18 abril, 2018

MAIS UMA VEZ NOS PENALTIS…


SPORTING-FC PORTO, 1-0 (5-4 GP)

O FC Porto desperdiçou a oportunidade de atingir a 30ª Final da Taça de Portugal e, com isso, a grande probabilidade de vencer a prova pela 17ª vez. Os Dragões entraram em Alvalade com a vantagem de um golo e apostaram num jogo de contenção e de controlo da partida. O certo é que a poucos minutos dos 90, um erro individual e muito pouco habitual, estragou toda a estratégia que até aí tinha resultado. No prolongamento, o FC Porto, já com as substituições esgotadas, não teve soluções e a lotaria das grandes penalidades veio a confirmar novo infortúnio frente aos leões.

O jogo começou com o FC Porto em bom plano. Apesar de algumas poupanças no onze, entre eles, Marega que cumpriu 90 minutos três dias antes vindo de uma lesão prolongada, os Dragões apresentaram um meio-campo capaz de trocar a bola e segurar o jogo como Sérgio Conceição pretendia. Herrera, Óliver e Otávio deram boa conta de si. Maxi e Ricardo ficaram com a ala direita, emprestando à equipa uma maior consistência defensiva. De resto o onze habitual.


A equipa portista não permitiu veleidades ao adversário. Anulou por completo as intenções do Sporting, teve mais posse de bola, controlou o jogo e espreitou o ataque de forma tímida. Apesar disso, Otávio teve um remate fortíssimo que deu a sensação de golo em Alvalade mas a bola saiu a rasar o poste. O Sporting tentava reagir mas mal conseguia ter bola devido à pressão intensa dos Dragões. A excepção foi Gelson perto do intervalo que, numa jogada de inspiração, escapou a Telles e cruzou com perigo mas o lance perdeu-se na linha lateral.

Na etapa complementar, o FC Porto continuou a controlar o jogo e sentia-se que os Dragões tinham a passagem praticamente assegurada. Brahimi ainda teve uma jogada que isolou Soares mas o brasileiro não deu o melhor seguimento ao lance, perdendo muito tempo e controle de bola no momento do remate. O Sporting respondeu com muito perigo mas Bataglia perdeu o controlo de bola na área portista e Casillas fez a mancha.


A partir dos 70 minutos de jogo, o Sporting subiu as linhas e decidiu arriscar mais levando os Dragões a recuar no terreno e a perder a posse de bola. Pensei eu na altura que seria um bom momento para Sérgio Conceição lançar Marega. Com o maliano, o FC Porto exploraria as costas do adversário e poderia tirar dividendos. Com um golo, o FC Porto acabaria com a eliminatória.

Apesar deste pensamento, Sérgio Conceição colocou Aboubakar (que desastre!) no lugar de Soares que estava ligeiramente tocado. Sérgio Conceição colocou também Sérgio Oliveira de seguida a render Otávio e mais tarde Diego Reyes ocupou o lugar de Óliver. O Sporting apostava em jogadores de ataque e esta sequência de substituições de ambos os lados permitiu à equipa da casa jogar mais sobre a área azul-e-branca.


E foi nos últimos minutos de jogo que o balde de água fria chegou. Num pontapé de canto, a bola sobrou para Marcano que, com o seu pior pé, aliviou muito mal, a bola ficou à mercê de Coates que rematou contra o poste, tendo a bola entrado de seguida. O FC Porto reagiu de imeditato e sobre a hora do fecho da partida quase que empatou. Também num pontapé de canto, Marcano teve a oportunidade de se redimir mas a bola bateu estrondosamente na trave. Na recarga, Felipe voltou a enviar a bola à trave e Reyes fez o mesmo com esta a entrar na baliza. Golo anulado pois no momento em que Marcano rematou, Felipe já se encontrava adiantado em relação ao último defesa contrário.

O jogo seguiu para penosos 30 minutos desnecessários por cumprir. Os Dragões durante o prolongamento não conseguiram mostrar jogo ofensivo e o Sporting teve duas oportunidades. Uma por Gelson e outra por B. Fernandes. A acabar este período, no último lance da partida, Brahimi, em zona frontal, rematou fortíssimo com a bola a rasar a trave.


Chegaram as amaldiçoadas grandes penalidades. Depois de ter perdido na Taça da Liga desta forma, os portistas não voltaram a ser felizes. O Sporting não falhou nenhum das cinco, mas o FC Porto falhou uma, a primeira por Marcano, e ficou de fora da final de 20 de Maio. 

Marcano teve uma noite infeliz mas agora é hora de unir as tropas porque há quatro jogos para vencer e o FC Porto não pode ter receio de ser feliz e de entrar nos quatro jogos para vencer e convencer. Segunda-feira, os Dragões recebem o V. Setúbal para a Liga NOS, o primeiro de quatro jogos que nos pode conduzir ao título.

Está nas nossas mãos! Vamos a isso!




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "Queremos ganhar os quatro jogos que faltam"

Análise ao jogo
“Durante os noventa minutos, tivemos um jogo equilibrado, onde houve poucas oportunidades de golo. Na primeira parte penso que há uma situação do Gelson na frente do Casillas, nós tivemos muitas situações ali no último terço que podíamos ter resolvido de outra forma. Esta era a segunda parte de uma eliminatória e era importante sermos inteligentes. Na segunda parte do jogo, entrámos bem, não me lembro de uma situação do golo do Sporting sem ser, obviamente, o lance do Coates. Depois vieram as substituições. Conheço já os comentadores e as pessoas, que vão dizer que fiz substituições conservadoras. Não vou meter um ponta-de-lança a seis minutos do final quando tenho um médio com limitações físicas. É normal o Jorge Jesus a dez minutos do final ter colocado toda a carne no assador, como se costuma dizer, e é normal eu mudar um médio por outro médio mais defensivo. Depois sofremos um golo de forma completamente imerecida, num lance inofensivo, mas que acontece. E aconteceu com um grande capitão, o Marcano, que para além de um excelente jogador é um excelente profissional.”


FC Porto merecia mais
“Queríamos muito ganhar a Taça de Portugal, estarmos presentes na final para podermos ganhar. Penso que pelos dois jogos, acho que merecíamos estar no Jamor. Penso que merecíamos estar no Jamor, por todo o nosso trajeto na Taça. Fizemos jogos contra o Moreirense, o Vitória de Guimarães, o Portimonense, em que marcámos um golo mesmo no fim. O Sporting fez muitos jogos mas houve pelo meio Famalicão, Oleiros, Cova da Piedade….Também jogos na Liga Europa contra adversários que não são o Liverpool…esse desgaste de que se fala é para todas as equipas, porque estamos numa fase de decisões.”

Foco na Liga
“Temos de olhar para a frente e para o nosso principal objetivo. Temos pouco mais de três semanas para sermos campeões. É esse o grande objetivo da época, foi esse o principal objetivo pedido à equipa, para além de irmos aos oitavos de final da Liga dos Campeões. Penso que fomos uns dignos vencidos, embora não goste dessa expressão, na Taça da Liga e na Taça de Portugal, com o tal fator sorte que faz parte da vida e do futebol. Trabalhámos os pontapés de penálti. Hoje marcámos quatro, um bateu no poste e saiu. Lembro-me que o do Brahimi também bateu no poste e saiu. Mas vai bater no poste e entrar, não tenho dúvidas, naquele que é o nosso objetivo mais importante. Estamos com muita pedalada, como vocês viram aqui. Podemos ganhar três jogos e empatar um mas queremos ganhar os quatro jogos que faltam.”



RESUMO DO JOGO

AINDA O CLÁSSICO.


Apesar de escalpelizado, esmiuçado e dissecado o clássico, há sempre espacinho para mais uns bitaites de produção própria.

1. Herrera. Hector Herrera.
Se no início da época, a luta pelo título de campeão do Patinho Feio Portista, afigurava-se épica entre Marega e Herrera, com o correr da temporada, e a catadupa de golos assinada pelo maliano, nada parecia tirar o injusto penta ao mexicano. Nada... até o nosso capitão ter atingido em cheio o pré-forjado penta vermelho com aquela bomba. É bem possível que daqui a um par de jogos, ao segundo ou terceiro passe transviado, Herrera volte a ouvir o sibilante refrão que tão bem conhece. Mas no momento, és GRANDE Capitão!

2. Arbitragem
Habituados que estão a Godinhos, Veríssimos, Pinheiros e Paixões, é muito difícil explicar ao rebanho benfiquista, o que é uma arbitragem normalíssima, como foi a de Artur Soares Dias. Um ou outro cartão amarelo por mostrar. Uma ou outra reposição errada, mais falta, menos falta, mas nada que manche a exibição do juiz portuense. Um raro exemplo do que deveriam ser as arbitragens no campeonato nacional. Obviamente, para quem acha normal o - roubo escandaloso - que se passou em Setúbal, o desempenho de Artur Soares Dias, e já agora, dos restantes árbitros uefeiros, só pode ser considerado um fartar de vilanagem para tão acéfala massa adepta.

3. BTV
Se provas são necessárias do nosso terceiro mundismo como povo, a transmissão que ocorreu no passado domingo, entre as 18 e as 20h, é justificação bastante para entrarmos na lista dos países mais corruptos do mundo. Um jogo com influência directa num título nacional, ser transmitido por uma TV pertencente a uma das partes interessadas, é uma clara violação à isenção e separação de poderes, instituída em todos os países que tenham a democracia como sistema político vigente. Todos, menos na República Portuguesa do Benfiquistão.

4. Humildade
Excelente atitude do universo portista à vitória na Luz. Nada está ganho! Só com muita força, determinação e querer, conseguiremos o título que tanto merecemos. Que ninguém tenha dúvidas que nos próximos jogos, as armadilhas estarão dispostas em campo para nos fazer tombar. Cabe-nos a nós ter a arte, o engenho, e também a sorte, para as ultrapassarmos. Se tivermos em mente que, na última década, é bem mais complicado para o FCP o Estádio dos Barreiros, do que o Estádio da Luz, é fácil presumir onde a próxima cilada estará montada.


Foram actualizadas pelo conhecido site Transfermarkt, as cotações dos jogadores mais valiosos a atuar em Portugal. Resumindo, Gelson Martins lidera com um preço estimado de 30 milhões euros, seguido de Brahimi e William Carvalho com 25 milhões. Danilo fecha o pódio com 24 milhões.

Sendo apenas valores de referência, não deixa de ser curiosa a discrepância entre os números das gordas dos jornais, ou o clamor dos adeptos, e aqueles apresentados aqui.

Também de referir que, por muito pouco interesse, ou empatia, que muitos portistas tenham com a selecção das Quinas, ser um seleccionado (ou preferido, como quiserem...), aumenta substancialmente o valor do passe de um jogador. Só assim se consegue explicar a relativamente fraca valorização de um jovem craque polivalente, como o é Ricardo Pereira, com a inflação de jogadores banalissimos como o são Sálvio, Acuña ou Cervi. Independentemente do FC Porto vir a conquistar o título, ou não, seria inexplicável, à falta de Danilo, não existir um único elemento do plantel, naquela que se intitula a selecção de todos nós.

Cumprimentos Portistas.

15 abril, 2018

O REGRESSO AO TOPO.


SL BENFICA-FC PORTO, 0-1

Calma! Muito calma, consócios! Ainda não vencemos nada. Apenas conquistámos 3 pontos importantes. Recuperámos o primeiro lugar perdido há duas jornadas anteriores. Nada mais do que isso. Não deitem foguetes antes da festa e contenham a vossa euforia.


Eu percebo as vossas reacções de alegria, mas a hora é de concentração absoluta nas quatro (cinco se contarmos a taça de Portugal) batalhas que temos pela frente. Sim, serão autênticas batalhas. Nada será fácil, nada será dado por adquirido. Muitas armadilhas e muitas estratégias baixas estão aí ao virar da esquina para nos fazer tropeçar. Não tenham dúvidas.

Serão quatro finais para jogar e para vencer como se fossem quatro finais da champions league. Teremos de estar no máximo das nossas faculdades para conseguirmos alcançar a vitória em cada um dos jogos. V. Setúbal, Marítimo, Feirense e V. Guimarães serão quatro grandes obstáculos que teremos que ultrapassar. Os nossos heróis vão necessitar do nosso apoio, do mar azul e de total concentração.

Mas antes vamos ter outra batalha já na Quarta-feira onde jogaremos o acesso à final do Jamor. Uma coisa de cada vez. Não há tempo para festejarmos a vitória desta tarde. Foi bom, foi um importante passo, foi um grande élan para a nossa equipa, mas agora é hora de reunir as tropas e começar desde já a pensar no jogo em Alvalade com o Sporting.


O jogo desta tarde foi bastante intenso com duas partes ligeiramente diferentes. Na primeira, o FC Porto permitiu o ímpeto do Benfica e foi aguentando as tentativas do adversário para depois em contra-golpe chegar à baliza de Varela. Além disso, os Dragões montaram uma estratégia que visava controlar o adversário no primeiro tempo e aumentar a intensidade na etapa complementar, provocando desequilíbrios e forçar a equipa da casa a um desgaste extra.

Marega foi a grande surpresa da partida. Lesionado há mais de um mês e a recuperar lenta e gradualmente, o maliano encontrava-se, supostamente, a fazer treino condicionado e trabalho de ginásio na véspera do encontro. O avançado portista revela-se uma peça fulcral na manobra atacante dos Dragões. Sem Marega, a máquina portista emperra em termos ofensivos.


A equipa da casa foi mais acutilante e teve maior iniciativa na primeira parte. Teve dois lances de relativo perigo na primeira meia hora e, a fechar o primeiro tempo, Pizzi aproveitou mal um corte deficiente de Marcano. Casillas fez uma grande defesa a remate do jogador benfiquista. O FC Porto, pelo seu lado, tentava explorar os espaços concedidos pela equipa contrária e Marega era a peça que funcionava como principal alvo à baliza benfiquista. Soares deu um ar da sua graça durante o primeiro tempo com um remate ao lado, mas Marega protagonizou o último lance da etapa inicial ao rematar a rasar o poste, após cruzamento de Ricardo.

Na etapa complementar, o jogo mudou de figura. Os Dragões começaram a subir no terreno e procuraram a baliza adversária com mais determinação. Logo no início, Marega, desmarcado na área, controlou mal a bola e quando rematou já tinha Varela em cima do lance.

O FC Porto tinha o jogo controlado e o ascendente na partida. A equipa da casa ficava-se por ameaças vãs, ao contrário dos Dragões que queriam vencer mais o jogo do que o próprio Benfica. A defesa e o meio-campo portistas, algo periclitantes no primeiro tempo, mostravam-se bastante confiantes e o trio ofensivo começou a aparecer com mais frequência no último terço do campo.


Brahimi, depois de uma primeira parte que me deixou com os nervos em franja, começou a abrir o livro. Deixou de aparecer no miolo para se soltar mais na ala. E foi por aí que começou a mostrar o seu futebol, provocando alguns desequilíbrios ao adversário. Aos 66 minutos, o argelino quase fazia golo com um remate em arco que surpreendeu o guarda-redes contrário.

O Benfica dava mostras de algum nervosismo e sentiu necessidade de recuar no terreno. Perante o ascendente azul-e-branco, o treinador da equipa da casa operou substituições que mostraram inequivocamente o receio de sofrerem um golo e perderem, desse modo, a liderança da prova.

Sérgio Conceição arriscou mais. Para além de retirar dois jogadores amarelados (Otávio e Sérgio Oliveira), colocou Óliver e Corona para tentar chegar ao golo e refrescou ainda o ataque com Aboubakar no posto de Soares. Com a manutenção da atitude e da postura ofensiva, o treinador portista acabou por ser feliz na discussão do resultado.


Aos 90 minutos, quando o empate já se sentia no estádio, os Dragões acreditaram e Herrera, aproveitando um alívio à entrada da área contrária, desferiu uma “bomba” que só terminou nas malhas de Varela. Era a loucura total num estádio que só não se apagou e nem se inundou porque não calhou.

Herrera, o “Capitão”, o patinho feio, o mal-amado, foi o herói da noite com um golo que pode valer mais do que três pontos e mais do que o regresso ao topo.

O FC Porto pernoita em Tróia onde ficará até Quarta-feira, dia em que jogará a 2ª mão das meias-finais da Taça de Portugal. Ao intervalo da eliminatória, os Dragões encontra-se a vencer por 1-0 e, com toda a certeza, não pretendem desperdiçar a oportunidade de poder estar presentes no Jamor no próximo dia 20 de Maio.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: “Ainda não ganhámos nada”

A análise ao jogo
“Foi um jogo equilibrado. Um grande jogo, se calhar não muito espetacular, mas extremamente competitivo. O Benfica é muito forte, principalmente nas primeiras partes. Sabíamos disso. Tiveram uma ou outra situação, nós também. A segunda parte foi totalmente nossa. Não me lembro de uma situação de perigo na nossa baliza. Estou a lembrar-me da situação do Brahimi, da situação do Marega, depois o golo do Herrera. O resultado acaba por ser justo. Ganhámos este jogo mas ainda não ganhamos absolutamente nada.”

À procura da vitória
“As substituições que foram feitas foram sempre no sentido de dar algo mais à equipa ofensivamente. Cada treinador vê o jogo à sua maneira. Se não fossemos nós a marcar o golo, se fosse o Benfica, se calhar as pessoas diziam que as substituições do Rui Vitória tinham sido bem feitas. Há um determinado momento do jogo, por volta dos 75 minutos, em tive de optar por tirar o Sérgio, que já tinha o amarelo. A primeira substituição foi por isso, as outras duas foram claramente para ganhar o jogo.”


Lance reclamado pelo adversário
“Não me parece absolutamente nada. Penso que o VAR é a da mesma opinião. Analisaram, o árbitro e depois o VAR e, neste caso, concordo com eles.”

Sobre a estratégia para o jogo
“Sabíamos que era importante equilibrar o jogo. A nossa equipa criar sempre lances, situações no nosso processo ofensivo. Não pensei apenas em organizar a equipa defensivamente. A base para se ganhar, ainda por cima frente a um adversário forte, é a coesão defensiva. Mas não viemos para aqui defender. Viu-se uma equipa coesa, madura, que é forte ofensivamente. Foi dessa forma que, numa dessas situações, conseguimos fazer o golo.”

As contas do título
“Uma coisa é certa: nas últimas três ou quatro semanas sentimos o dissabor de não ganhar dois jogos que eram para ganhar. Mas não ganhámos absolutamente nada. Agora vamos pensar no jogo de quarta-feira para a Taça de Portugal, depois no jogo com o Vitória de Setúbal, que vale exatamente os mesmos pontos que este. Ganhando três pontos e o adversário direto não, é sempre positivo, mas ainda há muito campeonato para disputar.”


Sobre a justiça da classificação
“A justiça é vista pelos resultados. Estamos em primeiro mas ainda não conseguimos absolutamente nada. Tivemos dois jogos em que não conseguimos ganhar. A mensagem é esta: respeito pelos adversários porque ainda não ganhámos nada, ainda não conseguimos nada. O passado recente deixa-nos desconfiados e alerta para as últimas quatro jornadas”

Os parabéns a Héctor Herrera
“Já tive a oportunidade de contar esta história. Quando ainda não estava no FC Porto, e conhecendo o clube, perguntei: ‘Um mexicano capitão de equipa?’ Mas comecei a trabalhar com ele e percebi porquê, é um profissional fabuloso. Ficou ligado a um a outro momento menos positivo, mas é uma pessoa extraordinária, um profissional fantástico e que consegue no fundo criar um ambiente muito bom. É um verdeiro capitão e fico muito contente por ele.”


RESUMO DO JOGO

13 abril, 2018

QUANDO A HORA CHEGA…


... sabemos que não podemos fugir dela!

E a hora chegou. Significa que é agora ou nunca, que se não formos campeões este ano nunca o seremos ou que o FC Porto passará a ser um figurante porque o rival igualará o nosso mítico Penta? Não, aconteça o que acontecer para o ano estaremos na luta e o FC Porto continuará a ser o que sempre foi: um grande Clube, amado por muitos, capaz de nos fazer sofrer e sonhar.

Mas este é um ano especial, um momento marcante ...

Significa que a vitória no domingo será fácil ou que o resto da temporada será um passeio? Não, nos dias que correm tudo é difícil para nós, seja pelas toupeiras ou pelo gosto pelo abismo que em momentos chave parecemos apresentar.

No entanto temos muito mais a nosso favor do que à partida possa parecer. Hoje sabemos, com provas, o que eles fazem há largos anos. Temos uma equipa unida, um treinador que não se encolhe, uma massa adepta unida e capaz de acompanhar o Clube para todo o lado com uma força impressionante. Vamos visitar um estádio onde já fizemos de tudo e onde raramente perdemos. E temos menos a perder do que eles, quer eles queiram admitir quer não.

Nós queremos muito este título e ansiamos por recuperar o que nos escapa há 4 anos, algo absolutamente inimaginável há pouco tempo atrás. Mas ao contrário deles não precisamos de um título para ocultar as trapaças públicas ou para salvar a face de um projeto de criminosos liderado por um indivíduo cuja vida profissional lesou e de que maneira os bolsos de todos nós (eles incluídos). Não estamos à beira de fazer história nem não somos nós que temos a obrigação de “carimbar” em casa a recuperação de 6 pontos em 1 mês. Nós queremos ganhar porque é essa a marca do FC Porto das últimas 4 décadas, não para procurar apagar demónios!

Sabemos que temos uma grande oportunidade de devolver com juros um passado recente de dificuldades e provocar um terramoto no local onde já fomos tão felizes. Sabemos que a hora chegou e que neste Clube estamos habituados a superar-nos nos momentos mais importantes da nossa história. E este é um deles!

Quando a hora chega temos de estar preparados, confiantes e dizer presente! Força rapazes, sejam felizes e façam justiça!

12 abril, 2018

ARTES MÁGICAS.


É conhecido o fascínio e inspiração que a Livraria Lello teve em J.K. Rowling, para a construção do universo de Hogwarts. A complementar a ligação "Harry Potteriana" com a Invicta, Quaresma durante muito tempo, foi baptizado com o nome do jovem mágico, pela magia que espalhava pelos relvados. Contudo, para surpresa minha, desconhecia que Lord Voldemort, tinha assentado arrais pela "Capital do Império".

Só mesmo pelas artes de um poderoso feiticeiro, o futebol português conseguiria ficar limpo de toda a corrupção que por ele gravita. E no entanto aconteceu. Senão veja-se: desde o passado dia 2 de abril, o FC Porto deixou de tentar comprar resultados. Hosana! Hosana!

Curiosamente, não se compreende como o departamento de corrupção da nossa SAD, tem esbanjado "luvas" milionárias quando a equipa se encontra isolada no primeiro lugar da classificação, e assim que é ultrapassada, caindo para o 2º lugar, já não surge a necessidade de comprar mais jogos ou jogadores para retomar a liderança. A falta de denúncias anónimas que se verificou na passada semana, parece indicar que os nossos dirigentes resolveram enveredar pelo caminho da legalidade, logo nesta altura crucial do campeonato. Pura incompetência.


Felizmente que, para a maioria dos portugueses, a verdade desportiva foi reposta no futebol nacional, tal como pudemos constatar pela arbitragem do jogo de Setúbal. Aliás, diz-se nos corredores do Vaticano, que Luís Godinho poderá ser o próximo português a ser beatificado. A quantidade de milagres realizados no jogo que opôs os encarnados aos sadinos, a isso justifica. Não só revelou humildade, abnegação e capacidade de perdoar o próximo vermelho, o que permite a almas caridosas como Jardel ou Fejsa de continuarem a desempenhar o seu mester com a bondade que se lhes reconhece, como só através da iluminação do Senhor, se poderá justificar que Sálvio não tenha ficado tetraplégico e com ambas as pernas amputadas por aquela bárbara agressão na grande área, mesmo nos últimos instantes da partida. O sofrimento que podemos ver estampado no rosto do atleta encarnado, diz tudo sobre a validade da contenda. O castigo máximo assinalado é demasiado brando para tanta evidência.

A verdade desportiva deve sempre prevalecer, especialmente para o clube que mais por ela tem lutado. Obviamente!

Em sentido contrário, estranha-se que o Sr. Nuno Almeida, árbitro de créditos firmados na escuderia encarnada, tenha tido um qualquer ataque de bipolaridade no jogo do Dragão, ao apontar uma inenarrável penalidade contra o Desportivo das Aves, logo nos momentos iniciais da partida. É bem visível um duo de jogadores portistas de tudo fazerem para se colocarem ao alcance do pontapé do pobre jogador avense. Inacreditável. Quase tão incrível como a ofer... venda de um usado autocarro encarnado ao clube da Vila das Aves, por umas sandes de queijo.

Deixando de lado o vapor das poções, e partindo do príncipio que o nosso adversário de domingo não necessitará de subornos, é escusado referir a importância desse jogo. La palissando, dele irão sair duas conclusões. A manutenção na luta pelo título, quer seja vitória azul e branca ou empate, ou as faixas de campeão antecipadas para o slb.


Na primeira hipótese, a vitória tem que ser o oxigénio a encher os pulmões dos jogadores. Tudo deverão fazer para a alcançar, pois tal significa dependermos exclusivamente de nós para sermos campeões. Contudo, e porque não é momento para arrogâncias, o jogo é de dificuldade máxima. Por muito que queiramos vencer, existe um adversário complicado, que jogará da forma que mais gosta, e sabe, em desafios grandes: jogar sem a urgente pressão de ganhar.

Se for manifestamente impossível a vitória, pelas mais diversas razões, o empate deixa o futuro do campeonato mas mãos e pés do Sporting. Presumindo, claro, a competência dos principais candidatos nos restantes encontros contra equipas inferiores. No entanto, graças às tendências suicidas, ou simples demência, de Bruno de Carvalho, os de Alvalade são neste momento uma total incógnita. Tanto podem implodir, como matarem-se pela honra. Deixar o nosso futuro ao cuidado de tão imprevisível equipa, é uma autentica roleta russa. Pelo que, mais uma vez, VENCER tem que ser verbo único.

Caso o resultado seja aquele a que me recuso falar, será sempre uma injustiça, e até falta de respeito, acusar Sérgio Conceição ou os Jogadores por um eventual insucesso. Erros ou más opções, todos os fizeram nesta ou naquela partida. Injustiça tremenda, pois como se viu no último jogo benfiquista em Setúbal, uns podem errar à vontade, pois existe sempre um "manto religioso" que os ampara, enquanto que para outros, apenas a perfeição é exequível em 10 meses de competições. Qualquer mínimo deslize, é punido severamente.

Para os mais esquecidos, nunca é demais relembrar o que foi a preparação desta época. Uma absoluta reciclagem dos restos do passado. Ao contrário de outros, não há contratações a Reais Madrid e Barcelonas, nem simpatias por campeões mundiais de mergulho. Mesmo assim, com toscos e quase mancos, cumprimos na Champions, fizemos a melhor participação exibicional de sempre na Taça da Liga, estamos em vantagem na Taça, e numa competição justa e honesta, estaríamos no domingo a jogar para a consagração de campeão. Por isso, aconteça o que acontecer, afirmo com antecedência que a nossa equipa merece o respeito por tudo o que fez nesta época.

No entanto, e off-the-record, mostrem no domingo ao clube da corrupção, quem merece ser o campeão de 2017/18.

Cumprimentos Portistas.

11 abril, 2018

AS BESTAS E BESTIAIS… EM APENAS 3 SEMANAS!


Apesar dos 6 pontos perdidos nas últimas semanas cuja consequência foi o FC Porto ter passado de uma situação muito boa (5 pontos sobre o 2º, com perspetivas de ir a casa do rival em vantagem) para uma situação periclitante, ou seja, a 1 ponto do 1º classificado e com o risco de em caso de derrota na próxima jornada ficar irremediavelmente afastado do 1º lugar.

Seria muito fácil e cómodo, em apenas 3 semanas mudar tudo aquilo que ao longo de meses se disse sobre o trabalho de Sérgio Conceição. Seria muito fácil agora dizer que Conceição afinal não percebe nada disso, não sabe motivar os jogadores, seria simples dizer agora que Aboubakar é um desajeitado que não atina com a baliza, que Felipe é um central fraco que ofereceu a meias com Osorio um golo em Belém, que Herrera voltou à desgraça que tem sido nos últimos anos, que Brahimi afinal é um “brinca na areia” que se perde em fintas e mais fintas, etc.

Resumindo, seria muito fácil dizer agora que os bestiais durante meses são agora umas verdadeiras bestas.

É verdade que o FC Porto jogou pouco em Paços de Ferreira e em Belém, sendo verdade também que teve várias oportunidades para sacar pelo menos um ponto nesses dois jogos, o suficiente para estarmos em igualdade pontual com o 1º neste momento, um cenário muito diferente de irmos em desvantagem ao campo do nosso rival direto. Mas também é verdade que o nosso rival direto durante muitos meses (sobretudo até dezembro/janeiro) demonstrou um futebol medíocre, algo admitido por toda a gente minimamente atenta ao futebol português, mas mesmo assim foi ganhando a maior parte dos jogos. Este fim-de-semana por exemplo, o nosso rival direto em setúbal jogou tao mal ou pior do que nós em Belém e Paços, esteve a perder durante grande parte do tempo, viu o sr. de preto perdoar a expulsão a ruben dias a 20 minutos do fim do jogo, bem como perdoou vários amarelos que deixariam jogadores fora do clássico, mas aos 90 e tal minutos lá apareceu o penaltie salvador, após uma queda que deixaria orgulhoso qualquer grande ator de Hollywood!

É inegável que o cenário tornou-se subitamente mau, estamos atrás e defrontámos o rival direto na sua casa, mas também é inegável que o excelente trabalho feito por Conceição até aqui não pode ser esquecido após 6 pontos perdidos em 3 semanas. É factual que há 23 anos o FC Porto não tinha um ataque tão concretizador (desde os tempos do saudoso Robson!) e é factual que nos últimos 4 anos, esta é a época em que mais perto estamos do sucesso.

Deixem-me que vos diga uma coisa: já vi o FC Porto perder muitos campeonatos (ainda assim, menos que os adeptos rivais), um deles por exemplo o título perdido para o Boavista por apenas 1 ponto, mas confesso que a hipótese (infelizmente real e possível) de perdermos este campeonato me deixa com um nível de frustração máximo. Globalmente, fomos muito melhor equipa que todas as outras até este momento, num campeonato sem regras iguais para todos os clubes, em que há jogadores que fazem o que querem e são impunes disciplinarmente, em que há árbitros com critérios díspares.

Enfim, resta agora acreditar que isto ainda vai dar a volta e que ainda podemos ser felizes. Os próximos 2 jogos, em caso de vitória não garantirão rigorosamente nada porque quem perde 6 pontos frente a equipas miseráveis como paços ou belenenses, também pode obviamente perder na madeira ou em guimarães, mas em caso de derrota, quer no galinheiro, quer em alvalade, significará mais um final de época traumático para os adeptos que tanto apoiaram ao longo de toda a época. Resta acreditar que ainda é possível. Acreditemos e apoiemos!!!

PS: O porco do GR que há umas semanas atrás simulou lesões atrás de lesões no curral de paços de ferreira, ao que parece fraturou a mão e vai falhar o resto da temporada. Desta vez o porquinho não simulou, temos pena!!!

08 abril, 2018

VALEU PELA METADE INICIAL.


FC PORTO-AVES, 2-0

O FC Porto voltou às vitórias após uma derrota muito difícil de gerir em Belém. Depois de um jogo em que as coisas saíram completamente defraudadas, é sempre difícil encarar o jogo seguinte com o optimismo habitual. No entanto, os Dragões entraram muito bem no jogo com o D. Aves e fizeram o resultado do jogo logo nos minutos iniciais. O jogo teve pouca história, mas teve a sua importância pelos três pontos conquistados, essenciais na corrida pelo título.


Nos primeiros instantes pudemos observar um Dragão com uma vontade indómita de alcançar o golo muito cedo e provar que está pronto para a luta infernal pelo título. Aos 8 minutos, os azuis-e-brancos fizeram uma incursão à área contrária. Ricardo foi pontapeado na perna por um defesa contrário dentro da grande área e o pontapé de penalti prontamente assinalado. Alex Telles, sem hesitação, rematou fortíssimo e colocado sem hipóteses para o Guarda-redes Adriano.

Ainda se festejava nas bancadas quando o FC Porto aumentou a vantagem para 2-0. Os Dragões pressionavam o D. Aves e numa tentativa de alívio de bola dos avenses, Otávio impediu o corte da defensiva contrária e a bola encaminhou-se para a baliza forasteira.

O FC Porto tornava o jogo fácil e pôde gerir da forma como mais gosta: continuando a atacar a baliza contrária mas com muito mais tranquilidade. Otávio e Brahimi dinamizavam o ataque portista, explorando as alas e os corredores centrais, provocando desequilíbrios na defensiva do D. Aves que tinham ainda que sofrer as investidas de Alex Telles pela esquerda e de Ricardo Pereira pela direita.


As oportunidades sucederam-se por intermédio de Ricardo Pereira e Herrera, mas a jogada da tarde foi de Ricardo Pereira que cruzou atrasado para a área e Brahimi acertou com estrondo na trave.

A segunda parte foi um pouco diferente. Nos minutos iniciais da etapa complementar, ainda se viu um Porto mandão e capaz de criar embaraços à equipa da Vila das Aves. Disso ficam os registos das oportunidades protagonizadas por Soares de cabeça e de Aboubakar num remate a que Adriano defendeu com alguma sorte à mistura.

Depois o jogo entrou numa fase mais monótona, com mais disputa de bola a meio-campo e com algumas perdas que tornaram o espectáculo pouco interessante. As oportunidades de golo desapareceram praticamente. As excepções foram o livre directo de Alex Telles para defesa de recurso de Adriano para canto e, ao cair do pano, o remate de Elhouni que embateu no poste da baliza de Casillas.


O jogo serviu para recuperar níveis de confiança, dar minutos a alguns jogadores como Aboubakar, Telles e Soares, mas valeu, sobretudo, pelos três pontos. Em suma, uma boa primeira parte e uma segunda parte que foi decrescendo de qualidade a uma velocidade considerável.

Os Dragões preparam-se agora para o jogo que pode ser decisivo e que será realizado no próximo Domingo. A deslocação à luz poderá ditar muito do que será o resto do campeonato. Uma derrota compromete, de vez, as aspirações do FC Porto. Qualquer outro resultado deixará tudo em aberto.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: “Fizemos o que nos competia”

Radiografia ao jogo
“Foi uma vitória justa, não foi espetacular, mas nesta parte final do campeonato ninguém ganhar por 4-0 ou 5-0. Entrámos bem no jogo, pressionantes e com uma dinâmica ofensiva de qualidade. Acabámos por fazer dois golos em 13 minutos, até aos 35 minutos de jogo, o Aves não tinha chegado à nossa baliza e nós criámos inúmeras ocasiões para dilatar o marcador. Foi uma primeira parte muito bem conseguida, num ou outro momento, em termos daquilo que foi o nosso equilíbrio defensivo, podíamos e devíamos estar mais atentos. Retificámos um pouco essa situação ao intervalo.“

“Na segunda parte, o Aves assumiu mais o jogo, subiu um bocadinho as linhas, não criando nenhuma situação de perigo, à exceção de uma bola no poste na parte final, e nós fomos criando ocasiões de golo para fazer o 3-0. Foi uma resposta séria, fizemos aquilo que nos competia, que era ganhar o jogo. São mais três pontos na nossa luta.”


As mudanças na segunda parte
“Controlámos o jogo, tendo mais bola. É verdade que depois puxei o Otávio para o meio e meti o Hernâni para explorar o facto de o Aves ter um lateral esquerdo adaptado. Tivemos sempre o controlo do jogo e estivemos sempre à procura do terceiro golo, porque somos uma equipa com uma vocação ofensiva muito forte, que hoje voltou a ficar demonstrada, independentemente de jogarmos com dois avançados ou não.”

A comunicação entre os jogadores
“A comunicação é sempre importante. Assumimos a responsabilidade, mas os jogadores assumiram-na também por aquilo que é o nosso ambiente de trabalho, o nosso balneário. É principalmente devido ao respeito que queriam dentro de campo, porque fora de campo são todos grandes homens. Dentro do campo, é uma batalha que temos de vencer e essa comunicação é essencial. Foi uma semana difícil, não estamos habituados a trabalhar em cima de derrotas, mas tivemos de o fazer, de analisar o que correu mal e corrigir.”

Apoio a Danilo
“Foi uma homenagem a um jogador extremamente sério e profissional. É um jogador à Porto.”

O clássico com o Benfica
“Vem aí um jogo em que vamos encontrar um rival direto, em que não vamos fugir da nossa identidade. Vamos ter tempo para falar sobre esse jogo.”



RESUMO DO JOGO

02 abril, 2018

PARA ONDE VAIS, PORTO?


BELENENSES-FC PORTO, 0-2

Sou do tempo em que o FC Porto começava a desbravar caminho para o espírito de conquista de vitória. Sou do tempo em que depois de atravessar a ponte, o FC Porto começava a afirmar-se no futebol português e a impor a sua qualidade aqui e além-fronteiras. Cresci a ver o PORTO a construir os alicerces para se tornar numa potência do futebol português, europeu e mundial.

Lançadas as bases pelo eterno e saudoso Mestre José Maria Pedroto e sob a sempre liderança do presidente Jorge Nuno Pinto da Costa, primeiro como chefe do departamento de futebol e depois então como presidente, os Dragões conquistaram o seu lugar por mérito próprio com muitas lutas, muitas “guerras” e muito crer, vontade, ambição e união.


E isto para dizer o quê? Para afirmar que o FC Porto nesses primeiros anos de expansão não vivia tempos muito famosos quer desportivamente, quer financeiramente. Mas a grande liderança dos dois senhores e a união e política instaladas no clube e no balneário tornaram possível transformar um clube médio e, apelidado, de provinciano num clube de dimensão mundial.

Era nos momentos mais difíceis que jogadores e equipa conseguiam transcender-se. Uniam-se, faziam das fraquezas forças e, com menos recursos de que o rival, conseguiam superar-se e alcançar vitórias. Foi assim que surgiram as conquistas dos primeiros campeonatos.

Quem não se lembra dos longínquos campeonatos de 1977-78, 1985-86, 1992-93 ou os mais recentes conquistados em 2005-06, 2006-07, 2011-12 e 2012-13? Foram todos campeonatos vencidos na recta final, no fio da navalha com equipas completamente focadas, comprometidas e dispostas a deixar tudo em campo para conseguir os seus objectivos. Dependendo de si próprias para alcançar os títulos, essas equipas não vacilavam e raramente claudicavam nos momentos decisivos. E, por isso, foi possível vencer campeonatos atrás de campeonatos, tornando o FC Porto um clube temido e respeitado na Europa e no mundo.

Isto não é uma crítica à actual equipa. Nem de longe, nem de perto. Sei e conheço as limitações financeiras que o clube atravessa e os parcos recursos de que dispõe para poder ter uma equipa capaz de lutar pelo principal objectivo principal da época. A equipa de Sérgio Conceição continua a depender de si própria para chegar ao título, mas a partir desta noite corre atrás do prejuízo, depois de há um par de semanas dispor de cinco pontos sobre o 2º classificado.


Jamais uma equipa das épocas que anteriormente citei permitiria tal cenário. Passar de 5 pontos de vantagem, para 1 ponto de atraso seria impensável em 78, 86, 93, 2006, 2007 ou mesmo 2012 e 2013. Pelo contrário! O FC Porto trataria logo de acabar o campeonato ou manter-se-ia na liderança, desse lá por onde desse. E nos casos de 1986, 2012 e 2013 correu mesmo atrás do prejuízo, mostrando uma força mental e uma capacidade de sacrifício e de persistência fora do comum.

É aqui onde quero chegar. A equipa actual, depois de estar 23 jornadas isolada na primeira posição, começa a mostrar claros sinais de desgaste e de quebra impensáveis numa equipa que almeja ser campeã nacional. Terá o FC Porto capacidade para vencer os seis jogos que faltam, inclusive um com o concorrente directo e a jogar no seu reduto? Será que os actuais jogadores terão a estaleca necessária como as vistas em Simões, Freitas, Ademir, João Pinto, Gomes, Futre, André, Timofte, Kostadinov, Lucho, Lisandro, Bruno Alves, João Moutinho, Fernando e Jackson?

São demasiados tiros nos pés a que estamos a assistir no presente campeonato. Nos últimos quatro jogos, o FC Porto venceu um, empatou um e perdeu dois. Marcou apenas dois golos. Muito pouco para um aspirante a campeão nacional. Depois da derrota em Paços de Ferreira, novo episódio péssimo exibido no relvado do Restelo.

Sim, eu sei que este campeonato está marcado para sempre pelas péssimas decisões dos árbitros e do VAR mas não chega. Não podemos dar hipóteses de nos tocar por esse lado. Temos que resolver os nossos jogos antes de permitir que nos possam fazer algo. E é isso que teremos que fazer nos derradeiros seis jogos.

Não me vou alongar no jogo porque esse foi mau, apesar dos cerca de 30 remates à baliza do Belenenses e das 4 ou 5 oportunidades desperdiçadas mas uma equipa que produz o que produz e falha, não há justificação perante uma equipa que se organizou muito bem defensivamente, fez quatro incursões à área portista e alcançou dois golos com clara responsabilidade para a defesa portista.


Quero antes falar do que temos daqui para a frente. São seis finais com D. Aves, Benfica, V. Setúbal, Marítimo, Feirense e V. Guimarães. Ou vencem estes jogos ou esqueçam o campeonato. Chega de abébias como as de ontem ou as da última deslocação a P. Ferreira. Chega de dar minutos de avanço aos adversários. Façam um favor a si próprios: joguem como jogaram grande parte da época por mais desgaste que sintam ou por mais lesões que tenham tido. É a recta final, há que dar e deixar tudo em campo.

Caso não consigam, ninguém vos irá cobrar nada. Ficam com a vossa consciência tranquila mas com a resignação de que mesmo assim não chegaria para alcançar o objectivo. No entanto, eu sei que vocês conseguem chegar lá. Já mostraram que conseguem muito mais do que demonstraram esta noite. E eu quero acreditar muito em vocês. Eu e todos os verdadeiros portistas que vos apoiamos em todas as horas. Não apenas nas boas horas como certos idiotas.

Não liguem aos bota-abaixo, aos pipoqueiros, aos iluminados e aos que “batem” no Marega e no Herrera. Ou mesmo aos que, por linhas travessas, apoiavam os que cá estavam até há algum tempo e que chegaram a equipar os vossos colegas e alguns de vocês com as cores do INEM para jogar em Alvalade.

Olhem para aqueles que vos acompanham para todo o lado e que nunca vos vão assobiar; aqueles que vos apoiam nas vossas piores horas e que estão convosco sem condicionalismos. Esses sim, são os que vos vão carregar aos ombros até à 34ª Jornada. Dêem o vosso melhor nestes 6 jogos. Ninguém vai deitar a toalha ao chão. E se acreditarem em vós próprios, podem ter a certeza de que o objectivo será alcançado. Por isso, repito a pergunta do título desta crónica: Para onde vais, PORTO?


Esta noite perdemos por dois golos sem resposta. O jogo foi mau da nossa parte e é de nós que temos que nos queixar, reflectir sobre isso e preparar as seis batalhas da melhor forma para vencê-las.

Domingo é já ali com a recepção ao Desportivo das Aves no Estádio do Dragão. Vamos lá, CAMPEÕES!



DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: “Podíamos e devíamos ter feito mais”

Análise ao jogo
“O Belenenses fez dois golos em três remates. Nós tivemos muitas ocasiões e não conseguimos concretizá-las. Penso que hoje a ineficácia foi grande por parte da equipa. Entrámos no jogo e depois, num erro da nossa linha defensiva, sofremos um golo, o que fez com que o Belenenses se sentisse mais confortável na sua estratégia, dando a iniciativa de jogo ao FC Porto. É incompressível alguma ansiedade e precipitação na hora de finalizar, mesmo na zona de definição, mas, ainda assim, fomos criando algumas oportunidades e podíamos ter chegado ao intervalo com outro resultado.”

“Entrámos na segunda parte de uma forma forte, com o intuito de mudar as coisas, houve algumas situações claras de golo, mas não me quero agarrar à sorte. Na verdade, podíamos ter chegado ao empate nas muitas oportunidades que tivemos e o jogo podia ter sido outro a partir daí. Não aconteceu e depois, numa bala parada, surge o segundo golo que mata o jogo.”


A opção por Osorio
“Acredito que o Osorio nos pode ajudar e olhando para o estado físico do Diego Reyes, que saiu do jogo da seleção com queixas na coxa, treinou sois dois dias e o Osorio teve estes 15 dias a preparar este jogo da melhor forma. Erros todos cometemos, eu também os cometo – sou o primeiro a assumir e sou eu o culpado desta derrota. Como líder, sou o responsável máximo por esta derrota, mas acreditem que vamos lutar muito até ao fim para conseguir este título tão desejado por todos nós. E hoje viu-se aqui, depois de o jogo terminar, a força com que os adeptos nos apoiaram, mesmo com esta frustração que sentimos neste momento.”

Dar a volta com o Aves
“Hoje sinto que podíamos e devíamos ter feito mais e assumo toda essa responsabilidade desta derrota. Sinto-me muito mal com esta situação, mas uma coisa é certa: esta luta e tudo o que foi feito é para continuar e vamos, com certeza, dar uma resposta positiva já no jogo de domingo com o Aves. Tenho um grupo muito bom a nível humano e profissional, que é capaz, que tem jogadores experientes e sabemos o que fazer para dar a volta a esta situação. Queremos ganhar os jogos todos, mas nem sempre é possível, porque os adversários têm qualidade.”

Uma palavra aos adeptos
“Tenho que dar uma palavra a todos os adeptos que aqui estiveram. Nós sentimos uma frustração e uma desilusão grandes, sabemos que fica difícil, mas dependemos só de nós e o grupo está consciente do que tem que fazer, que é ganhar as seis finais que nos faltam. É fácil dizer, mas é preciso sentir e interiorizar e em campo - a começar por mim, que sou o líder desta equipa - que é preciso dar mais.”



RESUMO DO JOGO