17 fevereiro, 2017

futebol, 20:30, sporttv1 – FC PORTO 4-0 tondela

A LIDERANÇA NO HORIZONTE

A liderança azul e branca no horizonte está a causar bastantes efeitos em muita gente: calafrios, tremuras e medo. O regresso do velho discurso, pedidos de reunião de emergência, campanhas na (e da) comunicação social e desvio de atenções para outras notícias que nada têm que ver com o futebol para que não se fale do que realmente interessa são as estratégias mais recentes do mundo vermelhão.

Mas não se vão ficar por aqui. Até ao jogo da Luz vai haver intensas campanhas para que o FC Porto não vença este campeonato. Como é bonito vê-los a saltar como coelhos. Estavam tão calados e tão quietos. E agora? O alarme soou?

Pois agora, vou usar a frase que esses apregoadores da tão famosa verdade desportiva usaram durante as três últimas épocas e meia: “joguem à bola”.

O medo, o pânico, os nervos e as alucinações começam a fazer-se sentir terrivelmente num clube que durante os últimos anos nunca teve vergonha na cara. Fizeram, inclusive, chacota com a comercialização de cachecóis “a culpa é do benfica” e “colinho”. Movimentaram-se nos bastidores e dentro das quatro linhas com um descaramento total.

Durante a primeira volta, nunca se queixaram. Mas agora que sentem o bafo do Dragão bem intenso a rebentar-lhes com as narinas e os benefícios descarados já não são suficientes para lhes servir na perfeição, ficam desesperados.

É uma grande notícia! É mesmo uma grande notícia. É um claro sinal de que o Dragão está vivo e bem vivo. Aquele Dragão que espalha o terror sempre que joga no salão de festas e que acorda os fantasmas das perseguições às lideranças e dos minutos 92; aquele Dragão que causa o pânico pelo facto deles terem que lidar com a raça que o FC Porto mostrou ao longo de mais de três décadas. Isto tudo assusta-os de morte!
Tenham calma! O jogo da Luz ainda não é para já. Têm quase dois meses pela frente. Até lá, não se preocupem! Estão preocupados com o quê? Com a vossa filial do Minho? Essa estende-vos a passadeira bem vermelha já neste Domingo. Não mordem. Não valem um tostão. Fazem o jogo da época apenas contra o Dragão.

Missão cumprida pelo FC Porto, antes da recepção à Juventus. Vitória sem espinhas por mais que a comunicação social e os abutres que gravitam à volta dela pretendam passar uma ideia completamente contrária. Dezasseis oportunidades claras contra uma durante os 90 minutos são factos, não são balelas.

Venham lá com esses discursos de polémica, dificuldades para derrubar o último classificado, penalty inexistente ou expulsão mal assinalada para justificar a vitória azul e branca. Aceitaria entrar por aí caso fossem sérios a analisar o que foram os últimos três anos e meio. Mas como seriedade é o que não há, e quando não se tem, não se pode comprar nas farmácias como por exemplo Rennie ou Kompensan, vou falar apenas no que é factual.

E o que é factual neste encontro?

Para começar, o onze escalonado do FC Porto. Nuno Espírito Santo poupou alguns jogadores a pensar no jogo de Quarta-feira e também atendeu aos muitos minutos que outros levam nas pernas esta época.

Foi um risco mas, provavelmente, um risco calculado. Perante o último classificado, o FC Porto tem obrigatoriamente que vencer em casa, seja com que onze for. Mesmo que do outro lado estejam uma equipa e um clube orientados por mandatários do clube da 2ª circular.

O FC Porto teve que esperar 40 minutos para chegar ao primeiro golo mas, ao contrário do que se vai ver e ler nas crónicas de muitos jornais, os portistas só não chegaram ao golo mais cedo por falta de pontaria dos seus jogadores e por inspiração da defesa tondelense.

Ao intervalo, o resultado registava 1-0 a favor dos azuis e brancos na conversão de uma grande penalidade apontada por André Silva. Mas o resultado era lisonjeiro para o Tondela, pelo que se viu no primeiro tempo.

Regressados do intervalo, os portistas continuaram o seu caudal ofensivo. A trinta metros da baliza, Rúben Neves, que substituiu Danilo, fez um golo extraordinário. Uma bomba que só parou dentro da baliza do Tondela. Estavam decorridos 54 minutos.
Mas antes disso Soares e André Silva de baliza aberta tinham falhado golos escandalosos. Começava a ser surreal tantos golos falhados de uma forma deveras infantil.  

O jogo continuava em sentido único. O Tondela depois da boa primeira parte realizada, ficou reduzido a dez unidades. Nesse período, fez o único remate em toda a partida. No resto, ficou-se pela boa organização defensiva, por uma ou outra ameaça à baliza de Casillas e pela intervenção surreal do seu técnico na conferência de imprensa. Muito pouco para justificar benesses da 2ª circular, que ainda viu o árbitro perdoar um penalty sobre André André.

Esforcem-se mais. O prémio era chorudo, eu percebo, Pepa! Temos pena!

Soares marcou o quarto golo em três jogos ao serviço do Dragão, num lance muito bonito que resultou num golo de belo efeito. 3-0 aos 63 minutos. Soares, a contratação cirúrgica de inverno, revela-se cada vez mais um excelente reforço apesar desta noite ter estado um pouco desastrado com três golos escandalosamente falhados.

Nuno Espírito Santo fez a partir daqui a gestão do plantel. Retirou, de uma assentada, Otávio e Soares para as entradas de Óliver e Diogo Jota e, pouco depois, Maxi cedeu o lugar a Layún.
O 4-0 surgiu ao cair do pano por Diogo Jota, num belo lance de futebol. Cruzamento de Layún para a grande área, assistência de Oliver para André Silva. Este de costas para a baliza atrasou para Diogo Jota que, à entrada da área, rematou fulminantemente para a baliza.

O FC Porto fez um bom ensaio para Quarta-feira. No entanto, o jogo da Champions League frente à Juventus será um jogo completamente diferente. Será um jogo de exigência máxima e em que o FC Porto vai precisar de ter os níveis máximos de concentração durante os 90 minutos para poder almejar um resultado positivo. Expectativa para ver o Dragão frente a um adversário com quem tem contas antigas para ajustar.

Lembram-se do Sr. Prokop? Eu jamais esquecerei esse dia.

A MELHOR "TRANSFERTA" EM PORTUGAL.


Guimarães é, sem dúvida, a melhor deslocação para qualquer ultra português. E não é preciso retirar os chamados “grandes” da lista, mas se o fizermos, então não há discussão possível. O futebol português peca, em minha opinião, pela elevada percentagem de adeptos dos três grandes. Nas cidades de onde nenhum desses três grandes é natural, os seus habitantes apoiam um dos três grandes em mais de 90% dos casos. Não direi que a cidade de Guimarães apoie a 100% o Vitória, não seria uma afirmação verdadeira e é quase impossível chegar a esse ponto, mas é ali, naquele local, que se sente mais esse bairrismo, esse amor ao que é deles, à terra deles, ao clube deles.

É naquele local que se sente o perigo em cada esquina, é ali que temos de olhar sempre de olhos bem abertos para não sermos apanhados desprevenidos, é ali que nunca estamos 100% seguros, principalmente se não formos de forma organizada e decidirmos ir no nosso próprio carro com três ou quatro amigos. Pode parecer estranho a quem não é “dos nossos”, mas é exatamente por essas razões, que queremos mais que tudo marcar presença em Guimarães. Quando os cuidados devem ser redobrados é quando ansiamos por arrancar e que chegue a hora de mostrarmos a nossa força. Cachecol ao peito e defender o Porto até à morte!


Este ano rebentámos com tudo!! Desde que vou a Guimarães, não me lembro de assistir a tamanha invasão azul e branca!! Os bilhetes esgotaram, foram pedidos mais e voltaram a esgotar!! Nas bancadas estavam seguramente 5000 portistas, no mínimo!! Lotámos dois sectores, o habitual sector visitante, na parte de baixo da bancada e também o sector de cima, também com ultras, acompanhados do material das claques.

Os Super Dragões optaram pelo comboio para a deslocação. Um Super comboio partiu de Campanhã a meio da tarde com mais de um milhar de ultras “a bordo”. Começava o festival. Menos de uma hora passou e já estávamos em Guimarães. O Colectivo viajou de camioneta e juntou-se para o cortejo. Muita gente também viajou de forma particular e todos arrancaram num cortejo indescritível que pintou as ruas da cidade de azul e branco!! Tanto o cortejo de ida como o de regresso do arrepiante. Destaco o da ida para o estádio, onde os vitorianos corajosos arremessaram pedras na nossa direcção e desataram a correr.


No cortejo de regresso à estação, passámos pela centro da cidade, Toural, só falou sermos recebidos na câmara municipal.

Dentro do estádio, abafo completo aos ultras da casa, mesmo sem termos entoado uma grande variedade de cânticos. Um recital no sector visitante, três pontos ganhos muita pela nossa presença e atitude ao longo dos 90 minutos.

No passado Sábado demonstrámos estar em grande forma e com uma força enorme. Que seja para manter porque muito vamos precisar até Maio. Contem connosco!

Um abraço ultra.

16 fevereiro, 2017

EXIGÊNCIA.


1. Não vou escrever demoradamente sobre jornalistas (?) cuja carreira não obedece a critérios deontológicos, mas sim a outros mais ligados ao espectáculo pantomineiro.

Deixo no entanto a constatação de que anos depois de se ter transformado num dos bonecos ao serviço do regime para nos trazer todas as novidades chocantes do apito dourado (a par com o ex-marido, um “leixonense” de gema) eis que a figura reaparece, sempre pronta para satisfazer os interesses do dono, o famigerado Correio da Cofina. Da personagem não vale a pena falar muito. Felizmente foi inventada a Internet e os seus motores de busca, onde podemos fazer pesquisas com “nome da personagem + apito dourado” e perceber ao pormenor de quem estamos a falar. Curiosamente também aparece isto AQUI, um ponto a seu favor mas que, vá se lá saber porquê, há muito saiu da agenda.

Terminada a breve nota, fica um recado sobretudo para as nossas figuras mais mediáticas: toda a atenção é pouca para desmontar estas armadilhas sempre apontadas ao FC Porto. Caso queiram mesmo ajudar o Clube convém estudarem os dossiers e não se limitarem a enveredar por posturas politicamente correctas quando está em causa o “trabalho” de uma série de agentes provocadores.


2. Um ponto apenas separa o actual primeiro classificado e o FC Porto, o tal que ia lutar com o Braga pelo 3º lugar. Um ponto, com três ainda para disputar em confronto directo num terreno onde raramente perdemos, o que significa que numa fase complicadíssima, após (mais) um empate comprometedor em Paços de Ferreira, conseguimos encurtar distâncias com importantíssimas vitórias em jogos como os 2 últimos, somadas a deslizes pouco naturais do ainda líder.

E agora? Bem, faltam disputar 13 jogos, que tem de ser encaradas como autênticas finais rumo a um objetivo: fazer com que o já consagrado tetra campeão (sim, lembram-se da festa no Dragão?) seja devolvido ao seu lugar natural dos últimos 30 anos. Pede-se no entanto aos Deuses do Futebol que diminuam um pouco o nível de sorte do rival, que na passada terça-feira atingiu valores quase inultrapassáveis.

3. Não tenho escrito muitas vezes sobre outras modalidades, mas isso não significa um menosprezo sobre as mesmas. O Futebol, evidentemente a força motriz do FC Porto, tem-nos consumido muito tempo mas isso não significa que as atenções não estejam também voltadas para os atletas que representam o Clube fora dos relvados.

No Andebol vivemos um momento inolvidável na passada semana, mais um que esta modalidade nos proporcionou. Jogos como o que disputamos com o Sporting são evidentemente a excepção pelo improvável que aquela recuperação representa, no entanto evidencia aquilo que mais gostamos de ver numa equipa que enverga as nossas cores: quem nunca desiste de lutar fica mais perto de conseguir o improvável.

O ciclo de vitórias foi entretanto quebrado mas a época continua, sabendo de antemão que mesmo sem playoffs temos de estar focados para não repetir o final do temporada passada.

No basquetebol a época tem tido alguns altos e baixos, naturais para uma equipa que sofreu com lesões e algumas indefinições, contudo na competição mais importante o barco continua a remar para bom Porto. Apesar das dificuldades e mesmo sabendo que dificilmente teremos um reforço como Troy DeVries para desequilibrar claramente a balança, confio plenamente no labor de Moncho e dos seus pupilos para vencer um Benfica que estará (apesar dos recentes deslizes) mais sólido neste playoff, bem como outros adversários que cada vez mais se aproximam do nível dos crónicos candidatos.

No Hóquei a história tem sido, a meu ver, um pouco diferente… Apesar do indiscutível talento e do facto de termos um grupo de trabalho que está junto há 1 ano e meio os erros vão se repetindo, sendo que quando entramos em pistas mais complicadas parece que se apodera da nossa equipa uma atitude fatalista, consubstanciada numa espécie de medo em ser feliz que podemos verificar na maneira como (não) reagimos quando estamos em vantagem, esperando sempre pela recuperação dos adversários sem ter a coragem de lhes infligir um golpe definitivo.

Não sou um conhecedor profundo da modalidade por isso escuso-me a comentar aspectos técnicos ou tácticos. Muito menos serei meramente resultadista ou apenas impaciente, dai que não tenha abordado este assunto há 1 ano atrás, após uma época muito complicada. Sendo certo que um ciclo acabou e estamos ainda a trabalhar para começar um novo, parece-me no entanto preocupante que nos jogos fora com Sporting, Benfica, Óquei de Barcelos e mesmo em Barcelona a nossa equipa tenha sido dobrada com relativa facilidade, exibindo uma falta de intensidade competitiva e nervo que não augura grandes feitos.

Sejamos claros: a responsabilidade estará, como não podia deixar de ser, em todo o grupo de trabalho, onde poderá estar a faltar o espírito que tinham jogadores como Reinaldo Ventura ou Tó Neves. Seja por este ou outro facto, a verdade é que façanhas como a célebre virada no Candelária parecem coisas de um passado muito distante, sendo que do banco tem surgido um discurso muitas vezes demasiado complacente e de alguma forma algo acomodado a esta situação de equipa em construção.

Sei bem quem tem a equipa mais apetrechada e é necessariamente o maior candidato à conquista de todos os troféus. Não concebo é que eles o façam num contexto de uma falta de comparência do FC Porto!

O tempo é portanto de cerrar fileiras e tentar queimar rapidamente algumas etapas, na certeza de que só assim poderemos aspirar a atingir algum dos objectivos ainda em aberto nesta modalidade tão querida dos Portistas.

15 fevereiro, 2017

MAIS UM TENTÁCULO DO POLVO.


Sábado passado, 19h00, entrada do estádio D. Afonso Henriques.
A noite já tinha caído e o dia havia decorrido serenamente.
Viagem de comboio até Guimarães sem qualquer tipo de ocorrência, cortejo azul e branco desde a estação até ao estádio apenas com um atrito na fase final onde um nosso elemento foi agredido do exterior com uma pedra.
Chegados à porta do estádio, há quem se deixe ficar mais para trás para evitar apertos, e eis senão quando se dá o seguinte diálogo entre adeptos de futebol que ordeiramente aguardam o seu momento de aceder ás bancadas e agentes da PSP destacados para a (in)segurança no estádio:

"Sr. Agente, qual o melhor caminho para quem está a vir de Barcelos?" - pergunta um adepto.
"Não sei, sou de Lisboa." - responde o agente.
"De Lisboa?" - fica surpreendido o adepto.
"Sim, vocês andam a portar-se mal... viemos aqui para vos arrebentar!" - responde o animal.
Aquilo que aparentemente não seria mais do que uma conversa igual a tantas outras que vão ocorrendo jogo após jogo entre adeptos e alguns agentes de suposta autoridade, merece aqui uma reflexão mais profunda sobre tudo isto.

Antes de mais, dizer que, felizmente, nem todos os polícias têm comportamentos destes. Felizmente que também há aqueles que são educados e não vão para um estádio como um doberman a babar-se. Em particular, os “Spotters” fazem um trabalho de proximidade e relação, obviamente muito mais eficaz na prevenção de eventuais problemas do que na criação dos mesmos, conforme relato anterior.

Mas, este caso em particular, leva-me a colocar diversas questões e/ou reflexões:
  1. Qual a necessidade de destacar agentes do corpo de intervenção de Lisboa para um jogo a 350 kms de casa??
  2. Em algum momento, para um Setúbal-slb, foram destacados agentes do corpo de intervenção do Porto?
  3. Porque razão se apresentam em Guimarães com o intuito declarado de “arrebentar” os adeptos do FC Porto?
  4. Porque razão se apresentam em Guimarães sem a devida identificação ao peito, inviabilizando que sejam identificados?
  5. Perante todas estas dúvidas, quais as verdadeiras motivações para tudo isto?
Meus amigos, não sejamos ingénuos e não tenhamos medo de dizer a verdade. O que se pretendia era que os adeptos do nosso clube tivessem comportamentos menos adequados por forma a que estes “animais” (desculpem-me os bichinhos que não têm culpa alguma de ser comparados a homens que querem arrebentar outros homens) pudessem carregar indiscriminadamente com o argumento de reposição da ordem pública, e com isso, fosse efetuada mais uma participação de mau comportamento do adeptos afetos ao FC Porto e com isso, mais uma “acha para a fogueira” no “caldinho” que alguns querem montar com vista à interdição do nosso estádio. Isto é tão óbvio, tão descarado, tão notório, que só um cego não vê.
Querem à força toda prejudicar o nosso clube, multá-lo, penalizá-lo e criminalizá-lo. Como o vão fazer, isso pouco interessa, porque todos os meios servem para tal.

Lamento é que, enquanto tudo isto se passa e se monta, os adeptos estão sozinhos nesta luta e na sua defesa. Ninguém do clube os defende, ninguém do clube toma a dianteira na defesa dos seus interesses e direitos. As pessoas parece terem memória curta e não traçam termos comparativos. Se o mesmo fosse na luz, já teríamos espetáculos televisivos com pedidos de esclarecimento à senhora Ministra da Administração Interna, a qual está em silêncio, pois também ninguém lhe pede responsabilidades. Para defender as claques não legalizadas do slb, os recadeiros, avençados e afins, fazem de tudo para os defender. Nós, numa altura de guerra como esta, onde se percebe que aquilo que se pretende é atacar tudo e todos os que nos rodeiam, fazemos silêncio sobre uma matéria onde estamos a anos luz dos comportamentos alheios. Enquanto todos não percebermos que temos de estar juntos, a uma só voz, a ter que nos defender mutuamente, esqueçam...

Até sexta-feira, no sítio do costume.

14 fevereiro, 2017

LENDAS DE PAIXÃO, MITOS DE GLÓRIA (ou como nem lhes cabe um pinhão).


Acordam cedo, todos os dias, bem antes do galo… os campos ainda cobertos pelo orvalho fresco da manhã que cai só para eles e abençoando o seu ser glorificado. Faça chuva ou ameace raiar o sol, na eira ou no seu viçoso e fértil nabal. Trabalham árdua e devotadamente, nos relvados verdes do Seixal, onde fazem evoluir o seu futebol do mais fino recorte, da mais virtuosa técnica. Mais ainda, numa azáfama quase perturbadora, estonteante, mirabolante, em salas e portas -- a 18 é manifestamente e a título de curiosidade a que tem mais procura -- sitas nas instalações da Sede na Avenida do Apanteonado Eusébio da Silva Ferreira e no estádio ali implantado: autêntico monumento ao cesto do pão, acompanhado de azeitonas pretas e um belo de um chouriço assado.

São chamadas em catrefada, de dentro para fora e de fora para dentro no portentoso helpdesk existente, desfiles sem fim na passadeira encarnada de personagens mais ou menos conhecidas dos diferentes quadrantes da sociedade portuguesa, de paineleiros orquestrados que vêm às reuniões bissemanais de onde saem cantando em coro, de peões amestrados…

As filas são intermináveis nos balcões de levantamento de vouchers e brindes vários, desde posters e calendários de parede dos jogadores em poses sugestivas, penas da água vitória, altas e fofas almofadas estampadas com a cara de Rui Gomes da Silva, pacotes cheios de ar puro do Estádio da Luz, até aos mais vulgares porta-chaves sempre com imensa saída.

Ainda que o impessoal sistema de atendimento por ticket tenha vindo criar alguma confusão e estranheza inicial -- pela saudade da habitual recepção na pessoa do próprio Presidente onde eram distribuídos sorrisos, cocktails, pacotinhos e palmadinhas nas costas -- a simpatia, o brio, a eficiência e a eficácia mantêm-se as palavras de ordem.


Assistem-se a métodos implementados a pulso, com sangue, suor e lágrimas nas-ao-longo-dos- -anos-dilatadas-tolas do pessoal afecto e contratado, motivados por décadas de seca grave e generalizada e da Grande Fome. Foram centenas de meses e meses e meses passados em esforços de Investigação & Desenvolvimento que geraram case-studies estado-da-arte da autoria de alguns dos mais conceituados investigadores portugueses da área. Deles saíram princípios norteadores (ah, o raio do adjectivo!) de acção e fundamentados em 4 grandes eixos: A) Santas Alianças e Ententes, B) na suprema importância das relações públicas especializadas em determinadas profissões de arbítrio e ajuizamento, C) na prospecção e formação de talentos homemade e D) na criação de postos de trabalho.

Pelo meio e aliado a isso um treinador de serviços mínimos com capacidade de se armar em carapau de corrida e um balneário recheado de um punhado de jogadores razoáveis e jovens promessas e mais o Luisão, todos eles com contratos de trabalho onde se os declara candidatos fortíssimos a loas, à sempre almejada endeusificação e beatificação no espaço de poucos meses e/ou semanas (quais Barça ou Real Madrid!) e mais o Luisão. Todos eles potencialmente merecedores de pacotes turísticos a destinos tão paradisíacos como os Emirados Árabes Unidos, o Mónaco, a distante Valência, a pitoresca Assunção e os recantos da Floresta Amazónica. Todos eles e mais o Luisão, celebrados mártires, deuses dos relvados e mestres de domínio da bola, que infelizmente deixou de ser de trapos e penas como nos bons velhos tempos em que tudo ganhavam, tudo varriam, tudo rapavam tipo o saudoso Salazar de cozinha. Gorada a possibilidade (não por falta de tentativas e démarches, entenda-se!) de regresso a esses tempos do futebol e preto e branco e da falta de transmissão televisiva, período de habituação superado, começam agora a interiorizar a coisa e a criarem vínculos com a nova gorduchinha que é remédio e ainda redonda. Lançou-se também um refulgente e modelar canal próprio de televisão que até transmite a cores e tudo. Nos relvados portugueses e até do Norte a coisa até que tem ido, com glória, alegria, estádios cheios, bandas de música, bombos, pompa e circunstância. Apenas nos internacionais (será da relva?) o insucesso permanece, num mistério que se adensa e difícil de explicar, pese embora as horas extra feitas pelo cada vez maior e mais apetrechado departamento de I&D que até chega ao cúmulo do requinte de falar inglês.

O maravilhoso coração, maravilhoso das gentes benfiquistas merece todos os sacrifícios, todas as pestanas queimadas, todas as horas de dedicação, todos os ensaios laboratoriais, todas as cobaias, todas as cabeças que entretanto rolaram. É plenamente recompensador testemunhar a alegria das ordeiras e genuínas gentes encarnadas nos últimos anos, período em que desencornaram, partiram coisas, desabrocharam, partiram coisas e agora vicejam, prosperam, coisas partem e se ostentam, ufanas… famílias pelas mãos, cabecinhas menos inchadas, sendo o desiderato supremo chegar no mínimo ao – como se diz mesmo quando se ganham 6 campeonatos seguidos? Ah, sim. – hexacampeonato, para assim calar de vez os provincianos corruptos que moram a Norte, sempre com a ladainha do tetra e do penta e do diabo que os carregue (e já faltou mais…).

Depois de um início de época de puro deleite visual e dos sentidos, em que tudo fluía num ir e devir prodigioso e glorioso e tudo o que acabava em .oso, outros ventos se levantaram, novamente vindos do raio do ponto cardeal que remete lá para cima e que deveria ser banido do mapa português. O agora é preocupante. Assiste-se à desSUPERização de uma equipa fabulosa mais o Luisão, o glorioso fosso foi vencido, gloriosas tácticas quase neutralizadas e sente-se a pressão de lançar novos estudos científicos, de alargar o espaço no dito cujo apara alojar novas leguminosas e/ou sementes em caso de real necessidade, de subsidiar novas investigações que funcionem como contra-ofensivas e recorrer a todo o armamento pesado, capelas com e sem ogivas, paixões, motas, talhantes, colos, alcofas, avionetas, Boeings, padiolas, bombistas, macas, guindastes, gruas e tudo. Sempre pela Causa-Maior. Pelo Grande Desiderato Nacional.

A azáfama recrudesce. Está ao rubro e ao encarnado-papoilinha. A chama imensa tremelica.
A Escala de Richter começa a acusar vibrações inusitadas.
T(r)eme-se o pior. T(r)eme-se que se apague.

As humildes gentes benfiquistas mobilizam-se (isto se nos entretantos não houver um resultado menos positivo, em que se assiste a uma espécie de recolher obrigatório durante horas e que pode ir até dias). Cada jogo até ao fim do campeonato – falta apenas um tiquinho assim -- será uma batalha mais. Em cada jogo um combate desigual, com os árbitros achincalhados nas suas preferências, já amedrontados, já violentados nos seus ideais, subitamente parciais, amedrontados, acossados à saída do seu local de honrado trabalho por dois ou três ogres enormes de quase dois metros e vinte e com cachecóis azuis e brancos ao pescoço, psicologicamente manobrados para fazer soçobrar e prejudicar o Glorioso Tricampeão no seu objectivo uno.

Desengane-se quem pensar que vão conseguir: os valorosos e intrépidos jogadores do ÉSSEÉLEBÊ continuarão a progredir com brio, denodo e pundonor nos relvados, lamaçais e campos hostis desse Portugal, preenchendo (ou morrer a tentar preencher) páginas míticas e históricas em caminhadas épicas rumo ao glorioso Treta. Das adversidades far-se-ão bandeiras, hinos e paixões, rezar-se-á em igrejas, capelas e capelinhas… por cada papoila derrubada, uma outra se levantará, orvalhinho e tudo.

Por cada penalty não assinalado, pelo não reconhecimento de um mergulho de elevada nota técnica e artística na área adversária, por cada minuto sonegado, surripiado nos descontos, por cada castigo ao treinador profeta da verdade, por cada fora-de-jogo assinalado contra, por cada expulsão de um santo jogador após lance leal meramente viril-que-futebol-não-é-para-margaridas, por cada bola rechaçada, por cada bola ao poste, por cada golo gloriosamente consentido… um BRUÁ de enorme e avassaladora revolta se fará ouvir de lés-a-lés na imensa, nobre e orgulhosa nação benfiquista. Irão até ao fim qualquer que seja o custo (que estão como sempre dispostos a pagar, até quando não sabem…). A resposta aos inimigos da Verdade Desportiva, aos violadores impunes dos direitos legitimamente adquiridos e trabalhados, será dada em campo, nos túneis, por telefonema e através do sistema de dispensar senhas que entretanto, meio-dia ainda, esgotou já os rolos de manhãzinha repostos para mais um dia de labuta de combate aos…

E rima e tudo.

13 fevereiro, 2017

O GUIÃO QUE HÁ MUITO ESTÁ ESCRITO!


Quem tem acompanhado de forma minimamente atenta o que se tem passado ao longo da presente época, e tem o mínimo conhecimento do futebol português e as suas “particulares” características, já percebeu há muito que se criou a ideia de que este campeonato seria um passeio rumo a algo inédito na historia do futebol português, ou seja, o quarto título consecutivo de uma equipa que jamais alcançou esse feito, nem mesmo nos seus tempos áureos, as décadas salazaristas de 60 e 70, em que Eusébio, Fátima e Amália eram os pilares fundamentais de uma sociedade analfabeta, atrasada e fechada sobre si própria. Os tempos em que os clubes do sul dividiam alegremente os títulos nacionais, e o FC Porto era um clube extremamente simpático e porreiro que comia e calava sem pestanejar.

Quando no dia 07 de janeiro de 2017, o FC Porto esbanjou mais 2 pontos em Paços de Ferreira, protagonizando mais uma vez um festival de oportunidades de golo desperdiçadas, creio que essa ideia percorreu também a cabeça da esmagadora maioria dos Portistas, isto, porque na cabeça de todos os outros a ideia do "tetra" estava já consubstanciada e sustentada há muito tempo. Eu próprio escrevi no dia a seguir a esse nefasto resultado que "a casa já estava novamente a arder".

Nesse dia, a tabela classificativa constatava uma realidade dura mas evidente para qualquer Portista. FC Porto com 6 pontos de desvantagem para o líder, que por sua vez também tinha 8 pontos de desvantagem sobre o rival da 2ª circular. Nesse dia, não seria exagerado pensar que o alfaiate já poderia muito bem começar a preparar as faixas do "tetra", o desígnio nacional parecia cada vez mais um passeio, muito mais fácil e tranquilo que na época anterior, em que as coisas tinham sido bem mais apertadas. Parecia que o "guião do tetra", nem por encomenda poderia ter saído melhor.

Passado pouco mais de um mês, o FC Porto está a 1 ponto da liderança e depende apenas de si para atingir o título de campeão, algo impensável há umas semanas atrás. A maioria das previsões e probabilidades apontaria para que nesta altura do campeonato, as coisas já estivessem mais ou menos encaminhadas, com os restantes clubes a gladiar-se pelo 2º lugar que dá acesso direto à Champions League.

E a verdade, é que o FC Porto a 35 minutos do fim no jogo com o Rio Ave no Dragão, perdia por 2-1... marcou 3 golos e deixou ligeiramente inquietos os devotos do "guião que há muito está escrito".

A verdade é que a apenas 7 minutos do fim, o FC Porto permanecia num teimoso 0-0 no tradicionalmente difícil António Coimbra da Mota e lá marcou dois golitos, arrecadou os 3 pontos e deixou a coçar a cabeça os devotos do "guião que há muito está escrito".

Uma semana depois, as fichas estavam todas concentradas no mestre da tática, que antes do jogo até disse que estava habituado a ganhar no Dragão (algo que em 30 anos de carreira apenas fez por 3 vezes). Mais um sentimento de desconforto e uma ligeira azia no fim do jogo por parte dos devotos do "guião", em que o mais importante passou a ser a grande defesa de Casillas no fim do jogo ou os 38% de posse de bola do FC Porto.

Por fim, o jogo de Guimarães. Segundo fui lendo ao longo da semana, o jogo em Guimarães era dificílimo, tão ou mais difícil que jogar no Camp Nou ou Santiago Bernabéu. E não é que, uma vez mais, o FC Porto não fez a vontade aos devotos do "guião"?! Mais um jogo em que o FC Porto teve menos posse de bola, mas um jogo em que o Guimarães não teve uma única oportunidade de golo (mérito dos jogadores e do TREINADOR) e que o FC Porto, para além dos 2 golos marcados, dispôs ainda de mais duas ou três boas oportunidades de golo numa vitória limpinha, limpinha, limpinha!

Por esta altura, as coisas já deveriam estar muito melhor encaminhadas para o "guião" se concretizar na realidade o mais rapidamente possível e sem qualquer tipo de intruso inconveniente. Era suposto que o FC Porto se tivesse estatelado em algum dos últimos jogos, abrindo a desvantagem para o líder. Era suposto que, nesta altura, com os erros de arbitragem que já prejudicaram o FC Porto (o que de forma inédita, até foi admitido por quase toda a gente!), o líder já tivesse uns 9 ou 10 pontos de vantagem sobre toda a gente, estando sentado confortavelmente na cadeira de líder, passeando alegremente rumo ao tetra que há muito está escrito no "guião".

Mas, confesso que já tinha muitas saudades de ver os mentirosos e imundos instigadores profissionais do ódio e da nojice virarem as suas agulhas para o FC Porto. O imundo de um qualquer dia seguinte e o nojento do correio das mentiras, à mesma hora e no mesmo dia, levantaram uma patetice bem ao seu nível, a patetice de que Soares seria um jogador emprestado pelo Guimarães e que por isso poderia não jogar pelo FC Porto na Cidade Berço. É um excelente sinal que os imundos, nojentos e ordinários virem as agulhas novamente para o FC Porto. Recomecem a falar no apito dourado, nas viagens ao Brasil e em mais não sei o quê. Porque essa foi a conversa de m**** que ouvi durante 30 anos de sucesso ininterrupto do meu clube, e isso, é muito bom sinal. O FC Porto tem de ser incómodo e chato, tem de intrometer-se nas lutas do poder no futebol português, sejam elas quais forem.

PS - A semana passada referi o facto de Marcano, o mesmo que na final da taça de Portugal do ano passado parecia um jogador ao nível dos distritais, estar a ser um dos melhores elementos da defesa, mérito de NES. Mas ver Brahimi a defender empenhadamente, cumprindo taticamente muito bem as suas tarefas, ver Brahimi a festejar um golo de um colega com toda a raiva e sentimento possíveis é de facto ver um jogador diferente que jamais tinha visto no FC Porto. Brahimi está um jogador completamente diferente (e para mim era um caso perdido), novamente o mérito tem de ser atribuído a NES.



11 fevereiro, 2017

A VITÓRIA DA UNIÃO.


VITÓRIA GUIMARÃES-FC PORTO, 0-2

Grão a grão, assim vai o Dragão. Assim se fazem os campeões com vitórias como a desta noite. Com união, entreajuda, sacrifício, paciência e solidariedade.

Vimos, pela segunda vez consecutiva, um FC Porto a dar a iniciativa ao adversário, mas não se pense que este FC Porto é submisso ou permissivo. Nada disso. Direi que é um FC Porto bastante pragmático. Faz do seu objectivo prioritário a vitória, independentemente da exibição, do jogo bonito ou da posse de bola. E bem!


Para quê ter 70%, 75% ou 80% de posse de bola, se depois não se criam oportunidades? Por isso, este Dragão prefere controlar o jogo, baseado numa boa consistência defensiva, convida o adversário a avançar no terreno, mas não lhe permite construir jogo. E depois torna-se cínico na forma como ataca a baliza adversária.

Tem-se falado muito da qualidade defensiva do FC Porto e, por inerência, do seu sector mais recuado: Guarda-redes, defesa e trinco. Desde os tempos do Mestre Pedroto que as equipas azuis e brancas foram habituadas a construir de trás para a frente. Começavam por uma boa organização defensiva e depois, sim, passava-se à construção ofensiva.

Foi desta forma que o FC Porto, ao longo dos anos, começou a construir equipas fortes, competitivas, capazes de se bater de igual para igual com os maiores do futebol europeu e a alcançar vitórias jamais imagináveis no comum adepto. Muitas vezes, as equipas do FC Porto de José Maria Pedroto e seus sucessores baseavam o seu jogo neste paradigma. E perante equipas superiores, faziam do rigor tático, da organização defensiva, do contra-golpe e do sacrifício em prol do grupo as suas armas.

Numa época em que o FC Porto manifesta claramente a vontade de voltar a vencer, de quebrar a travessia no deserto que caminha para os 4 anos e de mostrar a todos os seus sócios e adeptos que está aqui para regressar aos tempos de vitória, nada melhor do que jogar como joga e de adoptar a postura que tem sido adoptada nos últimos tempos.


Alguém, nos tempos não muito distantes, lembrar-se-ia ou passar-lhe-ia pela cabeça que, por exemplo, o Brahimi pudesse fazer o trabalho defensivo que faz e os sacrifícios a que se submete em detrimento do seu jogo individual, das suas “rotundas” e da sua capacidade de resolver um jogo? Ninguém no seu perfeito juízo poderia pensar tal coisa.

É evidente que há trabalho feito. É evidente que isto não cai do céu. É claro que o treinador tem a sua responsabilidade e mérito. Mesmo que aqui e acolá, eu veja muitas lacunas nas suas decisões recentes e distantes em vários jogos e em momentos decisivos de alguns jogos.

Sou e fui muito crítico não raras vezes em relação a Nuno Espírito Santo, mas também se for motivo para elogiar, dar-lhe mérito e reconhecer-lhe qualidades, fá-lo-ei sem qualquer tipo de hesitação.

Não sou apologista de NES, nem da forma como dirige e gere a equipa durante os jogos, mas tenho a forte esperança que possa levar esta equipa a bom porto, dando, ainda esta época, uma alegria a todos os sócios e adeptos portistas.

E para terminar este primeiro ponto de análise, há que colocar a cereja no topo do bolo: Soares. O FC Porto terá acertado na mouche ao contratar o brasileiro Soares ao V. Guimarães no mercado de inverno. Com Soares, o FC Porto fica claramente mais forte.

Não apenas mais forte pelos golos que marca. Fica mais forte enquanto equipa. Com Soares, o FC Porto não é tão curto. Com Soares, o FC Porto consegue chegar com mais facilidade à área contrária. O ponta-de-lança brasileiro empresta à equipa agressividade e presença na frente de ataque, para tristeza de muitos idiotas. Por um lado, aos que pretendem passar a hipócrita imagem de que é um jogador faltoso, digo que a “cotovelite” é tramada. Por outro, aos que garantiam que Soares não poderia jogar no jogo desta noite, aconselho a continuarem a “vomitar” asneiras avençadas.


O certo é que Soares jogou, fez jogar, sacrificou-se em prol do grupo, foi um elemento que desgastou a equipa contrária e fez mais um golo. Temos pena!

O FC Porto jogou esta noite no D. Afonso Henriques um jogo importantíssimo na caminhada para o título e obteve mais três pontos preciosos. Os Dragões fizeram um jogo de grande atitude e quebraram um jejum de quase quatro anos sem vencer o V. Guimarães para o campeonato no seu próprio estádio.

Além disso, os Dragões parecem estar em franca ascensão de forma. A regularidade nos resultados e a quinta vitória consecutiva na Liga NOS, assim o indica. É um bom prenúncio para o que aí vem nas próximas semanas.

Os Dragões terão cinco jogos para a Liga NOS antes da deslocação ao Estádio da Luz, sem esquecer de que, pelo meio, os portistas terão dois jogos frente à poderosa Juventus, pentacampeã italiana, a contar para os oitavos-de-final da Champions League.

Perante um V. Guimarães limitado e sem algumas peças no seu xadrez, os Dragões sabiam ao que vinham e sabiam muito bem o que pretendiam esta noite na cidade-berço. Nuno Espírito Santo mudou o onze em relação ao jogo com o Sporting. Preencheu o miolo com A. André e Herrera e relegou Óliver e Corona para o banco de suplentes.

Na primeira parte o jogo foi muito mastigado, muito lento e sem oportunidades de registo. Maxi fez um remate aos 7 minutos à figura de Douglas e aos 10 minutos os vitorianos responder com um remate de Rafael Martins ao lado da baliza de Casillas.


O FC Porto, jogava com agressividade e anulava a tentativa de jogo do V. Guimarães com certa facilidade. Mas o jogo não atava, nem desatava.

Aos 36 minutos, surge o primeiro golo. Lance que começa junto à linha de fundo no pé esquerdo de Alex Telles com um cruzamento para a cabeça de Herrera. A bola sobra para André Silva (irreconhecível) que numa tentativa de remate, desmarcou e isolou Soares. A defensiva do V. Guimarães ficou parada, pouco lesta a deixar o avançado portista em jogo na cara de Douglas que só teve que picar a bola para a baliza.

O FC Porto colocava-se na frente do marcador sem ter feito nada para tal mas é assim que muitas vezes se vencem jogos e, quiçá, campeonatos. A eficácia, o pragmatismo e o cinismo muitas vezes resolvem partidas.

A fechar o primeiro tempo, Casillas ainda seguiu uma bola com os olhos quando Raphinha rematou de fora da área com a bola a passar junto ao seu poste esquerdo.

De regresso do intervalo, o FC Porto manteve o mesmo onze. Tal como com o Sporting, mas menos visível, os Dragões deveriam, no meu ponto de vista, fazer mudanças. NES tem outra ideia e o jogo reata com a mesma nuance.

Só aos 65 minutos é que o treinador portista operou a primeira mudança. Corona entrou para o lugar do inexistente André Silva. O jovem avançado portista que já vinha em decrescendo de forma, antes da chegada de Soares, começa a dar sinais de completo apagão na equipa azul e branca. Uns jogos de fora ou no banco, talvez lhe fizessem bem.

A partir daqui o FC Porto passou para o seu tradicional 4x3x3, numa altura em que o V. Guimarães ia revelando sinais de desgaste e incapaz de encontrar soluções para contrariar os Dragões. Os portistas começaram a subir mais no terreno e a criar dificuldades na defensiva vitoriana, nomeadamente por Felipe e Danilo.


Esta tendência aumentou quando Brahimi cedeu o lugar a Diogo Jota e quando Óliver Torres substituiu A. André. O avançado português criou no espaço de 10 minutos três oportunidades de golo, concretizando a terceira após uma desmarcação em profundidade de Alex Telles. O resultado estava feito aos 86 minutos.

O jogo terminaria pouco depois com mais três pontos que recolocaram o FC Porto colado ao líder. Os Dragões recebem o Tondela na próxima Sexta-feira a contar para a 22ª Jornada e poderão chegar à liderança, aguardando pelo jogo do líder em Braga dois dias depois.

O jogo com o Tondela antecede o regresso à Champions League, prova em que o FC Porto vai defrontar a Juventus no Estádio do Dragão na Quarta-feira dia 22 de Fevereiro. Mas o objectivo imediato são os três pontos da próxima Sexta-feira.

Destaque final para a grande moldura humana no Estádio D. Afonso Henriques e o apoio maciço que os Dragões tiveram nesta visita a Guimarães. Estimam-se que estiveram cerca de 5.000 adeptos azuis e brancos nas bancadas.



DECLARAÇÕES

Nuno: “Os jogadores deixaram tudo em campo”

Vitória importante
“Uma vitória importante, em casa de uma grande equipa, apoiada, que tinha o apoio do seu público, e onde é sempre complicado para o FC Porto jogar. Nós conseguimos o mais importante que era vencer e fizemo-lo de uma forma convincente e dominadora. Alcançámos o objetivo a que nos tínhamos proposto hoje, estamos na melhoria da nossa produção fora de casa. O importante foi a conquista dos três pontos e continuar na luta.”


Três pontos justos
“Tivemos muitas oportunidades de golo e não me recordo de uma defesa do Iker Casillas, a não ser uma em que o adversário já estava em fora de jogo. Fomos sólidos defensivamente, pressionámos o adversário para que não construísse o seu jogo e conseguimos chegar ao golo na primeira parte, mantendo o jogo sob controlo de uma forma muito dominador. Na segunda parte podíamos ter feito o golo mais cedo. O triunfo é merecido.”

As escolhas e as soluções
“Era o onze que achávamos melhor para este jogo. O que pretendemos é que a equipa esteja capacitada para ser versátil e para responder de forma adequada ao que o momento do jogo pede. Temos várias opções no plantel e isso é que deve ser salientado. O que para nós é fundamental é o dia-a-dia, a maneira como os jogadores trabalham e se aplicam é que faz com que nós, equipa técnica, procuremos sempre tomar as melhores decisões e tirar partido dos melhores momentos dos jogadores. Foram estes hoje, fizeram todos um bom trabalho, mas se tivessem sido outros, o trabalho teria sido igualmente positivo. Isto é que os faz acreditar que a grande força do FC Porto é o grupo, a maneira como ele trabalho e a sua união em torno de um único objetivo.”

Agradecimento ao 12.º jogador
“O FC Porto tem a obrigação de vencer sempre os seus jogos. Estamos na procura de melhorar a nossa prestação fora de casa e só temos que agradecer o apoio que tivemos hoje, com a presença maciça dos nossos adeptos, que nos fizeram sentir em casa, como se estivéssemos a jogar no Estádio do Dragão. A melhor maneira que temos de retribuir é com o trabalho que fazemos em campo. Os jogadores deixaram em campo tudo o que tinham e isso é que é importante.”

Os desafios que se aproximam
“Sabemos que se aproximam grandes desafios. O próximo é já na sexta-feira, esse é o mais importante e a nossa obrigação é a de vencer.”

O contributo de Soares
“Temos a consciência de que a chegada de novos jogadores desde o momento em que o mercado abriu teria que ser muito assertiva. O Soares veio dar-nos mais soluções, equilibrou o plantel e é bom que tenha dado resposta no jogo passado, no de hoje e que continue essencialmente a contribuir com o seu trabalho para a equipa.”



RESUMO DO JOGO

POR UMA CIDADE, POR UM CLUBE!


Quando o FC Porto defronta um dos rivais da capital, está em causa muito mais do que um jogo, como é fácil de imaginar. Está em causa o confronto entre jogadores rivais, treinadores rivais, presidentes rivais, e acima de tudo e o mais importante, adeptos rivais. Instituições que lutam pelos mesmos objectivos e que ao longo de décadas se cruzam para ver quem leva a melhor sobre quem.

No caso do jogo ser contra um dos rivais da capital, essa rivalidade ultrapassa fronteiras. Está em jogo a defesa não só do clube, como da cidade, da região. Entra em campo o FC Porto, apoiado pelos seus fiéis adeptos, as gentes do Norte do país, o orgulho e a raça tripeira, os valores da Invicta, tudo conta nestas alturas e tudo aquilo que amamos e que desde pequenos aprendemos, é tudo aquilo pelo qual lutamos.


Do outro lado estão os nosso rivais, um clube que nos odeia e tenta por tudo ostracizar-nos, um clube que representa a “capital do Império” onde todos pensam estar acima da lei. Um clube que julga que o resto de Portugal é paisagem. Vamos a eles.

Vieram à Invicta e levaram que contar. Mostrámos que estamos vivos, arrecadámos os três pontos e vamos lutar até ao fim pelo 28º campeonato da nossa história!! (mais 10 do que eles!!)

Um estádio praticamente lotado. 47500 Dragões nas bancadas puxaram pelo FC Porto. Cerca de 2500 lagartos no sector visitante do nosso estádio. O momento alto, para além do bis do Tiquinho e da defesa do Casillas, foi mesmo a entrada das equipas e as coreografias apresentadas pelas nossas claques. Coreografias essas que rapidamente se espalharam e foram elogiadas em todo o lado, não só a nível nacional como internacional.


Os Super Dragões e o Colectivo brindaram a equipa e os portistas presentes com dois “tiffos” extraordinários. Se na Norte se apelou aos tais valores tripeiros que inicialmente falei, simbolizando a cidade Invicta como motivação para a vitória, na superior sul os Super Dragões responderam bem à história do “REC” tão badalada para os lados da lagartada. Há coisas fáceis de copiar, outras nem que quisessem conseguiriam igualar. O retrato de Pinto da Costa foi estendido num pano gigante, juntamente com várias das taças nacionais e internacionais que conquistou desde 1982.

O apoio vocal foi bom de parte a parte, tanto dos grupos da casa como do sector visitante. Ambiente de clássico, não faltaram as habituais picardias que caracterizam este tipo de jogos.

Estamos na luta, apenas um ponto nos separa do primeiro lugar e dependemos só de nós. Continuaremos em todos os jogos como até aqui, de Norte a Sul, das ilhas à Europa, fazer com que o FC Porto atinja os seus objectivos.

Um abraço ultra.

10 fevereiro, 2017

FOTO MÍSTICA #3 - Costinha [2004]


O FOTO-MÍSTICA é um espaço de registo e divulgação da história do FUTEBOL CLUBE DO PORTO. O objectivo é recordar os seus momentos, os seus valores, os seus princípios, a sua cultura, a sua marca, a sua dimensão, as suas gentes. Numa palavra: a sua MÍSTICA. Todos são convidados a participar nesta viagem. Se pretenderem ver divulgada uma fotografia em especial, podem enviar e-mail para rodalma@hotmail.com.



Época: 2003/2004.
Local: Old Trafford, Manchester, Inglaterra.
Data: 09.03.2004.
Resultado: Manchester United 1 x 1 FC Porto.
Aparecem na fotografia: Costinha, Nuno Valente, Wes Brown, Phil Neville.
Poucos golos na história recente do FC Porto serão tão decisivos e emblemáticos como este de Costinha, a 9 de Março de 2004. Na 1ª mão desses oitavos-de-final da Champions League, Benedict McCarthy havia semeado a esperança no coração dos portistas, ao protagonizar uma das mais belas reviravoltas europeias do Dragão, fazendo Sir Alex Ferguson corar de vergonha, ele que após o sorteio tinha referido que o FC Porto comprava os títulos no supermercado. Mas os red devils no seu reduto seriam uma prova dura de superar. Bastaria para isso lembrar o histórico de deslocações portistas àquela cidade britânica: 5x2 em 1977 (com 2 golos de Séninho) e 4x0 vinte anos depois, quando Oliveira decidiu inventar o centro-campista Costa a titular.

Em 2004, Jorge Costa e Vítor Baía, os dois grandes capitães, encabeçam a entrada do FC Porto no relvado inglês. Nunca, até aí, uma equipa portuguesa havia deixado as terras de Sua Majestade com um resultado que não a derrota.

Os primeiros minutos não desmentem a tradição e são de sufoco para o FC Porto, com Paul Scholes a abrir o activo. Pouco depois o mesmo Scholes bisa na partida, mas o golo é (mal) anulado. Van Nistelrooy, o melhor ponta-de-lança do mundo da altura, é uma autêntica seta apontada à baliza de Baía. Giggs, também ele, dá água pela barba à defensiva portista. Na segunda parte, o FC Porto finalmente cresce no jogo e começa a mostrar o porquê de ser o vencedor em título da Taça UEFA. A pressão aumenta e, nos minutos finais, os azuis-e-brancos cercam por completo a baliza do Manchester United, silenciando Old Trafford. O Ministro, como era chamado, decide então a eliminatória mesmo em cima dos 90 minutos, ficando para a posteridade como O Herói de Old Trafford. Enquadremos, pois, o momento da fotografia.

O cronómetro marca 89 minutos. Jankauskas, o gigante lituano, ganha uma falta a meia distância da baliza de Tim Howard. Era a última esperança da nação azul e branca. Não há com certeza um único portista de gema que não se lembre daqueles momentos: uns, como eu, ter-se-ão ajoelhado no tapete da sala, defronte do pequeno ecrã; outros terão acendido uma velinha; alguns terão voltado costas à televisão; uns poucos terão fechado os olhos. Sabíamos que para se ganhar uma Champions não bastava ter talento e bom futebol, era preciso também um pouco de sorte. Se não fosse naquele ano nunca mais seria, tinha de ser ali. Anos e anos de azares na Europa, de erros forçados, de oportunidades perdidas, de arbitragens mais que duvidosas (Hugh Dallas em Munique, quatro anos antes, ainda era uma espinha encravada na garganta)… a vingança teria que ser ali. Aquele era o momento!

Pressentia-se algo no ar. A força da história, a mística, algo surgia ali, invisível mas palpável. A televisão foca então dois miúdos tipicamente ingleses, ruivos, de sardas. Um deles junta as mãos e como que reza, para evitar o pior. Logo depois surge outro adepto britânico na imagem, dos seus cinquentas, a tapar metade da cara como uma criança, como que a não querer ver o que está prestes a suceder. No fundo, era o destino que ali se desenhava, impossível de contrariar. Junto à bola estão três homens: McCarthy, Ricardo Fernandes e Deco. O luso-brasileiro é o primeiro a afastar-se. Sobram dois, mas parece claro que será o sul-africano a bater. Benni McCarthy respira fundo e parte para a bola, o remate sai forte e tenso e o esférico parece ganhar velocidade e efeito à medida que se dirige para a baliza. Tim Howard não esperava um missíl com aquela trajectória e é com dificuldade que rechaça a bola para frente, antes de embater com violência no ferro da baliza.

E então é aí que se faz história, já em cima do minuto 90. Como tantas vezes com Mourinho, Costinha surge ao segundo poste para a recarga, como se estivesse à espera toda a sua vida que a bola ali fosse cair. O remate é feito meio no chão, a bola sai meio enrolada, mas entra a meia altura, perto do poste contrário, pese embora a agilidade de Howard.

Costinha voa então para a bandeirola de canto, de braços abertos, ciente que está de este ser o golo da sua vida. Vai com as golas da camisa levantadas como é seu timbre, fazendo lembrar outro herói daquele recinto – Cantona. Para cima dele correm todos os outros jogadores. José Mourinho, também ele, protagoniza então um dos mais míticos festejos de que há memória num treinador, saltando da tradicional área dos managers para mergulhar no mar de jogadores amontoados naquele canto do relvado. Nunca como aí o nome que Bobby Charlton inventou para Old Trafford fez tanto sentido: Teatro dos Sonhos. Um sonho, isso mesmo se tratava.

É um momento que marca tudo. Uma época, uma caminhada, uma carreira, um clube.

Tratavam-se apenas dos oitavos-de-final da competição, mas os portistas conheciam aquela equipa melhor que ninguém e sabiam bem do seu potencial. Depois daquilo, a final era o objectivo. Talvez por isso, e ao contrário do habitual, concentram-se nos Aliados não para festejar um troféu, mas sim uma mera vitória numa eliminatória. No entanto, no ar sentia-se outra coisa, o perfume era outro, os ventos eram de vitória. Quem não sente não entende. Quem não viveu, esperemos que viva para vivê-lo.

O avião que chega de Manchester é recebido por milhares de adeptos no Sá Carneiro. Os jogadores mostram-se felizes, embora não eufóricos. Sabiam que havia um longo caminho a percorrer, mas que o mais difícil estava feito. Os ventos sopravam a seu favor. Eram os ventos da história, blowing in the wind...

Olhando para trás, com a frieza que só o tempo permite, parece inegável que foi ali que o FC Porto ganhou a segunda Liga dos Campeões da sua história. Uma Equipa mítica, um Treinador mítico, um Presidente mítico. Depois deste golo de Costinha, um novo vocábulo entrava no dicionário dos portistas e todos os caminhos iam dar a Gelsenkirschen.

FONTES UTILIZADAS, A QUEM AGRADECEMOS:
  • BBC News
  • MaisFutebol
  • UEFA
  • Filhos do Dragão
  • Malha Azul e Branca
  • Basculação
Rodrigo de Almada Martins