou despacha o esférico para longe da zona de perigo.

É um futebol intenso, objectivo, agressivo e desequilibrador, capaz de desgastar completamente o adversário que está pela frente. Por outro lado, também veremos com expectativa se este FC Porto terá capacidade para jogar uma época inteira desta forma. Ou se terá opções à altura para colmatar o desgaste natural dos pseudo-titulares.

Naturalmente que ainda há muitas coisas a corrigir neste FC Porto. Com um ano de trabalho feito defensivamente, tal como Sérgio Conceição realça várias vezes, há que ter consciência que a nova abordagem ofensiva e a implementação de um sistema táctico diferente têm menos de um mês de trabalho. Por isso, o Dragão vai melhorar muito mais, mas já apresenta dados muito interessantes para o momento da época.

Sim, porque Danilo Pereira, por exemplo, está claramente fora de forma e acusa o desgaste e o cansaço destas primeiras semanas de trabalho. Começou a época mais tarde e foi visível, esta tarde, que não está nem de perto, nem de longe na plenitude das suas capacidades. Cometeu erros de palmatória, quer ao nível do passe, quer ao nível de decisões durante o próprio jogo.


Por outro lado, temos um Corona capaz do melhor e do pior. Será importante ter Corona mais regular durante a época porque na plenitude das suas capacidades, o mexicano é uma mais-valia neste onze. Se Corona se revelar menos bom, que se cuide porque há outras opções.

De resto, vi um super-Óliver no meio-campo portista com uma capacidade fantástica de vir atrás e construir muito do jogo portista. Isso obriga o espanhol a um desgaste físico e mental superior que, manifestamente preocupa. Por isso, mais acima questionei até que ponto haverá substitutos à altura para os jogadores do onze base. A temporada vai ser longa e será bom que as opções do plantel sejam vastas e válidas para evitar desequilíbrios na equipa e reduções na sua performance.

Vi um Brahimi desequilibrador e dois homens poderosos no ataque que vão dar muito trabalho às defesas contrárias. Na defesa, em destaque, realço Ricardo Pereira, a mostrar porque é o titular indiscutível à direita, e Marcano porque continua a ser o patrão da defesa.

Sérgio Conceição tem o mérito de nos apresentar um FC Porto bom, saudável, competitivo e que agrada muito à plateia do Dragão. Terá também um papel importante quando as coisas correrem menos bem. E essas coisas acontecem em todas as equipas, com naturalidade. Por isso é crucial saber trabalhar o lado emocional e conseguir dar a resposta adequada, de forma a atenuar as situações menos boas que poderão surgir ao longo da época para evitar que a equipa se desvie do seu foco.

Dia 9 de Agosto já vai ser a doer, mas antes o FC Porto tem mais um particular para cumprir. Será no dia 2 de Agosto em Barcelos frente ao Gil Vicente a contar para a Taça Crédito Agrícola.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: “Tenho um grupo fantástico”

Análise à partida
“Gostei da aceitação dos jogadores do nosso principio de jogo e dos golos que marcámos. Tivemos uma dinâmica de jogo que nos permitiu chegar à baliza adversária de forma rápida, intensa, com uma pressão constante sobre o adversário. O menos positivo foram os momentos em que estamos fora de tempo, no que chamamos o encurtar sobre o adversário. Não podemos deixar esse espaço e permitir que a equipa adversária saia com perigo, porque um ponto forte nosso não pode depois ser uma fragilidade. Em alguns momentos também precisamos de descansar com bola. Há muita coisa a trabalhar, mas há muita também que já é bem feita. Não paro de ouvir que a base do FC Porto é igual à do ano passado, e, relativamente aos jogadores, é verdade, mas penso que a dinâmica é completamente diferente. Não se pode fazer comparações. Em determinados momentos peço coisas aos jogadores que eles não estavam habituados a fazer e daí a importância do tempo. Bem sei que no futebol não há tempo, mas tentamos abreviar ao máximo esse tempo para chegarmos ao ponto que nós queremos, que é roçar a perfeição. Tenho um grupo fantástico naquilo que é o acreditar. Temos feito um trabalho difícil, exigente, mas que vai fazer que em maio estejamos todos felizes.

A dupla de avançados
“São dois jogadores importantes. Importa também perceber que o trabalho deles não se esgota no momento de construção, mas também se prolonga no momento defensivo. E quando eles não o fazem perdemos alguma presença no meio-campo que nos deixa em dificuldades, pois só temos dois médios e precisamos desse equilíbrio. São as tais situações que vamos trabalhando.”

O regresso como treinador
“Para mim foi muito difícil. Para já porque não gosto de festas. Percebo perfeitamente a paixão destes adeptos por este clube e estamos todos aqui para fazer uma festa sempre que o FC Porto joga, mas acho que a festa devem fazer os adeptos depois do nosso trabalho em campo. Voltar aqui foi uma emoção grande. Foi o regresso a uma casa que me criou alguma emoção, por tudo o que disse na minha apresentação. Chegar aqui como treinador principal é fabuloso. Depois tenho que dar uma palavra ao nosso presidente, pois foi ele que deu a grandeza que o clube tem neste momento. Lembrei-me dele quando entrei aqui porque foi ele que me deu esta oportunidade. Foi um dia emocionante.”



RESUMO DO JOGO

29 julho, 2017

EM GUIMARÃES MANDÁMOS NÓS


Está de volta!! Depois de um mês de ausência (o futebol terminou há dois meses mas as modalidades do Clube continuaram a jogar e a ter o nosso apoio até ao fim-de-semana do São João), estamos de regresso à Curva para apoiar o FC Porto, clube do coração.

Terminámos a época desportiva da melhor maneira com a conquista do triplete em hóquei em patins. Depois da Supertaça na Mealhada em Setembro passado, vencemos campeonato e taça de Portugal no último mês de Junho. O FC Porto é neste momento o vencedor das últimas quatro competições disputadas em Portugal na modalidade, uma vez que já tinha ganho a taça de Portugal em 2016 ao inimigo, em Ponte de Lima.

O dia 17 de Junho ficará para sempre na minha memória como o “campeonato do Kelvin do hóquei em patins”. Num pavilhão anormalmente despido para um jogo que poderia dar um campeonato, fez falta quem esteve presente. Com um calor a ultrapassar os 30 graus em qualquer praia do país, os que estiveram ali dentro fechados merecem o que viveram e para sempre recordarão este campeonato. Palavra especial aos fiéis adeptos que marcam presença ao longo de todo o ano, nos sectores 4, 5 e 6, atrás dos bancos, e aqueles ultras que “incendiaram” a bancada Sul e por consequência todo o pavilhão. Aqueles que não precisam que os avisem ou lhes peçam para ir, aqueles que tomam a iniciativa e todos juntos ajudaram o FC Porto a ter uma tarde absolutamente histórica e que nunca na vida esquecerão.


As “férias” foram rápidas e no último Domingo mais de 2 mil Dragões rumaram a Guimarães. De carro ou de autocarro, a melhor deslocação em Portugal. E este não ano, tal como no anterior, em dose dupla. Em pleno Verão, pena o jogo ter sido Domingo à noite. Com dois dias de fim-de-semana, inadmissível o dia e a hora escolhidas assim como nas jornadas 2, 3 e 4 do campeonato. Na primeira, que é numa quarta-feira, em vez de ser mais tarde, é as 19h...

Mas voltando a Guimarães. Cortejo monstruoso ainda na pré-época. Depois de jogos à porta fechada e da digressão no México, o primeiro jogo em Portugal “a sério” foi com o FC Porto a jogar claramente em casa. Excelente moldura humana no topo Norte do D. Afonso Henriques. Rivalidade, paixão, adrenalina, um pouco de tudo nesta deslocação ao Minho. Uma bela exibição e novamente a conquista do troféu cidade de Guimarães.

Um abraço ultra.

28 julho, 2017

ROUBAR PELOS DOIS!


O Título pode muito bem ser pouco original, no entanto, caracteriza na perfeição aquilo que se passou no passado Domingo em Guimarães. Numa primeira parte dirigida sem grandes problemas por Jorge Sousa, um dos menos maus que por cá apitam, a segunda parte viria a ser dirigda pelo lampião mais conhecido como “Mostovoi” João Pinheiro.

Se o ar dele ao Intervalo era de desalento, como comprova a imagem, a sua atuação foi do nível a que nos habituou na última Época. Não precisaria de muito para à passagem do 52º Minuto castigar com vermelho direto uma falta dura do André André. A entrada foi dura e imprudente, sem qualquer margem para dúvidas, mas como é possível alguém que no último Rio Ave vs benfica perdoou por duas vezes a expulsão a Franco Cervi por entradas igualmente grosseiras, expulsar André André num jogo particular num dos seus primeiros lances em campo?

A explicação é simples e bastante óbvia: Provocar e Enervar a nossa Equipa! Foi com esse objetivo que o senhor João Pinheiro dirigiu toda a segunda parte, com uma dualidade de critérios gritante na marcação das faltas e no critério disciplinar, ao ponto de ter conseguido admoestar o nosso Capitão Marcano com um amarelo por palavras.

Foi uma postura pouco surpreendente de um dos mais fiéis lacaios do regime, que já na temporada passada tinha mostrado todo o seu potencial ao negar-nos uma Grande Penalidade escandalosa na reta final do jogo em Setúbal e também ao oferecer a vitória ao nosso rival em Vila do Conde com uma arbitragem verdadeiramente tendenciosa.

Também não nos podemos esquecer que este artista foi quem, via E-Mail, andava a passar informações a Nuno Cabral sobre o Estágio de Elite de Árbitros de Futebol, informação essa que posteriormente era enviada pelo aspirante a “menino querido” do benfica ao Assessor Jurídico Paulo Gonçalves e também ao Presidente Luís Filipe Vieira

Portanto, amigos Portistas, não nos iludamos com o video-árbitro nem com as eventuais melhorias que se vão proclamando na arbitragem. Os lacaios continuam lá, todos ao serviço do clube do regime e sempre postos a colocar-nos pedras no caminho para o Título.

Entretanto, e à hora em que vou escrevendo este artigo, acaba de nos ser sonegado um golo limpo no Estádio do Algarve. Diria que a Pré-Temporada não nos poderia estar a correr melhor neste aspeto, pois toda a Equipa fica imediatamente ciente daquilo que vai passar ao longo dos próximos meses e da dificuldade que terá para chegar ao tão desejado Campeonato.

No que diz respeito ao Futebol jogado, os sinais até ao momento são excelentes. Ainda assim, é preciso manter os pés bem assentes no chão pois Pré-Temporadas bem conseguidas nunca foram garantia de Épocas de sucesso, como também o contrário nunca foi impeditivo de se realizar uma boa Temporada.

Não sou grande fã de individualizações, mas não é possível deixar passar em claro os jogos que o Ricardo Pereira tem realizado. O exemplo perfeito que os empréstimos nem sempre são uma sentença para os atletas na Equipa principal do FC Porto e que, como no caso dele, podem até ser uma excelente oportunidade para os jogadores evoluírem para que no curto prazo possam ser solução dentro do nosso Plantel.

No próximo Domingo, as portas do Dragão voltam a abrir e espera-se casa cheia para a Apresentação da nossa Equipa. Que seja o tónico perfeito para uma Época recheada de triunfos para o nosso Clube!

Um abraço Azul e Branco,

Pedro Ferreira

27 julho, 2017

JOGAR COM A PRATA DA CASA.


Conforme dito no regresso da pausa futebolística, a fruta acabou, Francisco J. Marques e companhia voltaram a nivelar o terreno do futebol português. O fim do Apito Dourado/Apito Final agora nos tribunais desportivos, depois de todas as implaváveis derrotas do Ministério Público nos tribunais civis, significou também a machadada final na fruta. Com a anulação pela justiça desportiva da retirada de 6 pontos ao FC Porto, passados muitos e longos anos, anos esses em que o Benfique aproveitou para tomar o controlo total e cabal de todas as estruturas e clubes do futebol português, o Porto e as suas gentes voltam a poder exigir que não brinquem com o seu nome, com o seu emblema, com a sua história e com os seus adeptos. Olhos nos olhos, de cabeça bem levantada e sem medo de ninguém. O Presidente Pinto da Costa afinal sempre tinha razão: largos dias têm cem anos. A justiça tarda, mas chega.

Depois da última e decisiva absolvição, depois do “que passou-se?”, do “sabes que sempre estive do vosso lado”, do “eu só quero ser o vosso menino querido”, do “aconteça o que acontecer, a classificação final tem que ser esta”, do “ponha a carne toda no assador, conforme eu ponho todos os dias”, do “temos os padres que queremos nas missas que celebramos”, do “só temos que rezar e cantar bem”, do “200 é a noite toda, a 3 é 400”, sabemos bem quem tem que meter a cabecinha entre as pernas e respirar baixinho para não ser notado.

Posto isto, penso que o nosso clube, fruto também das circunstâncias financeiras, está a tomar a atitude correcta neste defeso. Devo dizer, por exemplo, que me agradou o design da pré-temporada, com o torneio no México e com um estágio dentro de portas, com adversários nacionais, vários treinos ao longo das semanas, tudo numa lógica de poupança de custos e sem manias de novo-rico. Gostei, aplaudo, prefiro ver os jogadores no Algarve do que na Bélgica ou na Suiça. Chamem-me provinciano ou o que quiserem.

Não se pode pois usar dois pesos e duas medidas quando se julgam as acções do clube. Se quando se contrata demasiado, é costume dizer-se que estamos fartos de camionetas de jogadores e de estrangeiros sem cultura Porto, temos que estar moderadamente confiantes no que aí vem. Uma equipa rotinada e um balneário unido são a meu ver muito mais importantes que a chegada de 2 ou 3 reforços, que demoram sempre pelo menos 3 a 4 meses a adaptar-se ao futebol português, ao clube e à cidade. O tempo das vacas gordas já lá vai (Ismael Diaz que o diga!), as finanças da SAD, é sabido, não vão de vento em popa, pelo que, não havendo dinheiro para contratar um crackalhão do estilo de Lucho Gonzalez ou João Moutinho, que chegue e pegue de estaca como titular sem vacilos, mais vale estar quieto e ser prudente.

Com efeito, a meu ver, as quatro maiores contratações do FC Porto, ainda sujeitas a confirmação, são as permanências de Iker, Felipe, Marcano e Danilo, não necessariamente por esta ordem. Um eixo defensivo central rotinado e feito de homens de barba rija é meio caminho andado para o sucesso. Se além disso somarmos a manutenção dos laterais Maxi e Telles, temos aquilo que não víamos há muitos anos no FC Porto: uma defesa titular a manter-se de uma época para a outra.

A defesa é, até agora, o sector onde o FC Porto se reforçou melhor (e de graça): chegaram Ricardo Pereira, Diego Reyes e Martins Indi. Começando pelo fim, dizer que acredito que apenas um dos centrais regressados se manterá no plantel. Tenho a certeza que qualquer um deles está mais que pronto para lutar pela titularidade com Felipe ou Marcano, embora comecem claramente um passo atrás. Se me fosse pedida a opinião, diria que o mexicano tem mais potencial de crescimento e de se tornar um central à Porto do que o holandês. Mas reitero a confiança total nos dois.

Quanto a Ricardo Pereira, merece um parágrafo próprio. Quem me conhece sabe que sempre fui contra a sua dispensa. Ricardo nunca foi um jovem qualquer: mesmo quando ingressou no FC Porto já era internacional pelas camadas jovens e já havia marcado um golo vitorioso numa Final da Taça de Portugal, tendo rotação tanto a lateral, como a extremo-direito. Era claro que estaria ali um Bosingwa 2.0. No FC Porto foi vítima de forte concorrência e de alguns erros de Lopetegui na sua utilização. Ainda assim, os dois anos (!) em Nice trouxeram coisas positivas: rodagem tanto a lateral direito como esquerdo, minutos nas pernas e exposição internacional. A exposição foi tanta que ainda não é certo que Ricardo fique no FC Porto, pois há muitos e bons interessados nos seus serviços (Tottenham à cabeça). No entanto não posso negar que sonho com uma asa direita a fazer lembrar os tempos de João Pinto e Sérgio Conceição ou de Sérgio Conceição e Capucho. Se Maxi ficar, o agora treinador do FC Porto, pode não ter outra opção a não ser construir a banda direita com Maxi atrás a conferir segurança e a libertar o carrillero Ricardo para partir tudo ora pelo meio ora pela linha.

Se esta for a solução, até podemos poupar uns trocos e não ir ao mercado em busca do tal terceiro extremo: Ricardo juntar-se-ia a Brahimi e Corona com o objectivo de municiar os avançados. Já a Hernâni, atendendo às recentes prestações, só um golpe de sorte o tirará da lista de dispensados, o que me entristece particularmente, pois vejo nele virtudes indiscutíveis no 1x1 e na capacidade de esticar o jogo.

É certo que ainda há interrogações no lado esquerdo. Telles tem o lugar praticamente assegurado e o polivalente Layun terá o seu destino dependente do futuro de Maxi Pereira. Também por isso é prematuro tecer considerações sobre quais os papéis de Rafa e de Dalot no FC Porto 2017/18. A defesa do FC Porto é como um xadrez que, mexida uma peça, poderá levar a movimentações noutras posições.

No meio-campo, Danilo será rei e senhor e sou da opinião que Mikel não tem qualidade nem estaleca para se afirmar como jogador do nosso clube. Sobram Oliver – que terá um papel de relevo nas transições rápidas e condução de bola dos ataques da equipa – , André André (um jogador da classe média da equipa, que será bastante útil ao longo do ano), Herrera (eu sou daqueles poucos que ainda espera coisas boas do mexicano e penso que está vários passos à frente do português), João Carlos Teixeira (que, creio, devido à sua reduzida intensidade de jogo, não terá grandes oportunidades ao longo da época e pode estar em vias de ser dispensado), Sérgio Oliveira (o mesmo relativamente a JCT) e Otávio, com lugar cativo nos eleitos de Sérgio Conceição, que pretende usá-lo mais adiantado para aproveitar a qualidade do seu último passe. Daí que, no actual panorama, veja com muita dificuldade a contratação de Wendel, mesmo que me pareça um jogador de qualidade e com margem de progressão para dar e vender. Reforço: no actual panorama.

É na frente, confesso, que vejo mais necessidade de atacar o mercado. Se no ano passado, usando um esquema de 4x3x3 com apenas um homem fixo na área, tínhamos 4 avançados disponíveis (André Silva, Soares, Depoítre e Rui Pedro), esta temporada em que o 4x4x2 parece ter vindo para ficar, não podemos começar apenas com Soares, Aboubakar e Rui Pedro. É urgente procurar nos mercados um ponta-de-lança experiente, que garanta golos, mas que ao mesmo tempo não seja um Jackson ou um Jardel, isto é, que não seja um eucalipto que seque tudo à sua volta. Porque se se tratar de um eucalipto, voltaremos rapidamente à lógica do 4x3x3 que se tem mostrado algo esgotado e limitado face às defesas fechadas que o nosso clube enfrenta todas as jornadas.

Rui Pedro poderá ser uma arma secreta de alto quilate, desde que não seja lançado como no ano passado, sempre em desespero de causa. O rapaz tem faro de golo, tem alma felina na área e, ao contrário de André Silva, não se sente tão à vontade fora dela. É mais um rato de área e, por isso, poderá ser muito útil. Já Marega, creio, não terá lugar nestas contas e seria interessante aproveitar a sua valorização em Guimarães para conseguir um encaixe razoável com a venda definitiva.

Uma coisa parece certa: o FC Porto está a arrumar casa. E esperemos que assim continue. Abdoulaye, por exemplo, que já vai no enésimo empréstimo, é um daquelas casos que merecem reflexão: se todos sabemos que não serve nem nunca servirá para a nossa defesa, porque é que se mantém o vínculo com este jogador? Esperemos, por isso, ver mais vendas definitivas até ao início da temporada.

PS - O FC Porto passa a contar com uma Equipa de Apoio ao Sócio, conforme indicado pelo clube no seu site oficial. Saúda-se esta novidade. Já há largos anos que vimos chamando a atenção para o cada vez maior afastamento entre clube e sócios, entre jogadores e adeptos, entre a estrutura do FC Porto e o comum associado. No entanto, esta notícia, a juntar à realização do Dia do Clube - organizado por sócios - dentro da nossa casa, o Estádio do Dragão, assim como a apresentação dos equipamentos em plena Ribeira do Porto, local espiritual e emblemático para os portuenses, só nos pode deixar felizes e esperançados num futuro melhor. Sendo certo que o clube ainda tem que trilhar um longo caminho no sentido de se aproximar dos seus sócios de forma mais efectiva e calorosa, de forma a corrigir o comportamento que vinha tendo até muito recentemente. Saúdo e aplaudo estas recentes decisões, mas mantenho que é preciso mais acção por parte dos responsáveis azuis e brancos no sentido de unir todos os portistas.

Rodrigo de Almada Martins

26 julho, 2017

OS FORTES E PUJANTES.


Quem me acompanha sabe que não gosto de “tapar o sol com a peneira” ou branquear os nossos erros com desculpas externas ou teorias da conspiração. Acredito que temos que procurar a excelência interna acompanhando-a de um combate exterior sem tréguas. Uma sem a outra não faz sentido!
Os erros estratégicos cometidos internamente nos últimos anos são de todos conhecidos. Uma política desportiva que abdicou da formação, privilegiou os empréstimos às vendas, a compra em massa sem critério e sem rigor, a construção desequilibrada do plantel, etc.
Hoje estamos a pagar esses erros, felizmente com uma política desportiva diferente, mais virada para potenciar o que é nosso e muito menos virados para o negócio de circulação de capitais. Poder-se-á dizer que são medidas impostas pela UEFA, mas recordo que o que não falta são medidas para contornar o fair-play financeiro, como por exemplo, a chegada de jogadores emprestados. Ora, tendo isto como presente, levantar a voz para criticar o trabalho que está a ser feito, só por má-fé ou interesse pessoal.

Só que, infelizmente, ainda se vão lendo certas coisas que me deixam atónito.
Esta semana, mostraram-me um texto escrito por um suposto portista onde eram ditas aberrações inimagináveis com uma naturalidade e fluidez que as mesmas pareciam verdades indesmentíveis.
Entre outras asneiras, falava ele nas não renovações de Indi, Reyes, Marcano e Ricardo ou na manutenção de Maxi e Layun. Claro que apenas o inteligente sabe que os 3 centrais estão no último ano de contrato e claro que ninguém tentou renovar. Falava da clausula de rescisão de 25M do Ricardo... sabe lá ele do que fala. E estava muito incomodado com a manutenção de Maxi e Layun... pena é que não tenha trazido ele propostas por ambos os jogadores, e já agora, aproveitar para os convencer a sair. Falava em Quintero, não fazendo sequer ideia daquilo que já foi feito para o tentar vender... mas claro, apenas o individuo é perspicaz. No fim, ainda guardou a pérola de dizer que teremos que pagar 6M do próprio bolso ao Lorient. Épico!
Enfim, uma disenteria mental a que todos têm direito, não fosse ter sido pública e publicada e como tal, poder influenciar o pensamento de algumas pessoas.

Isto pode acontecer porque a intoxicação é constante e visa sempre o mesmo: diminuir o FC Porto por oposição à exaltação do clube do regime.
Na semana passada, li um artigo do maisfutebol escrito pelo seu inarrável editor, Sérgio Pereira, cujo título era “É melhor ser despedido do FC Porto do que de outro clube”.
Ignorando os cenários dantescos sobre o nosso clube que eram traçados nesse artigo, mas que não passavam de desejos formulados pelo “jornalista” em causa, a dado passo, o artista afirma que Sérgio Conceição deverá estar preocupado com o nosso estado enquanto vê o principal rival “forte e pujante”. Perante isto, vamos lá desmontar mais esta intoxicação.
Para começar, estamos a falar do clube com a segunda maior dívida da Europa! Pouca coisa dirão alguns, irrelevante dirão outros... mas esses, são os cartilhados!
Se assim fosse, porque razão andariam tão preocupados há quase um ano em vender Jimenez, ainda por cima num ano onde já facturaram 113M e estando perante um jogador que o caloteiro do BES e BPN disse que seria a maior venda de sempre do carnide? Muito estranho para quem está tão pujante...
Curioso que uma das coisas que mais se tem falado do FC Porto é o facto de ainda só ter contratado um jogador. E quantos já contratou o slb? Seferovic e Krovinovic! Parece que afinal o carnide não está assim tão diferente de nós, pois os restantes jogadores foram meros negócios para a equipa B, o tipo de movimentação que tanto criticamos ao longo dos últimos anos no nosso clube.
Mas depois há sempre os “Aguilares” e “Brás” desta vida que vêm branquear tudo isto e dizer que o 5lb é tetracampeão e como tal não precisa de se reforçar tanto como os outros. Como? Então o 5lb não vendeu 3 titulares (guarda-redes, defesa direito e defesa central) dos 5 da defesa? E não precisa de se reforçar? Então, nós, que perdemos um único jogador que na segunda fase da época não foi titular indiscutível, também não precisamos de muitos reforços, além dos já anunciados regressos! Ou será que falta dinheiro para ir ao mercado, mesmo tendo já encaixados 113M? Ou será que desse valor há uma parte muito significativa que não entra nos cofres encornados? É que convém não esquecer que dos 90M do ano passado, os quais deveriam gerar uma máximo de 9M de comissão a empresários, o 5lb pagou 30M de comissões... e isto, isto sim nunca foi investigado ou questionado. Ai se acontecesse no FC Porto...
E por falar em “Ai se acontecesse no FC Porto...”, agora imaginem um jogador que chegava ao Olival, o Porto Canal filmava os seus exames médicos com o nosso equipamento, o mesmo treinava durante uma semana, e depois disso voltava à precedência, qual Rushfeldt do Rosenborg nos tempos do Vale e Azevedo!!!! Deus nos livre... iriam dizer que estávamos falidos, que ninguém nos dava crédito, e quem nem para um guarda redes tínhamos dinheiro. Mas assim não, André Moreira não ficou no slb apenas por falta de acordo!

Meus caros, é a esta intoxicação constante que não podemos ceder.
Eles querem-nos dividir para reinar e usam os prostitutos da comunicação social para o fazer.
Que nenhum de nós ceda à tentação!

Um forte abraço, e até domingo no sítio do costume.

25 julho, 2017

PINCELADAS PLANTEL 2017/18.


Após cerca de 2 meses de fome de bola clubística, nesta semana fomos finalmente saciados com as primeiras aparições públicas azuis e brancas, na temporada de 2017/18. Camisolas novas, treinador semi-novo, jogadores velhos conhecidos. É como se da metrópole cosmopolita que tem sido o balneário do Dragão nos últimos anos, passássemos para uma aldeia perdida no alto da serra, de tão familiares que são as caras que vão transportar a nossa esperança até Maio próximo. Aliás, se pudéssemos dar um título cinematográfico a esta época, ele seria decerto o "Fuga para a vitória". O ambiente bélico, a prisão de 4 anos sem conquistas, e um regime bafiento e repressivo a querer sabotar a nossa sede de vencer. Só falta mesmo o Rei Pelé para ser igual!

Sem odes, ou exaltações, pode-se dizer que a primeira impressão que nos fica da presente versão do FC Porto é bastante positiva. Se assumirmos as primeiras partes como o afinar da estratégia real da temporada, e as 2as partes um laboratório de experimentalismos tácticos e de tentativas de redenção a jogadores, tem-se visto uma equipa alegre, autoritária, em crescendo e - sublinhe-se -, mesmo com menos de 1 mês de treinos e com jogadores a chegar a conta gotas, já mostra saber mais o que fazer com o esférico, do que o fez em toda a época passada. Indícios bem interessantes, que não podem deixar de agradar a todos os portistas.

Da equipa propriamente dita, penso que a ideia em vigor nos corredores da SAD seja a de dossier fechado. Acredito que compras, a existirem, serão mais por reacção a eventuais vendas, do que para reforço efectivo do plantel. Não sendo a situação ideal, também não é o fim do mundo. O Atlético de Madrid não deixará decerto de ser uma equipa competitiva, com aspirações domésticas e na Champions, por estar proibido de comprar. No nosso caso, também não. Quando se constrói uma EQUIPA, e não apenas um alinhamento de nomes de jogadores, os triunfos serão sempre mais simples.


Analisando o plantel por sectores, podemos chegar à seguintes conclusões nesta altura do defeso:

Guarda-Redes
Tendo nós um dos nomes mais consagrados das redes mundiais em actividade, titular absoluto, e possivelmente um sério candidato na hierarquia de capitães da equipa, é no mínimo surpreendente que a única contratação desta época fosse para a baliza. Se a finalidade for preparar o pós-Casillas, colocando Sá numa equipa onde possa jogar regularmente, e manter um jogador com alguma experiência para jogos de Taças, como é Vaná, talvez tenha sido uma boa decisão. Se verificarmos que ainda temos no plantel Fabiano (em convalescença), jogador experiente, do agrado de Sérgio Conceição, para não falarmos em João Costa, a contratação de Vaná torna-se mais obscura. O futuro será último juiz.

Centrais
Ou deveremos chamar antes a revolta dos patinhos feios? Exceptuando Felipe, qual imperador romano, que chegou, viu e venceu, todos os outros nomes do centro da nossa defesa já foram merecedores em determinada altura de um elevado nível de decibéis em impropérios. Por ironia do destino, com os contratos a aproximarem-se do fim, precisamos mais nós da boa fé deles, do que eles da nossa. Quer Marcano, Indi ou Reyes acabaram por se valorizar em tempos recentes, pelo que, quais abutres, existirão sempre equipas a torcer para que o contrato destes 3 jogadores caduque. Recorrendo à mais simples lógica, em equipa que vence, não se mexe! Pelo que a manutenção e renovação de Marcano é prioridade nº 1, 2 e 3. Entre Indi e Reyes, a pré-época diz-nos que o holandês leva alguma vantagem. Se somarmos a cobiça de emblemas espanhóis pelo mexicano, a sua saída torna-se mais óbvia. A surpresa da manutenção de ambos (e Marcano) no plantel, seria altamente nefasta. Ao contrário dos comentadores de Football Manager que abundam na internet, não me parece que manter 2 internacionais A no banco, tenha algo positivo para os próprios, ou para o grupo.

Laterais
Para surpresa (ou não) de muitos de nós portistas que exigiam Rafa na equipa, Alex Telles não parece muito disposto a dar-lhe a mínima oportunidade. Pela amostra, o brasileiro parece disposto a fazer uma época ainda melhor do que a da estreia. Não será por isso de estranhar a muita parca e tímida utilização da nossa promessa esquerdina, arriscando mesmo o prognóstico que a manutenção dele no plantel depende exclusivamente da saída, ou não, de Layun. Do outro lado, para fortuna das nossas cores, apreciamos uma luta titânica entre Maxi e Ricardo Pereira. O português é mais tudo. Ganha na técnica, na velocidade, na resistência. Além da vantagem de poder oferecer diversas nuances tácticas. Maxi só não perde na raça. Com ele no plantel, Ricardo saberá que terá sempre uma carraça a época inteira. Pena o salário de Maxi ser tão burguês. Algures por aqui andará Layún. Um jogador que em tempos personificava a raça do Dragão mas, ironicamente, desde que o seu passe foi adquirido, nunca mais vislumbramos o mexicano a um nível acima do banal mediano. Curiosamente, no site do FC Porto, aparece ainda Diogo Dalot como parte integrante deste plantel. Pelo gigantesco futuro que se espera deste lateral, a inclusão na listagem é um prémio e uma motivação amplamente merecida.

Meio-campistas
Sendo Danilo, Óliver e Otávio as jóias da coroa, e André André o carregador de piano útil e incógnito, todos os outros nomes têm em cima de si o estigma do ponto de interrogação. Em primeiro lugar da linha, Herrera, o capitão. Um dos patinhos feios mais mal amados da história do FC Porto. Talvez ainda pior que Semedo, não tivesse este a vantagem de não existirem redes sociais no tempo dele. Pelo terceiro ano consecutivo, os dias passam, e Herrera vai-se mantendo no plantel. Mais grave ainda, ao contrário de muitos que se equipam de azul e branco, mas sonham acordados com outros emblemas, este gosta mesmo de jogar no Porto. Que tal uma proposta radical... já que não o conseguimos vencer, juntemo-nos a ele! Afinal, ele foi um dos grandes responsáveis pela nossa última vitória na Luz. Não? Ok... também não me parece muito convincente. Com a saída de Rúben Neves, Mikel parece ter ganho o bilhete para se manter no plantel. Ninguém como ele reúne as características necessárias para substituir Danilo. A jogar à roleta russa, estarão decerto JC Teixeira e Sérgio Oliveira (ou os 2 simultaneamente). Confessando-me um detractor nato do Sérgio, surpreendeu-me o empenho e qualidade que demonstrou em terras mexicanas, pelo que não me admiraria que ocupasse a pole position na manutenção no plantel. A JC Teixeira reconheço uma imensa técnica e aquela sensação de que é capaz de tirar um coelho da cartola quando menos esperamos. Infelizmente para ele (e para nós), a sua capacidade de decisão contra os mexicanos esteve pavorosa. Simplesmente não conseguiu definir uma única jogada.

Extremos
Pelo que vimos dos jogos até ao momento, Sérgio Conceição parece inclinar-se mais para um modelo próximo do 4-4-2, do que o 4-3-3 clássico. Obviamente, paira sempre no ar a dúvida se esta opção deve-se ao momento de forma deprimente de Brahimi e Corona, ou pela crença pessoal. Caso o sistema de 2 avançados vigore, não faz sentido sobrecarregarmos os nossos quadros com uma posição onde se tem dois dos melhores jogadores a actuar em terras lusitanas. Mais importante do que aquisições, é colocar ambos a render o que eles sabem e podem fazer. Como alternativa existe sempre Hernâni. Se estivermos a falar do jogador que alinhou em Guimarães na temporada passada, temos um activo de peso para colocar os radares de velocidade a apitar desenfreados. Se for aquela amostra que temos visto na pré-temporada, mais vale vendê-lo numa qualquer promoção leve 2 pague 1. O técnico saberá decerto se vale, ou não, a aposta. A correr por fora encontra-se Galeno. É irreverente, tem qualidade, mas ainda lhe falta o arcaboiço necessário para os defesas manhosos da nossa liga.

Avançados
Não fossem algumas diferenças de pormenor na fisionomia, diria que Aboubakar é o irmão gémeo de Paulo Portas. Do irrevogável não volto, às exibições pujantes e cheias de garra do camaronês, foi um pulinho muito curto. Esperemos que tal como o suposto gémeo, não se afunde algures no decorrer da época em indecifráveis problemas existênciais. É indesmentível que avançados com a sua qualidade não são baratos, pelo que mesmo assumindo o risco da sua não renovação, mais vale aproveitar enquanto podemos, do que estourar 6 milhões num pinheiro qualquer. De pedra e cal encontra-se Tiquinho. Seja qual for o sistema táctico, Soares é sinónimo de dores de cabeça para qualquer defesa. Só não o coloquem numa ala. Sem dúvida a nossa primeira escolha. No banco, Rui Pedro é um jovem de imensa qualidade. Poderá acrescentar sempre algo à equipa. Algures estará Marega... ou talvez não? Só o Treinador o saberá. Talvez este seja o sector que ofereça mais dúvidas. Se jogarmos em 4-4-2, ter apenas 3 avançados no plantel parece-me muito curto. Há castigos, há lesões, há baixas de formas... estamos a correr um grande risco num sector que nos tem custado vitórias (e títulos) nos últimos anos. Outorgar a responsabilidade de jogos encravados a Marega ou Rui Pedro parece-me optimismo exarcebado.

Treinador
Sérgio Conceição não defraudou a imagem que dele se tem. Corajoso ao limite. Abdicou de umas férias tropicais num clube onde era bem pago, e idolatrado pelos adeptos, para aterrar no olho da tormenta, a ganhar muito menos, e com a certeza que caso tenha 2 ou 3 maus resultados consecutivos, passará das boas graças aos apupos. Estou à vontade para dizer que não seria a minha escolha inicial. À vontade também estou para assumir que até ao momento está a agradar-me o seu trabalho. Nomeadamente ao nível do grupo. De tantos jogadores com um pé fora do Dragão, ele tem-los convencido a suar a camisola nos treinos. A face mais visível deste esforço será Aboubakar. Numa coisa já ganhou o nosso apreço: É bom termos dispensado o sarcófago!

Entrando em óbvias comparações com o plantel da época passada, aparentemente estamos ligeiramente mais fracos. Se Ricardo Pereira vem dar competitividade ao lado direito, e pela sua frescura talvez possa acrescentar algo mais que as pernas de Maxi já não dão, a verdade é que na frente de ataque estamos mais fracos. Jota e André Silva foram responsáveis por 30 golos na época que acabou. Aboubakar numa boa época faz 20. Assim como Soares. A não acontecer nenhuma novidade, resta-nos esperar que Sérgio Conceição consiga que o resto da equipa aumente a sua veia goleadora... ou descortine-mos uma excelente solução de banco, como um dia Ernesto Farías o foi.

Por último, e não menos importante, o desejo de rápidas melhoras ao NOSSO Presidente.

Cumprimentos Portistas.