23 maio, 2017

ANÁLISE À ÉPOCA – OBJETIVOS, SAD E TREINADOR.


Como é habitual, deixo-vos a minha opinião sobre a época que agora finda, nomeadamente os objetivos em cada uma das competições e o desempenho dos responsáveis técnicos e SAD. Foi assim a época do FC Porto:

CAMPEONATO NACIONAL – Pelo quarto ano consecutivo, o título fugiu ao FC Porto. Paralelamente ao que tinha ocorrido no 1º ano de Lopetegui, a verdade é que o FC Porto andou perto do objetivo inicial mas mais uma vez falhou nos momentos decisivos. Feitas as contas, a verdade é que o FC Porto de NES somou apenas mais 3 pontos que o FC Porto da época passada, o tal que segundo o Presidente “bateu no fundo”. É pouco, muito pouco, insuficiente direi mesmo, numa liga com tanta mediocridade do 5º/6º lugar para baixo, apenas fazer 76 pontos. Ao longo da época fui aqui explicando os fatores que conduziram ao insucesso final, sendo que agora apenas muito sinteticamente relembro o mais relevante:
  • Não é normal num campeonato haver 14/15 penalties não assinalados (unânimes para os 3 jornais desportivos) a favor de uma só equipa. Para além de outras barbaridades, como golos mal anulados, defesas a jogarem andebol ou sarrafadas que colocaram jogadores no estaleiro apenas valerem amarelos. Uma escandalosa e gritante dualidade de critérios sempre mas sempre com um único sentido: contra o FC Porto! Confesso e repito, nunca na minha vida vi um campeonato tão vergonhosa e intencionalmente inquinado para um lado. Foi demais!

  • Não é normal que o treinador dessa equipa, por sinal em crescimento, com jogadores jovens e após um ano anterior horrível, assobie para o ar durante toda a época, desculpando bondosamente os erros dos srs. do apito. Perante repetidas poucas-vergonhas, o discurso foi sempre o mesmo: envergonhado, tímido, branqueando e desvalorizando situações graves e repetidas contra a sua própria equipa e o seu próprio trabalho. Não percebo… ou se calhar até percebo bem o porquê desta atitude!

  • É verdade que NES desenhou uma equipa de facto bem organizada defensivamente, que em muitos momentos até apresentou bom futebol mas quando era preciso reagir forte aos momentos fundamentais baqueou. Continuo a acreditar que o FC Porto perdeu este campeonato quando não ganhou no Dragão perante os “porquinhos do couceiro” (quem não respeita o desporto, também não merece ser respeitado), um jogo que lhe poderia dar a liderança. Um adversário ordinário que pediu mais de 10 vezes a entrada da equipa medica, fez anti-jogo do mais nojento possível, mas um adversário que tinha de ser derrotado, pelo pouco futebol que tinha. Na 1ª parte desse jogo, o FC Porto falhou várias e escandalosas oportunidades de golo, provavelmente escreveu a sua própria “sentença de morte”. E para não variar valeu tudo na área do setúbal para impedir os jogadores do FC Porto de chegarem à bola, tudo perante a cândida complacência do sr. do apito e o bocejar tranquilo do sr. Espírito Santo. Foi aí que tudo podia mudar, que o rumo do campeonato podia seguir um caminho totalmente diferente...
CHAMPIONS LEAGUE (CL) – A única competição onde o FC Porto cumpriu o objetivo mínimo. Depois de ultrapassar, com mérito e competência, o playoff de acesso à fase de grupos, o FC Porto baqueou nos oitavos-final frente à Juventus, onde curiosamente apenas contra 10, os italianos marcaram golos. Ainda assim, quer financeiramente, quer desportivamente, não foi pela CL que época correu mal, longe disso até. Curiosamente, em 4 anos maus a nível interno onde apenas se ganhou uma supertaça e nada mais, o FC Porto em termos europeus tem mantido um bom desempenho, na CL quartos-final em 14/15 e oitavos-final em 16/17, na Liga Europa quartos-final em 13/14, derrotados pelo Sevilha que felizmente iria vencer a competição.

TAÇA DE PORTUGAL – Eliminação na 2ª eliminatória frente ao chaves num jogo que espelha bem a época. Vários penalties por assinalar, sendo que um deles me ficou na retina pelo choque que me causou. Perto do final do jogo, aquando de um livre direto, um jogador do chaves de braços no ar (ou seja, completamente fora da posição normal) coloca as mãos à bola impedindo o remate e o sr. do apito nada. Para além disso, a sensação de que se podia ter arriscado mais e saído de um número de equipa organizadinha, mas sem arriscar nada. Derrota dura e cruel nos penalties, onde o FC Porto continua repetidamente a falhar, o que lhe tem custado taças de Portugal (a final do ano passado foi mesmo perdida aí). Neste capítulo, como em muitos outros, total culpa própria e sinal da desorientação em que se tem vivido. Não se admite uma equipa profissional em situações de desempate, repetidamente falhar mais penalties do que aqueles que marca, mas enfim.

TAÇA SENHOR LUCILIO BATISTA (s.l.b.) – Último lugar de um grupo que incluía moreirense, belenenses e feirense. Não seria melhor nas próximas competições colocar o mínimo de jogadores seniores permitidos e os restantes serem juniores e jovens da equipa b?!?!?! É que assim, não era tão mau para o nome de um clube que nos últimos 30 anos foi duas vezes campeão europeu.

NUNO ESPÍRITO SANTO – Se no final da época anterior todos nós fizéssemos um exercício relativo à escolha do novo treinador do FC Porto, provavelmente ninguém lá colocaria NES como hipótese (nenhum órgão de comunicação social lançou esse nome!). Friamente, se fizermos um ranking com o top-10 de treinadores portugueses, NES não faria sequer parte desse ranking. Resumindo e concluindo, PdC “inventou” mais uma vez, quis fugir dos nomes mais lógicos e na altura disponíveis no mercado e os resultados estão à vista. É verdade que NES não fez tudo mal, houve coisas boas, momentos de qualidade mas o saldo final é insuficiente. Em termos técnicos e táticos, é verdade que não foi dos piores que já tivemos, porque em muitos momentos houve um jogo contínuo e agradável, mas em termos comunicacionais (e hoje em dia isto conta e muito!), NES foi um desastre do início ao fim da época. É impossível não nos lembrarmos da forma arrogante e decidida como Mourinho irritava os rivais com as suas conferencias de imprensa, da forma arrasadora com que AVB colocava no “cantinho” os nossos rivais ou até da forma galharda e corajosa com que Jesualdo, praticamente sozinho diga-se, defendia o clube nos difíceis anos pós-apito dourado. O discurso e a forma de comunicar de NES assemelhou-se a de um padre em plena missa de domingo, complacente, misericordioso e apaziguador. Há que meter uma coisa na cabeça: um treinador do FC Porto tem de ser odiado pelos rivais, isso sim é um bom sinal. Tem de ser feio, porco e mau!!! Gajos porreiros e nobéis da paz no futebol português?!?!?! Basta lembrar os 19 anos sem títulos do FC Porto para concluirmos o que ser um clube porreiro, com gente porreira nos levou nessas décadas de hegemonia do sul!

SAD – A principal responsável por mais uma época de insucesso desportivo a todos os níveis. Porque foi o Presidente da SAD que escolheu NES, porque é a SAD que define a política de contratações, vendas e construção do plantel. Demasiados erros na construção de um plantel desequilibrado, em que as principais lacunas não foram devidamente colmatadas. Será um erro pensar que despedir NES, elimina todos os problemas... Como não resolveu com o despedimento de Paulo Fonseca... Como não resolveu com o despedimento de Lopetegui... Como não resolveu com o despedimento de Peseiro. É tempo de uma vez por todas de escolher alguém para um projeto a curto e médio prazo, porque ter um treinador por época não augura nada de bom. Em janeiro de 2016 após o despedimento de Lopetegui, deixei bem claro quais seriam os treinadores portugueses com capacidade para assumir com êxito o comando técnico do clube, um deles acabou de ser campeão no Mónaco, o outro goza os milhões do milionário campeonato chinês e o outro deverá acabar num clube da Premier League, um campeonato onde verdadeiramente se joga futebol sem as manhas e nojices da Liga Portuguesa. De pouco vale a minha opinião, mas fica aqui registado que não concordo com a manutenção do perfil de treinador que se contratou nos últimos anos, ou seja, jovem, português, sem títulos e sem experiência em clubes de alto nível. Acho que o perfil devia ser outro, experiente, com títulos e fora da realidade mesquinha do futebol português, com um bom adjunto conhecedor da "realidade específica" do campeonato português com tudo o que isso significa (as manhas, as nojices, as cascas de banana). Mas como a minha opinião não serve de nada, os responsáveis do clube, profissionais muito bem pagos, que escolham e escolham bem.

ANÁLISE FINAL: Mais um treinador despedido. Mais uma escolha que se revelou errada. Estou muito preocupado com o futuro porque as coisas não se afiguram fáceis. É aflitivo constatar que a estratégia de há 4 anos a esta parte, é um treinador por época, erros e mais erros na aquisição de jogadores, erros e mais erros na construção de plantéis desequilibrados, um silêncio ensurdecedor em relação às arbitragens (que finalmente foi quebrado este ano por Francisco J. Marques), enfim, uma tristeza! Há muito por fazer, mas confesso estou triste e desanimado, com a sensação de que o novo filme será igual ao anterior, que por sua vez já tinha sido igual ao anterior, que por sua vez já tinha sido igual ao anterior e por aí adiante...

PS: A estação pública de televisão devia ter vergonha do jornalismo ordinário, sem isenção e nenhum tipo de respeito por todo o público (e que através dos seus impostos, lhe paga as despesas) que tem feito. Primeiro colocar imagens do Dragão numa reportagem de um processo de corrupção que nada tem a ver com o FC Porto, depois lançar a bonita, mas totalmente falsa, imagem de que rui vitória foi o melhor bicampeão da história do futebol português. Nem sequer vou mais atrás, mas recuando apenas ao bicampeonato de VP, em 11/12 e 12/13 o campeonato tinha 30 jornadas (e não 34), VP fez 75 pontos em 11/12 e 78 pontos em 12/13, ou seja, 153 pontos em 180 pontos (85% de aproveitamento). Em dois anos, rui vitória obteve 88 pontos no 1º ano e 82 pontos este ano em campeonatos com 34 jornadas, ou seja, 170 pontos em 204 possíveis (83%). Conclusão, VP foi melhor bicampeão que rui vitória pois conseguiu melhor aproveitamento de pontos, é lógico se em dois anos vitória dispôs de mais 8 jornadas, era normal que fizesse mais pontos. A isto se chama prostituição jornalística...

AS NOSSAS MODALIDADES – RESUMO DO FIM DE SEMANA.



JOGO DA SEMANA

A escolha que tinha para jogo da semana era a performance da equipa de ANDEBOL, onde pretendia abordar a época em jeito de balanço, mas como ainda não terminou o campeonato, vou esperar por esse momento para o fazer.

Assim, a escolha recai sobre a equipa de HÓQUEI EM PATINS e a receção ao sporting. Na fase em que a época entrou, qualquer escorregadela é fatal para a decisão final da atribuição do título de campeão, pelo que a nossa equipa encarou mais esta partida com a determinação necessária para chegar ao título.

Aos 6 minutos, a nossa equipa chegou à liderança no marcador por intermédio do capitão. Os liderados pelo antigo comentador do PortoCanal não desistiam e aos 13min tinham direito a um livre direto, que Pedro Gil não conseguiu concretizar. A 6 minutos do intervalo, chegavam ao empate e colocavam a dúvida no marcador num momento complicado. Felizmente, antes do intervalo, Vitor Hugo voltava a colocar-nos na liderança e com esse resultado chegou o intervalo.

No regresso, a nossa equipa conseguia estar mais próxima do alargar da vantagem. Um momento que podia ter sido fulcral foi o penalti que Gonçalo Alves desperdiçou e que podia ter tirado confiança à equipa, mas que não afetou Helder Nunes quando chamado a converter o livre direto que penalizava a 10ª falta do sporting, e o transformou em 3-1 a nosso favor. Mas os de lisboa não desarmavam e chegavam ao 3-2 pelo provocador joão pinto. Nunca vi um atleta formado na nossa casa e que em todos os jogos contra nós demonstra sempre tão pouco desportivismo e sempre muito ressabianço. Agora que chegou a capitão da equipa, um dia, ainda vou ver o Paulinho a capitão da equipa de futebol do sporting.

Aos 18 minutos, novo livre direto para a nossa equipa e o capitão de novo para a marca, mas desta vez não conseguiu converter em golo e dar novamente tranquilidade ao marcador. 3 minutos, depois Rafa voltou a colocar a diferença em 2 golos e a dar tranquilidade à equipa. No entanto, a 2 minuto do fim, Caio voltou a colocar a incerteza no marcador ao fazer o 4-3.

Dentro do último minuto, penalti para o Sporting que podia afastar-nos do título, não só pela perda de pontos, como pela quebra anímica. Caio foi chamado a converter e não conseguiu transformar em golo uma vez que para ser golo a bola tem que entrar na totalidade e em nenhuma imagem se consegue provar. Não vai adiantar nenhuma campanha para o tentarem provar, porque não o vão conseguir, ou alguém duvida que se a bola tivesse entrado, o FC Porto não teria sido desde já afastado da luta pelo título?!

O próximo jogo é a final de Oliveira de Azeméis, onde um resultado positivo nos deverá colocar na rota do título, uma vez que ultrapassaremos o obstáculo mais complicado desta fase.


AS OUTRAS MODALIDADES

A equipa de BASQUETEBOL iniciou mais uma eliminatória para o bicampeonato. 2 jogos na nossa fortaleza perante um Guimarães liderado por Fernando Sá, e os resultados esperados, 2 vitórias.

No sábado, um 1º período com 9 pts de vantagem, deixavam antever que o objetivo seria cumprido. Nos segundos 10 minutos, os visitantes recuperaram um ponto, mas o nosso caminho era sereno. Um 3º período demolidor levou a vantagem para 21 pts decorridos 75% dos minutos do jogo. Quando se chega a este ponto, e com novo jogo no dia seguinte, há que preservar a vitória, independentemente da vantagem. O resultado final de 80-69 garantia a preciosa vantagem inicial na eliminatória.

No domingo, novo jogo e um primeiro período semelhante ao de sábado, mas com uma liderança de apenas 3 pontos. Um 2º período desta vez favorável à nossa equipa, levava o jogo para o intervalo com vantagem de 15 pts. O 3º período foi o espelho do 2º período da véspera, e os visitantes ganharam-no por uma diferença curta. O último período voltou a ser favorável aos visitantes e a vantagem chegou a estar ameaçada, mas na parte final, conseguimos alcançar uma vantagem de 5pts.

O próximo jogo é em Guimarães, 6ª feira, pelas 21h00.

A equipa de ANDEBOL deslocou-se ao pavilhão do benfica e sair de lá com pontos, significaria um passo decisivo rumo à reconquista. Infelizmente, saímos com uma derrota e agora dependemos de uma derrota do sporting perante este mesmo adversário, para que em caso de vitória na receção ao Águas Santas, consigamos o título, receção essa no dia 31.



Abraco,
Delindro

21 maio, 2017

O ÚLTIMO DIA DO PADRE.


MOREIRENSE-FC PORTO, 3-1

Os próximos dias ou horas vão definir parte do futuro do FC Porto. Não concebo outra ideia senão a saída do actual treinador do FC Porto. Não propriamente pelo jogo de hoje e pela sua postura no banco mas pela sua conduta ao longo de toda a época. O FC Porto não quer nem pode ter um sujeito destes nos quadros.


Sobre este jogo pouco ou nada fica por dizer.

Vi uma arbitragem normal (porque não o haveria de ser agora que o campeonato está decidido?);

Vi uma equipa a querer vencer e fazer pela vida para se manter na Liga Salazar;

E vi um conjunto de jogadores a proporcionar ao público um treino descontraído, sem terem que se esforçar muito, orientados por uma espécie de treinador que esteve sentado 90 minutos no banco com a cabeça sabe-se lá aonde e com o olhar perdido e triste no horizonte.


E nem o facto do jogo contar muito pouco para as contas do totobola, impediram o Padre de apresentar uma equipa virada para a frente. Sempre com os seus receios e cautelas defensivas, o Padre armou uma equipa com o meio-campo com três homens de cariz mais defensivo (Danilo, Herrera e A. André). Colocou Otávio (um 10 puro) a jogar sobre a direita e Brahimi e Soares na frente.

Com uma estrutura algo deficitária, não foi com surpresa que o Moreirense chegou ao golo. No primeiro golo, os centrais ficaram a ver Boateng corresponder a um centro de Rebocho. Depois perto do intervalo, Felipe comete uma fífia de amador, a bola sobra para Boateng que lança Frederic Maciel em profundidade. À saída de José Sá (substituiu Casillas) picou a bola para a baliza e fez o 2-0.

Depois do caldo entornado, é que o Padre decidiu virar-se para a frente. Mas isto já não é defeito, é feitio. Foi assim toda a época! Primeiro defende, sofre e depois é que parte atrás do prejuízo.


Por isso, o Padre lançou Corona e André Silva no segundo tempo para os lugares de Herrera e de Otávio. Os Dragões tiveram algum ascendente e chegaram a colocar em perigo a continuidade do Moreirense na Liga Salazar.

Maxi Pereira reduziu num grande golo de costas para a baliza, mas antes Danilo e Brahimi tinham desperdiçado duas oportunidades de golo.

Só que num jogo em que se vê uma equipa a competir contra um naipe de jogadores em ritmo de treino de descompressão, o resultado só pode ser o que se verificou.

Num lance em profundidade, Boateng aproveitou nova fífia de Felipe e junto à linha final cruzou para a área onde apareceu Alex a rematar para o 3-1 final.


Uma derrota pesada de uma equipa que ainda há poucos anos dominava o futebol português e fazia magia na Europa por uma equipa que sofreu até à última jornada para garantir a manutenção.

Acabou a época, acabou mais um ano a seco, acabou mais um ano em que o futuro do clube está em discussão e com a necessidade de mais uma reflexão profunda.

Esta foi a minha última crónica de jogos desta época. Foram 49 crónicas de uma época longa, mas penosa em que muitas vezes tive que “conter a pena” para não escrever o que senti.

Mas isso deixarei para a próxima semana onde vou abordar toda uma época difícil e com mais um final triste e indesejado.



DECLARAÇÕES

Nuno admitiu “jogo mau” na despedida da época

Análise a um “mau jogo”
“Não foi um bom jogo da nossa parte. Era difícil de encontrar a concentração que o jogo necessitava. Apesar do domínio produzimos pouco e é um jogo que não é o reflexo da nossa equipa. Vamos esquecer rápido este jogo.”

O futuro no FC Porto
“É o momento de nos sentarmos, conversarmos e falarmos bem sobre o projeto. Foi-me encarregue uma missão. Tenho a convicção de que o FC Porto merece estar no expoente máximo do futebol português e isso requer muito trabalho. Não necessito de nada mais do que um contrato e de personalidade para fazer o meu trabalho.”

O balanço da época
“O balanço será feito oportunamente. Houve claramente coisas boas, a base da equipa está num processo de evolução. Os jogadores subiram bastante. O ano começou com uma eliminatória de Liga dos Campeões, que centrou o nosso trabalho e este ano já lá estamos.”



RESUMO DO JOGO

20 maio, 2017

CAMPEÃO? OS ULTRAS DO DRAGÃO!


Esta época ficará fortemente marcada pelos grandes apoios dados pelos nossos adeptos. Se já é normal as claques estarem junto da equipa nos bons e nos maus momentos, esta época houve verdadeiras demonstrações, não só dos ultras, como dos sócios e adeptos em geral. Em qualquer estádio onde o FC Porto entrou, as bancadas estavam de azul a receber a equipa. Em alguns lados mais do que outros, naturalmente, mas houve deslocações assombrosas efetivamente.

Setúbal como nunca tinha visto, teve de se abrir um sector ao lado do visitante porque já não cabia mais gente. Estoril a bancada atrás da baliza tremeu, completamente cheia e mais gente na central, Belém é já um local de forte apoio ao FC Porto, quando lá jogamos. No Minho, duas gigantescas deslocações, das melhores do ano. Braga foi uma bancada superior inteira de ponta a ponta!! Guimarães pela primeira vez enchemos os dois pisos da bancada Norte. Bessa ficará para a história também.

E já depois de uma deslocação à ilha em Outubro passado, para a visita ao Nacional, nova deslocação à pérola do Atlântico.

O campeonato já era uma miragem mas o despertador tocou às 6h da manhã de Sábado! Depois de uma semana de trabalho, Sábado ainda de madrugada há que levantar porque o mágico Porto joga na Madeira!


Um dia extremamente bem passado com os Dragões na ilha, um tempo tropical, sempre calor mas uma chuva de vez em quando. Almoço em grande no restaurante do costume e a tarde foi passada entre a Serra d’água, a marina, o centro do Funchal e o hotel da equipa já a poucas horas do jogo.

Onde houvesse poncha lá estávamos nós e à hora do apito inicial começava mais um espetáculo dos ultras Porto. Os que se deslocaram do Porto davam o mote e os restantes acompanhavam. Melhor apoio que na Choupana, a própria bancada é propícia a isso mesmo.

Enfrentámos mais um resultado negativo e tentámos afogar as mágoas na noite madeirense, em fim-de-semana de festa da flôr. Uma ilha apaixonante! Só mais uma direta pelo Clube e às 7h já estava a regressar à mais bela cidade do mundo, a cidade Invicta.


Já sem hipóteses matemáticas de chegar ao título o Dragão contou com cerca de 25 mil espectadores na recepção ao Paços de Ferreira. E eles lá estavam. Aqueles para quem não faz sentido ficar em casa e o Clube é para ser vivido desta forma. Reviravolta no marcador acabou em goleada. Jogo marcado pelo incidente com o Colectivo, já muito badalado.

Com foi possível verificar-se no final do jogo, a frase não era insultuosa nem intimidatória. Respeito todos os ultras do mágico Porto, estejam em que bancada estiverem. Aos meus amigos do Colectivo, que se mantenham firmes, sempre em prol dos interesses do FC Porto.

Juntos somos mais fortes.

Um abraço ultra.

19 maio, 2017

O REGIME NO SEU ESPLENDOR.


Depois de consumado o inédito Tetra do clube do Regime, tivemos aquilo que todos já esperávamos: Uma semana de propaganda vermelha ao mais alto nível.

Tudo começou logo durante o jogo, com a presença do Primeiro Ministro e do Ministro das Finanças no Camarote Presidencial da Luz, ao lado de um condenado por roubo e de um dos maiores devedores que a Banca Portuguesa conhece. O clima era de natural satisfação e confraternização, pois quando se trata da vermelhada não há que ter pudor de nada e até porque, como dizia o falecido Jorge Perestrelo, “É disto que o meu Povo Gosta”.

E se nessa noite de 13 de Maio, o Festival EuroVisão e a brilhante participação de Salvador Sobral pareciam ser um bom refúgio à festa vermelha, eis que na Entrevista ao vencedor do Concurso o assalariado da Estação Pública de Televisão, cujo salário e estadia em Kiev são suportados pelo dinheiro de todos os contribuintes , decide meter o Clube do Regime ao barulho dizendo “Portugal está em festa, pelo benfica e por ti”. Reparem, na mente deste troglodita, a mouraria ainda consegue estar à frente do feito Histórico e absolutamente global do jovem cantor.

Este assalariado Público, cuja carreira em Televisão se resume a fazer concorrência às “Tardes da Júlia” e uns concursos de qualidade duvidosa, ainda voltou a insistir na mesma conversa sem que o verdadeiro protagonista lhe passasse bola e o deixasse a fazer a figura de Urso que o caracteriza na perfeição.

Mas na noite de 13 de Maio houve uma outra personagem que logo se apresentou a prestar vassalagem ao clube do regime, falo do Presidente da Liga de Clubes. Depois de tudo o que se passou neste Campeonato, com todas as escandaleiras de arbitragem, com os castigos que ficaram na gaveta aos jogadores do regime e com a opinião praticamente unânime, mesmo daqueles que não são propriamente conhecidos por gostarem do nosso clube, de que o FC Porto foi claramente prejudicado, a primeira coisa que esse individuo diz à Imprensa é que o clube dele foi Campeão com todo o mérito. É preciso um descaramento enorme e não ter um pingo de vergonha na cara para se dizer que o clube do Regime foi um justo vencedor do Campeonato que Domingo termina. Mas só quem anda aqui a dormir é que ainda se pode surpreender com esta postura de lampião escondido com rabo de fora.

De resto tivemos o habitual, a palhaçada do costume na ida à Câmara Municipal, as capas de Jornais habituais que não passam de autêntico sexo oral, as Entrevistas a Ex-Jogadores, “6 Milhões” aos pulos a festejar mais um Campeonato vergonhosamente conquistado e os cartilhados, mais ou menos assumidos, a passarem a mensagem oficial do Regime.

Para finalizar ficamos a saber ontem que para o jogo da Festa, sim porque garantidamente 95% dos adeptos que estarão presentes no Bessa serão do mesmo clube embora possam estar com cores diferentes, o Conselho de Arbitragem decidiu nomear o “Ferrari Vermelho" de Monte Gordo. Não sei se isso não poderá provocar algum desconforto junto dos outros 23 obreiros deste Campeonato Nacional, no entanto, penso que se trata de um justo prémio de carreira para quem, ano após ano, tem evoluído a passos largos na arte de desvirtuar premeditadamente resultados desportivos.

Quanto a nós, não faltará tempo para abordar a Época que termina este Fim-de-Semana, analisar o que faltou e perceber aquilo que devemos ou não mudar para que na próxima Época o regresso aos Títulos não se fique só pelas palavras e intenções, mas que se torne mesmo numa realidade.

E por falar em Títulos, uma palavra para a nossa Equipa B liderada pelo Folha que, inequivocamente, conquistou a Premier League International Cup com uma folgada vitória sobre o Sunderland. Se é verdade que o nome do Estádio e a cor do equipamento do adversário foram um tónico importante, também não é mentira que a Equipa esteve a um nível fantástico e merece os Parabéns e o reconhecimento de todos os Portistas.

Um abraço Azul e Branco,

Pedro Ferreira

18 maio, 2017

FALTOU UM BOCADINHO ASSIM – UM FC PORTO SUISSINHO.


[resenha sobre o FC Porto no campeonato 2016/2017]

O campeonato que fica para a história como a Liga Salazar, ou a Liga do Polvo, ou a Liga das Cartilhas – como quiserem – poderia ter sido o da interrupção do ciclo de vitórias encarnado. Não o foi devido à conjugação de factores externos poderosíssimos: arbitragens a empurrar o rival directo para a vitória; não amostragem de cartões ao Carnide, assumindo alguns jogadores a qualidade de inimputáveis; castigos pontuais e certeiros a jogadores influentes como Danilo e Brahimi; incapacidade de se assinalar um penalty a favor do FC Porto (não por coincidência, quando já não interessava, Artur Soares Dias marca 2 penalties a nosso favor). Mas também, assumamos, devido a factores internos (os chamados tiros no pé que nos últimos anos se vão acumulando): a não utilização de Brahimi no primeiro terço do campeonato; o afastamento de Miguel Layun; o “castigo” imposto a Herrera; a incapacidade em aproveitar as oportunidades para passar para a frente da tabela classificativa (Setúbal e Feirense como casos mais gritantes). Um FC Porto suissinho, a quem faltou um bocadinho assim. Assim se poderia resumir a temporada 2016/2017 para os azuis-e-brancos.


Tudo somado, o resultado não podia andar longe deste. Os números não costumam mentir: o clube rival acaba o campeonato com apenas 3 suspensões - para se ter uma leve noção, os clubes que mais se aproximam do benfique neste capítulo contam 7 suspensões, enquanto que o FC Porto conta o triplo das do benfique (9); Foi preciso esperarmos até ao final da temporada para vermos um árbitro atrever-se a marcar um penalty contra o Polvo; E já agora, a suprema ironia de verificar que a história dos chamados pequenos serem os mais prejudicados cair por terra quando analisamos a estatística acumulada dos campeonatos nacionais: o FC Porto lidera destacado a lista no capítulo dos cartões vermelhos (114), bem acima de um Braga ou de uma Académica, por exemplo; Outro número curioso é verificar também qual a equipa com mais auto-golos a favor: o Polvo, obviamente, com 115 auto-golos a favor (só esta época foram mais 4, contra apenas 1 do FC Porto).

Fica, apesar do acima dito, um sabor amargo na boca, o de um campeonato perdido de forma inglória. Porque mesmo assim era possível, era viável, estava ao alcance. O poder do Polvo é imenso, assustador e abrangente. Abarca várias áreas, desde as arbitragens, às classificações dos árbitros, passando pelo controlo e influência sobre grande parte dos clubes pequenos, através de empréstimos, prémios e assédio a jogadores adversários. Os tentáculos deste polvo das cartilhas chegam também a outros locais: à Liga (presidida desde logo pelo sócio do Polvo de há muitos anos chamado Pedro Proença), aos delegados ao jogo, Conselho de Justiça, Conselho de Arbitragem (com membros da categoria de um João pode ser Ferreira ou Lucílio Baptista) Conselho de Disciplina (cujo líder é José Manuel Meirim) e toda a estrutura da FPF (veja-se a não convocatória de Rui Pedro para os sub-20, por exemplo), etc. Um poder construído de forma consciente e sustentada, no seguimento do projecto/iniciativa criminal que foi o Apito Dourado. E no entando, quando se olha lá para dentro, vemos as fragilidades e a tremideira do benfique actual. Com um abanão mais forte, seria sem dúvida possível fazer desabar este edifício encarnado.

Degustando o suissinho, vemos que ao FC Porto não falta assim tanta coisa. Falta o tal bocadinho assim. Não foi pela defesa que as coisas correram mal. Os golos sofridos surgem mais pela clara opção de não atacar e recuar no terreno, pela incapacidade em reter e circular a bola (o tal descansar com bola, mantendo o controlo do jogo), do que pela ausência de qualidade dos homens lá de trás. Iker fez proavelmente a sua melhor época nos últimos 5 anos, com defesas fantásticas à altura dos seus inigualáveis pergaminhos. Os centrais jogaram praticamente a época toda e mesmo o criticado Boly, quando foi chamado, cumpriu com o seu papel de terceiro central. Felipe e Marcano cresceram muito juntos e pode-se dizer que estiveram à altura do historial de centrais portistas – e dizer isto não é dizer pouco.

Nas laterais parece ter faltado rotação. NES e a Direcção decidiram excluir Miguel Layun do lote dos utilizáveis, o que desencadeou um acréscimo de minutos nas pernas de Maxi e de Telles. O mexicano poderia, inclusivamente, ter sido aproveitado como médio interior ou como extremo, uma espécie de Défour 2.0. Não esquecendo que foi o homem com mais assistências no ano passado (15), a sua facilidade no cruzamento poderia ter sido capitalizada quando chegou Tiquinho Soares, mas as coisas são como são. Assumindo que o mexicano terá guia de marcha no final da temporada, Rafa e Ricardo Pereira (a menos que o FC Porto receba uma proposta irrecusável atendendo à grande época que fez no Nice) poderão fazer com Maxi e Telles (segundo jogador com mais assistências, 8, depois de Gelson) as melhores laterais do campeonato português.

Onde parece ter faltado algo foi ao meio-campo do FC Porto. A nível defensivo, Danilo impôs-se como o melhor trinco a jogar em Portugal e protagonizou o momento mais caricato da temporad futebolística mundial quando foi expulso por estar parado e um árbitro ter chocado, de costas, contra ele. Mas os 4 homens mais à frente desiludiram, por variadas razões, a saber:

Oliver não se assumiu como o patrão do meio-campo portista. A sua influência é ainda reduzida a pequenos espaços no terreno de jogo e acaba o campeonato com 3 golos e 3 assistências em 29 jogos, números manifestamente pobres (para se ter noção, Layun termina a temporada também com 3 assistências). Ainda não é nem um Moutinho (que tinha a capacidade de guardar a bola e definir os tempos do jogo) nem um Lucho Gonzalez (que defendia posicionalmente como poucos e era garantia de N golos e assistências todos os anos). Pode-se argumentar que o futebol de NES não o favorece, mas a sua função era também mudar esse futebol e torná-lo mais de pé para pé, unindo a equipa. Não atingiu os objectivos e esteve longe, muito longe, de justificar a sua contratação.

André André é o tipo de jogador que quando está numa fase de fulgor físico, dá um jeito do caraças, qual carraça ambulante que liga os sectores da equipa e ata as pontas soltas. Mas quando quebra fisicamente, o seu rendimento cai de forma assustadora. Falta-lhe golo, falta-lhe chegada à frente, falta-lhe imaginação no último terço, mas é um jogador útil para determinados jogos.
Herrera foi vítima daquela famoso lance nos minutos finais contra o benfique. Um lanc
e do qual não tem culpa nenhuma, a não ser o de ter abordado o momento com mais coração do que razão. Os portistas traçaram-lhe o destino e enviaram-no para o banco de suplentes. Um erro crasso das bancadas e de NES, que não soube avaliar a importância do mexicano: Herrera é muito mais jogador do que André André e merecia ter tido mais minutos.

E, por fim, Octávio. Dizia Oscar Wilde que “ninguém sobrevive ao facto de ter sido estimado acima do seu valor”. Os portistas depositaram esperanças de Deco em Octávio, que obviamente nunca iriam ser satisfeitas. Deco antes de ser Deco foi uma espécie de aprendiz de Zahovic e ainda fez desesperar muitos corações portistas nas Antas, de tanta finta mal parida e de tanto passe mal feito. Octávio manteve a veia da suprema arte de dar golos a marcar (5 este ano vs 8 no Vitória) e, com trabalho táctico e físico, tem tudo para ser idolatrado na cidade Invicta. Mas precisa de tempo, paciência e estabilidade, coisas que esperemos que o FC Porto tenha em 2017/18.

E finalmente chegamos à frente de ataque, que em Janeiro viu chegar Tiquinho para disfarçar vários problemas, fruto de uma capacidade de furar na zona interior (como fez ao Sporting) e de uma maior presença física na área. A chegada do brasileiro teve um enrome impacto na equipa, mas desde logo se notou um ofuscar de André Silva, que foi um fantasma de si mesmo até ao fim do ano. NES, como se diz na gíria, não fodeu nem saiu de cima: não o soube enquadrar no novo esquema, nem se decidiu a deixá-lo no banco. Esta não decisão levou a que André Silva passasse jogos e jogos imerso em complicações tácticas e psicológicas. Caiu num poço fundo e nunca mais voltou à superfície. Pensar no jogador que era André Silva naquela Final da Taça de Portugal frente ao Braga e comparar com este jogador é quase um exercício de saudosismo. Neste momento, nem André vai a caminho de se tornar um 9 de referência de área, nem mostrou perceber o que é um 4x4x2. Está a meio caminho de coisa nenhuma e, ainda assim, termina o campeonato como o jogador mais valioso do FC Porto, com influência directa em 201golos (16 golos + 5 assistências) – praticamente os mesmos números de Soares (19 + 1), embora este tenha feito metade da época em Guimarães.

Fica a ideia que este FC Porto, se tivesse recebido outro Tiquinho para a ala, um daqueles motociclistas que pudessem abrir e esticar o jogo para a frente permitindo que a equipa subisse em bloco com ele e ganhasse metros no terreno (Hernâni, por exemplo), poderia ter feito mais mossa. Brahimi (6 golos + 4 assistências) e Corona (3 + 5) são jogadores de fino recorte técnico, mas com mais floreados que músculos. Faltou alguém que assustasse do ponto de vista físico, um Hulk ou um Futre que deixassem a própria equipa respirar e que partissem os rins aos adversários, assumindo sozinhos as despesas do ataque. Jota, mesmo utilizado a espaços, termina com uma estatística apreciável (8+4), o que obriga o Porto pelo menos a equacionar em o assegurar por mais um ano.

Mas o pior de tudo foi mesmo a falta de evolução da equipa ao longo do ano, que termina o campeonato como começou: ausência de princípios de jogo, incapacidade de descansar com bola, aposta contínua no pontapé para a frente a partir das laterais, incapacidade de penetração na zona central, ausência de ideias e de imaginação na construção atacante, incapacidade em preencher a área adversária com jogadores capazes de fazer golos, o recuo após o golo marcado, os mesmos erros cometidos vezes sem conta e sem vestígios de correcção.

O FC Porto empatou 10 vezes este campeonato, quase 1/3 dos jogos disputados (e neste capítulo é apenas superado por 3 equipas). Embora tenha apenas 1 derrota (muito raro uma equipa com uma derrota não se sagrar campeã), a verdade é que a comparação com a primeira época de Lopetegui não é favorável, embora ande lá perto. Se o FC Porto ganhar os 2 jogos em falta terminará com 79 pontos, frente aos 82 de Lopetegui.

E com isto chegamos a NES. Desde logo, ninguém esperava, muito sinceramente, que fizesse melhor do que fez. Seria um milagre e esses só em Fátima. Acontece que o FC Porto precisa de melhor do que NES. Ninguém pensaria que o homem do famoso SOMOS PORTO seria tão frouxo e tão pacífico nas conferências de imprensa. Ainda se pensou, ao intervalo do jogo do Bessa, que o verdadeiro NES estivesse para aparecer, mas foi sol de pouca dura. As poucas críticas que levantou contra as arbitragens de que a sua equipa foi alvo, para além dos insólitos castigos a Brahimi (por proferir palavras em francês) e a Danilo, foram tímidas e envergonhadas. Nunca ousou fazer voz grossa e a prova cabal disso mesmo são os constantes elogios da imprensa lisboeta e dos rivais a NES, por oposição ao ódio que publicamente nutriam por Lopetegui. Os parabéns de NES ao rival no final do jogo frente ao Paços de Ferreira são a gota de água de um percurso de alguém que nunca percebeu o que é preciso para se ser treinador do FC Porto. É o homem do SOMOS PORTO, mas falta-lhe cultura Futebol Clube do Porto.

Sensivelmente a meio da temporada, quando o discurso oficial do FC Porto endureceu, através de Francisco J. Marques e Bernardino Barros no Porto Canal, notou-se que NES já não casava com esta estrutura. Não fazia sentido ter Luís Gonçalves a rosnar e a mostrar os dentes a jornalistas após o 1x1 em casa do rival e olhar para o diplomático e respeitador treinador do FC Porto. Já eram dois mundos com um oceano a separá-los. Não por acaso, nas conversas de café entre portistas, foi-se celebrizando a expressão padreco para o treinador portista, de tão pacífico e conciliador que foi ao longo da temporada. É provável que o seu verdadeiro patrão, Jorge Mendes, lhe encontre um bom campeonato para que prossiga a sua carreira. Mas a sua imagem está traçada: representa mais os interesses do seu empresário do que o clube que lhe paga o salário. Pode servir para muitos sítios, mas não serve para o FC Porto nem para o clube que precisamos para os próximos anos: um clube de guerrilha, que levante de novo as bandeiras do Norte e da luta contra o poder central lisboeta e que aponte a destruir o edifício encarnado. Um rumo mais próximo dos ensinamentos de Pedroto e dos anos 90, quando foi necessário defender o FC Porto contra os ataques da capital do império.

Só por isso – e isso é mais que bastante – NES não pode ficar no FC Porto. É verdade que terá a sua quota-parte na união do plantel, nas pazes feitas entre plantel e bancada, numa certa raça colocada durante quase todos os jogos. Sim, isso tudo não pode ser apesar de NES, mas também devido a NES. Mas manifestamente não chega. É verdade que superou as expectativas, pois ninguém imaginava que o FC Porto fosse capaz de discutir este título 2016/2017 quase até à última jornada, diante do Polvo e do sporting de Jorge Jesus. Mas os 5 empates registados nas últimas 7 decisivas partidas, onde tudo se decidia, acabaram por deixar o tal sentimento de suissinho: era possível, era viável, estava ao nosso alcance, mas faltou o bocadinho assim.

Para terminar, não deixa de ser concidência que, no dia em que o Polvo se preparava para festejar o seu treta-campeonato, Portugal se visse entre tolerâncias de ponte, Fátima e de olhos postos no Festival da Canção. Embora com outras vestes e roupagens, voltamos ao velho Portugal dos três F’s da Outra Senhora: Fado, Futebol e Fátima. Em jeito de brincadeira, na música de consagração, Salvador Sobral resumiu o que foi o campeonato 2016/2017: “Isto estava tudo comprado”.

Estava mesmo.

Rodrigo de Almada Martins

17 maio, 2017

OS IMBECIS DOS LIKES E PARABÉNS.


Conforme aqui referi na semana passada, a época já está fechada e exige-se um processo de reflexão interna que seja rápido e eficaz, com medidas concretas e imediatas. Muitas das vezes até podemos não saber por onde queremos ir, mas no mínimo temos que saber por onde não queremos ir. Ora, uma das coisas que seguramente temos que erradicar para a próxima época são imbecilidades! E como quem comete imbecilidades é imbecil, hoje vou aqui falar de dois imbecis que ainda estão no FC Porto mas seguramente não estarão na época desportiva 2017/2018: Nuno Espírito Santo e Diogo Jota.

Começando por aquele que desejo que seja o nosso futuro ex-treinador, já na semana passada aqui falei do seu comportamento manso e bonacheirão, com assertividade apenas a assumir o penalti em favor do slb na luz. Mas como um imbecil gosta de se afirmar pela dimensão da sua imbecilidade, no final do jogo do passado domingo frente ao Paços de Ferreira, NES voltou a ser assertivo. Pasme-se, ou talvez não, voltou a ser assertivo para dar os parabéns ao campeão.
Para além de ser uma traição a todo um grupo de trabalho que sentiu que o seu esforço diário não foi traduzido em títulos por via dos “caminhos alternativos” que conduziram à conquista do inédito tetra (nem nos tempos do regime tal havia acontecido!), o imbecil demonstrou uma completa desconexão com o discurso oficial do clube, bastando para isso ter visto o Universo Porto da Bancada de ontem à noite.
Imaginemos o que aconteceria ao responsável comercial de uma empresa que desse os parabéns pelos bons resultados comerciais da sua mais direta concorrente, sabendo ele que a mesma tinha usufruído de condições diferenciadoras face ao mercado? Este é NES no seu melhor...
Mas de facto há uma coisa de que não podemos acusar o imbecil que é de falta de coerência. Quem não se recorda do primeiro acto público após ter sido anunciada a sua contratação como nosso treinador? Presença no lançamento do livro de Carlos Daniel e respectiva foto com o lampião de Paredes e o chalado Manuel José! Premonitório...


Mas para não julgarmos que a imbecilidade é um exclusivo do amigo do Mendes Lampião, aquele que nem nosso jogador é, e que dá pelo nome de Diogo Jota, fez o favor de mostrar o quanto é imbecil, mas também a falta de respeito que tem pelo nosso clube.
Que este imbecil é lampião, todos já sabíamos até porque já haviam registos de manifestações suas nas redes sociais. Agora, que a imbecilidade fosse de tal ordem ao ponto de registar um “like” numa página de nome “fans_de_sport_lisboa_e_benfica”, isso já é ultrapassar todos os limites da decência.
Por mim, nem sequer voltava a treinar no Olival e o seu regresso a Madrid era antecipado. Simultaneamente, espero ardentemente que caso alguém estivesse a equacionar um pedido de renovação de empréstimo (sim, porque julgo que ativar a clausula de 22M nunca foi sequer opção!), essa ideia tenha ficado definitivamente afastada.
Não queremos gente desta índole a envergar as nossas cores, gente que pior do que ter outra cor clubística que não a nossa, não sabe respeitar o clube, os seus adeptos, os seus dirigentes e os próprios colegas de clube. Rua com esta gente, chame-se ele Jota ou outra coisa qualquer!

Estes são alguns dos comportamentos imbecis que não poderemos ver repetidos nas próximas épocas se de facto almejamos títulos.
Temos que ter um grupo comprometido com o clube, com a sua estratégia, com o seu discurso, mística e identidade. Os nossos valores não podem ser levianamente atropelados!
Não podemos ter imbecis que se comportam como não estando envolvidos num projeto comum onde os interesses do clube estão acima dos seus gostos, preferências ou projetos pessoais.
O nosso caminho é derrotá-los mas só o podemos fazer caminhando lado a lado, com objetivos comuns e artilhados por todos, onde o “NÓS” se sobrepõe ao “EU” e onde o respeito pela instituição não é apenas uma questão de semântica.

Até domingo, no sítio do costume!

PS – Para fim de festa, espero que no próximo domingo o imbecil NES não se lembre de colocar em campo o imbecil Jota. Seria a cereja no topo do bolo da imbecilidade!

16 maio, 2017

TEM A PALAVRA, JORGE NUNO PINTO DA COSTA!!


E lá se consumou aquilo por que todos nós, de forma mais ou menos declarada, esperávamos desde a fatídica tarde de 19 de março, após um estúpido e fatal empate frente a um adversário que utilizou as armas mais nojentas a asquerosas que me lembro desde que vejo futebol. Um dos momentos fundamentais que explicam a época do FC Porto, um momento que tudo podia ter mudado, mas que se transformou num autêntico “murro no estômago”, de que o FC Porto tardou em se recompor, com as consequências nefastas que se conhecem.

Faz este mês 4 anos desde que o FC Porto foi campeão nacional pela última vez, sendo que neste quadriénio (2013-2017), o pecúlio de títulos do nosso clube ficou-se por apenas uma supertaça, conquistada no longínquo agosto de 2013. Durante 31 anos, o FC Porto ganhou muito, em Portugal e fora dele, ganhou o respeito da Europa, foi a par dos grandes tubarões europeus, uma das equipas que maior sucesso teve e mais troféus nacionais e internacionais arrecadou. É, obviamente, muito duro e estranho passar de um período de sucesso, quase ininterrupto, de 31 anos, para num ápice ficar 4 anos consecutivos em seca, com a agravante de ver o principal rival alcançar um inédito tetra e consequente hegemonia do futebol português.

Neste momento complexo, difícil e, volto a reforçar, extremamente duro para o universo Portista, tem a palavra Jorge Nuno Pinto da Costa. É muito fácil ser adepto na altura das vitórias, mas ser adepto nas alturas em que ficamos a ver os outros a festejar é duro, muito duro! Após o apito final no último jogo da época no Dragão, para além dos sentimentos de frustração, tristeza e enorme azia que me percorriam, aquilo pelo qual espero desde aí, ansiosamente, como forma desesperada de encontrar uma luz ao fundo de um “túnel cada vez mais escuro”, é de explicações para mais uma época sem títulos. E essas explicações só podem ser dadas pelo responsável máximo do clube, o maior responsável quando ganhávamos muito e o agora maior responsável por nada ganharmos.

A análise do que correu bem, e que tem de ser potenciado e aproveitado para a próxima época, o diagnóstico do que correu mal, e foram muitas coisas, tantas que contribuíram fortemente para mais um ano sem títulos e sobretudo o planeamento do que vai ser a próxima época em termos do que interessa, ou seja, treinador e plantel, tem de ser feito com a máxima seriedade e cuidado, sob pena de se voltarem a cometer erros que tornem as coisas ainda mais difíceis na próxima época.

É fundamental enquadrar o momento atual e projetar o futuro, percebendo o que nos fez chegar até aqui. O pior erro que se pode cometer é pensar novamente que mudar apenas uma peça do puzzle, mantendo tudo o resto igual, ou seja, cometendo os mesmos erros, irá resultar em algo diferente. Não! Não basta mudar uma peça do puzzle, é preciso parar de cometer erros e têm sido muitos nos últimos anos. No limite, entre mudar uma pessoa e manter tudo o resto igual ou mudar tudo o resto e manter uma pessoa, se calhar a segunda hipótese é a mais adequada.

Em 2013, a ideia, veiculada até pelo Presidente numa entrevista ao Porto Canal que me lembro como se fosse hoje, era de que o futebol de VP era enfadonho apesar de nos ter levado a um bicampeonato quase imaculado. Veio Paulo Fonseca e a sentença veio meses depois: saída de Paulo Fonseca. Depois de ter saído do FC Porto, Fonseca ganhou uma taça de Portugal pelo Braga frente ao FC Porto e acaba de se sagrar campeão ucraniano ao serviço do Shakhtar. Contra mim falo, que também disse cobras e lagartos de Fonseca, mas pergunto agora: seria Paulo Fonseca tão mau e o principal responsável pelo insucesso do FC Porto?!?!?!?!?!

Em 2014, a ideia era, segundo o Presidente, apostar num treinador proveniente da escola de futebol vencedora na Europa nos últimos anos, a conceituada escola espanhola. Depois de um ano em que apenas o basco lutou contra o "colinho" que várias vezes surgiu, a sentença veio meses depois: despedimento do espanhol, que atualmente treina a seleção espanhola e se prepara para conseguir o apuramento para o Mundial, num grupo que inclui a Itália. Seria Lopetegui tão mau e o principal responsável pelo insucesso do FC Porto?!?!?!?!

Não pretendo com isto, ilibar as naturais responsabilidades de Lopetegui e Fonseca enquanto estiveram no clube. A questão é a seguinte: ou se anda a escolher pessimamente treinadores ou então se anda erradamente a colocar sobre os ombros dos treinadores as responsabilidades pelos maus resultados, descurando-se a resolução de outros problemas, nomeadamente a construção de plantéis. Num ou noutro caso, é preciso refletir e talvez mudar o paradigma da escolha ou da divisão de responsabilidades.

Estamos em 2017 e a questão está inegavelmente em cima da mesa: manter NES por mais um ano ou escolher novo treinador, o 6º treinador em 4 anos?

Há coisas realmente imperdoáveis em NES, que dariam um post inteiro. Destaco por ter sido a última e o espelho do que foi a época toda, a forma angelical e porreira como NES endereçou os parabéns ao novo campeão nacional. Depois do departamento de comunicação ter andado a "malhar" o ano inteiro num campeonato com a classificação tremendamente aldrabada, com intromissão indevida de vários fatores externos, esta declaração de NES nem tem classificação possível, quer no timing, quer no conteúdo.

No meio de toda esta trapalhada, não sei de facto, o que fazer, nem como fazer, admito que estou confuso. Mas de uma coisa não tenho a menor dúvida, mudar apenas o treinador por outro (chame-se ele Marco, Joaquim ou Manuel), mantendo tudo o resto igual, cometendo os mesmos erros, irá ter um resultado certo: daqui a um ano estaremos a discutir nomes para o 7º treinador do FC Porto em 5 anos!

Não estará na altura de parar de "escavar o buraco" em que estamos?!?!?!

PS - Felizmente, as atuais operadoras de tv oferecem um alargado pacote de canais, das mais variadas temáticas. Foi um fim-de-semana em que futebol para mim se resumiu ao FC Porto vs Paços. Mas suponho que se tenha falado muito nos seguintes conceitos: Tetracampeão? Desde que nasci já fui duas vezes (1998 e 2009). Pentacampeão? Já fui uma vez (1999). Títulos internacionais? Duas vezes campeão europeu (1987 e 2004), duas Ligas Europa (2003 e 2011), duas vezes campeão do mundo de clubes, uma supertaça europeia. A conquista europeia de outro clube português que não o FC Porto, data de 1964, ou seja, há mais de 53 anos... Portanto, adeptos de outras cores, vocês ainda têm muito para caminhar até chegar às alegrias que eu enquanto Portista já vivi. Para não falar nos títulos com rega e luzes apagadas, 5/0 cá e lá, etc, etc.