05 dezembro, 2016

“CONFORTAVELMENTE ENTORPECIDO” *


“I turned to look but it was gone,
I cannot put my finger on it now,
The child is grown,
The dream is gone.
And I... have become
comfortably numb.”
Largos dias tem este livro. Largos dias tive para o ler, seguramente vários múltiplos de 100, mas apenas recentemente o fiz, até porque apenas há alguns meses cedi ao ímpeto de o comprar e em super-irrecusável promoção. Não deixa de ser a Mãe de todas as Ironias fazê-lo só agora, deixá-lo só para agora, lê-lo só agora. Agora que o clube por ele lenta e dedicada e incansavelmente erguido e afirmado definha, agora que a glória é apenas uma cada vez mais distante memória, agora que as lentes douradas com que víamos o mundo foram substituídas por umas bem mais pardacentas (tristes, tristes, desoladoras que são!), agora que o seu brilho e estatuto de lenda ou semi-lenda dão tristemente lugar à crítica, ao quase insulto, ao completo escárnio e à mais total descrença, num hino puro à monumental e fatídica injustiça dos Homens, incrível capricho dos deuses.

Com a promessa de terem sido escritas pelo punho único e sempre mordaz do nosso Presidente, as páginas autobiográficas deste livro bonitito, esteticamente apelativo, não reservariam surpresas até porque conhecidos eram os desfechos, as histórias, os factos, as pessoas, não acreditando pois -- quando embarquei na aventura -- em grandes, surpreendentes e sumarentas revelações. Mas viradas as 252 páginas que se lêem muito facilmente, paramos para pensar. Uns 37 segundos mais 14 nanossegundos de silêncio e... vemos já não somos a mesma pessoa. Eu, pelo menos, saí diferente da experiência. Mais pensativa. “Será ele, Jorge Nuno – hoje -- a mesma pessoa? A pessoa que entrou no clube em 1958? A pessoa que permanece no clube neste 2016?”


Até que ponto tudo o que ele escreve do fundo e confins da SUA memória, da sua verdade e frontalidade é efectivamente real? Até que ponto tudo em que acreditávamos como pedras basilares da nossa filosofia enquanto clube é autêntico e não retorcido, distorcido, embelezado? A dúvida instala-se e já faz sombra, mais ainda agora nos dias curtos deste quase Inverno. A desconfiança brotou e começa a infiltrar-se, de mansinho em mim. Terá sido este livro (aliado à presente e pornográfica realidade) a mola para desmistificar e desconstruir um Homem que sempre adorei e admirei e tive como referência máxima de bravura, revolta, rebelião, insurgência, idealismo e amor puro e desinteressado a uma causa que por mero acaso e feliz coincidência era a minha? Ah, o despeito, a mágoa… que tudo transformam e moldam! A perfídia. Entre outros factos “oferecidos” pelo cérebro vivo e vivaço do Presidente e bem patentes nas páginas lidas, retive dois que julgo moldam como nenhum outro a sua personalidade pública: 1. A total deferência, a graxa repetitiva e a vassalagem para com alguns “peões” importantinhos que o apoiaram a dado momento de dificuldade, algo que NUNCA esquece (v. acontecimentos desta semana). 2. As “mariquices” e as renitências e as reservas que sempre mostrou ter em aceitar os mais diferentes cargos e estatutos ao longo da sua carreira desportiva no nosso clube ou fora dele, desde os tempos de vogal, chefe de secção, a director do departamento de futebol até em 1982 se consumar no Presidente que todos conhecemos, de que todos nos orgulhamos.

Como se explica tanta relutância em entrar, em permanecer, quando praticamente todos queriam que entrasse e fosse ficando, e tanta obstinação hoje em sair, quando tantos pedem que renuncie? Como se explica o silêncio autista de hoje face ao discurso apaixonado, incómodo e inflamado de outrora? As contradições do livro em colisão com a realidade que hoje confrontamos chega a ser chocante.

“A nossa vida é tão curta, que não podemos dar-nos ao luxo de ser apenas espectadores passivos em relação aos factos, aos acontecimentos que nos emocionam. Há ocasiões únicas em que, ou somos determinados e tentamos dar o nosso contributo para a glória daquilo em que acreditamos, ou desistimos, e optamos por ser apenas mais um número anónimo [….]”.

“Aquela imagem do choro dos nossos emigrantes na Alemanha, tristes com a derrota de uma equipa portuguesa – no caso, o FC Porto – nunca mais me abandonou, até por perceber como na circunstância em que se encontram aqueles homens e mulheres, é para eles de uma importância inimaginável, no dia seguinte poderem olhar os outros de frente, orgulhosos pelo triunfo dos seus. Essa consciência obriga-me, sempre que nos deslocamos ao estrangeiro, a pedir a todos um empenho e um esforço suplementares… [….]”.

“(…) sou convidado a ir aos estúdios da RTP para responder às ameaças da Federação. Ali, em directo, exijo que não se metam connosco, pois no nosso emblema existe um Dragão, símbolo de uma cidade que estava adormecida, mas poderia a qualquer momento levantar-se em defesa do “seu” clube. Na reunião seguinte, é-me solicitado pelo Presidente que não fale mais no “Dragão”, porque poderia representar um espírito muito guerreiro [….]”.

“Habituados que estavam os nossos adeptos e associados às vitórias e a um tipo de atitude dos seus dirigentes que se traduzia num inconformismo e reacção ao centralismo que cada vez mais no futebol (como em tudo, em geral) acontecia no nosso país, vai crescendo um movimento de mudança, na esperança de alterar o rumo dos acontecimentos”.

“Estávamos eleitos. Uma nova era começava no FC Porto, mesmo se naquele dia, nenhum de nós, nem no mais estapafúrdio dos seus sonhos, alguma vez se atrevera a pensar que o clube que ali despontava, sendo o mesmo de sempre, seria diferente de tudo quanto até ali se conhecera”.

“Foram palavras que ainda hoje relembro, e de grande importância para a minha vontade de servir (…) Acrescentei que considerava estar o FC Porto numa corrida que teve início e não terá fim. Por isso, era uma honra para mim receber o testemunho das suas mãos, para o entregar daí a dois anos a quem quer que fosse”.

“Entendi, a minha Direcção entendeu, que aceitar esta situação era “aninhar” ao princípio de “Lisboa quer, pode e manda”. (…) mas sim um asssumir do carácter das gentes do Porto, o bater o pé ao modo como em Lisboa se olhava (e ainda se olha!) para o resto do País: mera paisagem(…)”.

“Passámos de clube simpático que muito raramente arranhava os poderes estabelecidos, para um clube de dimensão mundial”.

“Só que nós nunca ficaremos cansados de vencer”.

“Se o ambiente criado era para intimidar os nossos jogadores, o tiro saiu-lhes pela culatra como costuma dizer o nosso povo. Ainda não perceberam que, quanto maiores são as dificuldades, quanto mais aumentam as adversidades e quanto mais forte é a pressão, tanto mais a nossa equipa se agiganta e demonstra por que é que, ao longo destes anos, venceu tudo o que venceu”.
Mas onde está este Presidente? ONDE? Perdeu-se nas brumas do tempo, na espuma dos anos? Onde está este querer, esta vontade de servir, de ser útil, este sentimento, esta emoção, esta vontade de resposta, este espírito, todo este fogo? Onde está o sonho? O que mudou? Onde está este Presidente? Foi lobotomizado numa das operações a que foi infelizmente submetido? Quem o entorpeceu? Quem o adormeceu assim tão confortavelmente que até se nos parte o coração por o termos de acordar?

Presidente, Meu Presidente, meu querido Presidente: não será já suficiente? Não basta de agonia? Para si, para nós? Quando – atrever-me-ia a dizer, mais de 80% dos associados e adeptos já lhe aponta o dedo e/ou pede a sua cabeça? Há algo que pessoa alguma pode contestar: você ama o clube tanto ou mais que ninguém. Pois se lhe deu Vida, pois se lhe deu a sua vida, se o mimou, se o curou e tratou e agigantou, dias e noites, tantos dias, tantas noites. Porquê agora pôr tudo isso a perder? Todos esses dias? Todas essas noites? Toda essa maravilhosa obra? Está na hora de passar o testemunho que recebeu naquele dia e àquela hora das mãos de Américo de Sá. De dar o lugar a quem sonhe, a quem a alma diga não a perseguições, maquinações, racismos e centralismos, a quem se exalte e se encha de labareda, e possa voltar a pôr o nosso Porto, seu e meu, na tal da corrida que um dia começou e que não terá fim.

Sabe aquela frase feita “Vencer é o que acontece quando te cansas de perder”? Consigo foram anos e anos a fio a vencer e, agora, como que se cansou de ganhar. As suas pernas estão gastas de tanto correr, se adiantar e driblar, o seu coração generoso e abnegado está exausto. A voz calou-se ou já ninguém o ouve. Já não há fome ou sede. O fogo extinguiu-se. O sonho morreu. Está na hora. Ouça-me, Presidente. Chegou o momento. É este. ELES planearam atirar-nos aos lobos e NÓS, pelo caminho, fomos ajudando quando os subestimámos, quando pensámos que o que tínhamos seria eterno e que podíamos viver dos juros. Precisamos de ressurgir com tudo, de voltar e a liderar o raio da matilha. Recuperar o que é nosso. Não desperdicemos nem mais um minuto, já que cada um deles dói e faz mossa. Está na hora. O clube precisa de si.

* O mesmo nome, na mesma semana, hmmmmmmm... no mínimo esquisito, Lápis Azul e Branco. Ainda que tenhas registado primeiro, juro, juro pelo campeonato desta época que a patente é minha e do Roger Waters, pelo que isso não se faz a ninguém, andar na mente dos outros a usurpar ideias pinkfloydianas para títulos de crónicas, ts, ts, ts! É caso para se dizer: “Great minds think alike, and fools seldom differ”. ;)

03 dezembro, 2016

RUI PEDRO, O EXORCISTA.


FC PORTO-BRAGA, 1-0

Sexto jogo consecutivo e sexto empate a ameaçar. O FC Porto arriscou o sexto empate consecutivo e ameaçou bater todos os recordes de que há memória. Num jogo electrizante com sentido único, os Dragões experimentaram todos os azares possíveis na concretização.

Os portistas tiveram de tudo. Desde golos anulados, penalti falhado, bolas no ferro e um super-marafona que quando joga lá para baixo, envergonha a classe dos guarda-redes. Ontem o guardião bracarense defendeu tudo o que havia para defender. E, além disso, tudo o que se dirigia para a sua baliza, batia no seu corpo.


Pela segunda vez consecutiva, o FC Porto jogou contra 10 mas a dificuldade em concretizar essa superioridade torna-se gritante. Primeiro pelos azares já acima focados e depois pela ansiedade e intranquilidade dos Dragões na hora da finalização.

O Sp. Braga entrou no jogo para não perder. Nos primeiros minutos tentou segurar o ímpeto portista mas não conseguiu. E quando tentava sair para o contra-golpe, esbarrava sempre na defensiva dos portistas.

Virem dizer como vi dizer que o Sp. Braga equilibrou o jogo enquanto teve 11 em campo e que se bateu com o FC Porto é digno de um “cego” que não vê mais que o vermelho do seu equipamento e só revela desonestidade intelectual.

Virem dizer que a expulsão é mal assinalada, bem como o penalty é revelar mau perder. É olhar apenas para a sua pequenez e não se aperceber da vergonha de equipa que foi este Sp. Braga. Desde muito cedo, mostrou estar ali para fazer unicamente anti-jogo e não criou uma única situação de perigo para a baliza portista. Casillas acampou no relvado.

Quando cheguei ao fim do jogo e vi braguistas (antigos benfiquistas) e bracarenses (benfiquistas que não são braguistas quando o seu benfica joga) muito escandalizados, apenas posso fazer uma coisa: ter compreensão, paciência e pena. Deviam olhar para o discurso do seu técnico mas como não têm vergonha na cara, só mostram a “lampionada” de que padecem.


Antes de dizer que não é motivo para expulsão, que leiam bem as regras mesmo que tenham sido alteradas. A lei actual diz que se o jogador for para a baliza isolado e for derrubado por um adversário que tenta jogar a bola, deve ser exibido o cartão amarelo. Ora o sujeitinho do Sp. Braga que eu saiba não pode jogar com as mãos e, portanto, não procurou disputar a bola.

Por outro lado, antes de afirmarem que não é penalty que vejam bem o lance e verifiquem onde começa a falta e onde acaba a mesma. A lei também é muito clara. Toda a falta que começa fora da grande área e termina dentro da grande área, deve ser assinalada a respectiva grande penalidade.

Mas por aí, portistas, estamos à vontade porque o penalty não foi convertido em golo. Pela expulsão, aos benfiquistas e aos braguistas, só digo que estejam calados e que façam melhor do que a miséria que mostraram no relvado.

Por fim, insurgirem-se contra os 7 minutos de desconto é brincar com quem quer jogar à bola. Passar a vida a demorar a repor a bola em jogo e simular lesões atrás de lesões, é vergonhoso. Marafona, tem vergonha!

Ao intervalo o resultado era extremamente injusto perante o que se viu. Um penalti falhado, três oportunidades clamorosas de golo, nomeadamente de Óliver e Diogo Jota e uma bola no poste de Danilo. Do Sp. Braga: nada, zero, nicles. Apenas Marafonice que rima com matreirice.


Na segunda metade: que caudal ofensivo! Que massacre! Que noite atribulada! Que azar! E muita marafonice, qual frangueiro no galinheiro da luz. André Silva, Diogo Jota, Óliver, Brahimi, Maxi, Corona… Por mais que se tentasse, a bola não entrava na baliza de Marafona. E quando entrou por duas vezes, os golos foram (bem) anulados. As oportunidades eram constantemente desperdiçadas ou salvas pelo guarda-redes que só brilha contra o Dragão.

Até que ao minuto 95 numa das 1001 tentativas de chegar ao golo, o FC Porto interrompeu um período de 525 minutos sem marcar um golo. Diogo Jota de costas isola Rui Pedro e este, à saída de Marafona, pica-lhe a bola com classe, repondo uma justiça (muito) tardia.

Rui Pedro foi o exorcista de serviço que impediu o 6º nulo seguido. Desta forma, poderá ter injectado um índice de confiança que esta equipa precisa para continuar a lutar pelas provas que o FC Porto tem pela frente.

Destaco esta noite a equipa toda do FC Porto, staff incluído. A união visível entre todos, a crença, a vontade, a perseverança e a resiliência de todos os jogadores. Apesar de ainda não formarem uma boa equipa e de terem muito caminho a percorrer pela frente, todos nós portistas esperamos que apesar de tudo o que se possa passar à volta, esta equipa venha a fazer algo de bonito na presente época.


Deixem-se lá de Depoitres, Maregas e afins e apostem na formação e na prata da casa onde há muita gente com garra e vontade de vestir de azul e branco com capacidade para chegar à vitória. Hoje foi a vez de Rui Pedro.

Os outros dispensáveis só estão cá a encher os bolsos.

Esta vitória e a forma como foi obtida pode dar um índice de confiança extra para enfrentar os campeões ingleses na próxima 4ª feira e, desta forma, carimbar o passaporte para os oitavos-de-final da Champions League.

O FC Porto obteve um importantíssimo triunfo porque foi perante um adversário tradicionalmente complicado.

Aproveitou a derrota do 1º classificado para reduzir a diferença e, desta forma, estará em condições de também aproveitar no próximo fim-de-semana para recuperar mais alguns pontos que irão ser desperdiçados, inevitavelmente, pelos dois primeiros classificados ou, pelo menos, por um deles.




DECLARAÇÕES

Nuno: “Não nos vamos render”

Alegria pelos adeptos
“Estou feliz essencialmente pelos jogadores e principalmente pelo Dragão, pelo apoio que nos deu o Dragão merecia esta vitória. Depois de alguns resultados menos conseguidos, fizemos um jogo sempre dinâmico, sempre dominador, hoje foi por demais evidente o controle total. Foi sofrer até ao fim e no final o Dragão a festejar, juntamente com a equipa, que é importante, sem dúvida.”

Análise do jogo
“A equipa produziu, conseguimos muitíssimas ocasiões. Apareceu o golo no fim mas poderia ter sido antes e a história do jogo teria sido outra. O Braga foi um adversário que se apresentou para disputar o jogo, não se remeteu à defesa, mas quando ficou condicionado, com dez homens, procurou defender bem e a nossa produção aumentou. O importante é a conquista dos três pontos e com este momento potenciar o nosso crescimento e continuar a acreditar, porque não nos vamos render, é esta a mensagem clara.”

Potenciar o crescimento
“Acho que os resultados não têm identificado o jogo que a equipa tem feito. É difícil contrariar as dinâmicas ofensivas do FC Porto, mas temos muitas coisas para melhorar. Vamos potenciar este momento, os jogadores precisavam dele para se libertarem, acreditar no trabalho feito e continuar, porque ainda falta muito campeonato. Quarta-feira há mais um jogo decisivo e vamos apresentar-nos com a mesma ideia de tentar ganhar o jogo e ser dominadores, porque é assim que as equipas crescem.”


O talento de Rui Pedro
“É mais uma opção. Como dizia ontem, nós, como equipa técnica, não abandonamos nenhum jogador, damos a todos as ferramentas. Interpretamos os momentos e tomamos decisões, é para isso que aqui estamos. Hoje foi o Rui Pedro, parabéns, o golo dele valeu três pontos, mas antes apostámos noutros e continuam todos a ser opções.”

A emoção do diretor Luís Gonçalves no banco
“Foi o que o Dragão sentiu. Depois de 30 remates, tantas ocasiões em que não conseguimos marcar, foi um momento de alívio, alegria e de perceber que precisávamos todos deste momento, essencialmente os sócios do Dragão. Foi essa a minha grande satisfação, nós que somos portistas sabemos que quem mais sofre é o nosso adepto.”

A situação na Liga
“Ainda não estamos na posição em que queremos estar. Somámos mais três pontos, estamos mais perto e vamos continuar. Vamos descansar e pensar em quarta-feira.”

A tragédia do Chapecoense
“Todos o sentimos no universo portista. A resposta do Dragão foi uma clara manifestação de apoio aos familiares das vítimas. Sentimos todos a tragédia e sentiram de forma mais particular alguns jogadores, porque tiveram contacto direto com algumas das vítimas, casos do Alex Telles e do Otávio. São momentos duros, especialmente para eles, mas enquanto grupo soubemos apoiá-los. Também tivemos uma fatalidade entre nós, que foi o falecimento do pai do Boly, e a força do grupo está em saber que há um companheiro ao lado em sofrimento e que é preciso apoiá-lo. Todas as homenagens possíveis no mundo do futebol são poucas, porque isto é que nos faz pensar que há muitas coisas importantes para além do jogo.”



RESUMO DO JOGO

SUPER DRAGÕES - 30 ANOS.


Continua a seca de golos. Não há golos, não há vitórias. Não há vitórias, aumenta a contestação. No espaço de quatro dias voltamos a empatar mais duas vezes a zero e desta vez contra o mesmo adversário!!

Ainda estávamos a desfazer as malas da longa viagem à Dinamarca e poucas horas depois já estávamos de partida para a mouraria. Não é uma deslocação ao estádio dos nossos maiores rivais mas ainda assim é uma deslocação à capital, o que já de si é sempre mais apaixonante do que a outro lado qualquer.


Os mesmos de sempre arrancaram em direcção a Lisboa, vestidos de azul e branco. O Restelo é por tradição um local onde o FC Porto tem sempre um forte apoio! A juntar aos núcleos do Porto e arredores, marcaram presença como habitualmente os núcleos do Sul de ambas as claques. A estes se juntaram os restantes adeptos do FC Porto. Mais de mil apoiantes certamente. Estádio muito longe de estar cheio, como também é habitual naquelas bandas. Em relação ao grupo ultra da casa, uma meia dúzia de gatos pingados.

A equipa não merece o esforço que estes ultras fazem e voltou a não conseguir a vitória. Mais 600 quilómetros percorridos, mais um dia inteiro longe de casa, da família e dos amigos. Mas como quem corre por gosto não cansa, terça-feira lá estávamos no Dragão para novo jogo contra o Belenenses. Seja para a taça da Liga, seja num dia de semana às 21h15 e com transmissão na TV em directo e em canal aberto, a nós não nos interessa nada disso e lá estávamos na curva a apoiar.

Novo empate a zero, continuam sem honrar as nossas cores!

Quarta-feira, véspera de feriado, o grupo do costume esteve em São João da Madeira a apoiar o hóquei em patins em mais uma jornada vitoriosa do campeonato. Mostramos mais uma vez que a época é longa e os jogos contam todos três pontos, não apenas quando defrontamos os rivais eu lutam connosco pelo título.


Quinta dia 1, feriado nacional e dia de jantar comemorativo do 30º aniversário dos Super Dragões. A 30 de Novembro de 1986 nascia aquela que é a maior claque do FC Porto e hoje em dia, uma da maiores e mais respeitadas claques a nível europeu.

Foi na bancada dos Super Dragões que escolhi apoiar o FC Porto, ainda no estádio das Antas. Em pequeno, ainda acompanhado do meu pai e do meu tio, na bancada poente do nosso saudoso estádio, passava imenso tempo a olhar para eles, mesmo enquanto o jogo decorria. Em 2006 tive a primeira experiência de assistir a um jogo no meio deles e não mais vi noutro lado. A última década já tive o privilégio de a presenciar no seio da claque, muito graças aos amigos que desde cedo conheci e com quem me identifiquei. Ultras de verdade com quem aprendi muito do que sei hoje e que me ajudaram principalmente nos primeiros tempos.


Só tenho de agradecer ao FC Porto ter feito na curva amigos para a vida, pessoas a quem hoje posso chamar de irmãos, pessoas que vivem o FC Porto como eu. Parabéns a todos os Super Dragões!

Um abraço ultra.

02 dezembro, 2016

01 dezembro, 2016

UMAS ATRÁS DE OUTRAS.


O futebol é o desporto do povo, vive do povo, depende do povo, só faz sentido com o povo.
O povo são os adeptos, são aqueles que amam o desporto, são aqueles que veneram o seu clube... somos todos nós.
O problema é quando o futebol, e essencialmente quem o comanda, começa a borrifar-se para aqueles que alimentam o desporto rei.
No FC Porto parece que há muito se estão a marimbar para o que pensam e o que sentem os sócios.
Nestes últimos dias, têm-se repetido as faltas de respeito pelos associados,
e já nem falo no absurdo rendimento da nossa equipa de futebol. Vamos a exemplos!

1. Há algumas semanas, fiz aqui a contabilidade do número reduzido de jogos em que havíamos envergado o nosso tradicional equipamento azul e branco. Há aqueles que acham que isso é irrelevante, mas felizmente para a maioria dos portistas não é! Vieram logo os entendidos, presidente Pinto da Costa incluído, dizer que a culpa é da Liga porque a isso obriga. Ora, estava eu a aguardar as partidas da 2ª volta para perceber se nos jogos em nossa casa, todos os clubes iriam usar o equipamento alternativo, mas não foi preciso esperar tanto.
No duplo confronto com o Belenenses, os azuis do Restelo usaram o mesmo equipamento em casa e no Dragão... já nós, jogamos de amarelo em Belém e de azul e branco na terça-feira. Tendo isto acontecido, porque não jogamos então no sábado de azul e branco? Foi a Liga que obrigou? Quem deixou? Ou será que não tinham tempo de lavar o equipamento e colocá-lo a secar a tempo de estar pronto para terça-feira? Fica à análise e reflexão do Sr. Presidente Pinto da Costa que, na última Assembleia Geral, garantiu que só não jogamos de equipamento tradicional quando somos forçados.

2. Entretanto, iniciou-se a taça da Liga, essa bela competição!
Da nossa parte, a estreia fica marcada por mais uma exibição absurda, ficando igualmente o registo de se ter marcado a 1ª jornada desta emocionante competição para as 21:15h, em pleno dia de semana, com transmissão direta em canal aberto, numa fase de rendimento desportivo como aquele que é conhecido. Não foi seguramente para os adeptos que este jogo foi agendado.
Mas de facto esta competição é muito própria, e para a qual eu acredito que o FC Porto nem sequer olha. E concluo isto, não só pelos desempenhos num passado recente, mas essencialmente pela não reacção relativa aos moldes e local a disputar a final four.
O FC Porto permitiu, sem protesto ou posição firme que se conheça, que o inovador modelo de final four implementado para este ano, venha a ser disputado no Algarve, com as meias-finais a serem disputadas em pleno dia de semana. Resumidamente, se formos apurados para as meias-finais, jogaremos frente ao vencedor do grupo do slb numa quarta-feira em pleno estádio do Algarve. Se ganharmos, lá voltaremos no domingo seguinte. Ou seja, qualquer adepto da cidade invicta que queira acompanhar a equipa nesta fase final da competição, terá que não trabalhar, no mínimo na quarta-feira e fazê-lo na quinta-feira quase de direta, após percorrer 1200kms. No domingo repete a dose de mais 1200kms e vai trabalhar segunda-feira quase de direta. Ora, 2400kms em 4 dias, com portagens pelo meio e dias de trabalho a meio gás, é caso para agradecer a tão brilhante mente que se lembrou deste modelo. Mas agradecer ainda mais a todos aqueles que supostamente nos deveriam defender, mas que simplesmente não têm voz.
Se isto é proteger os adeptos, se isto é estar preocupado em ter apoio, se isto é cultivar a relação clube/adepto, então está tudo dito sobre esta ligação.


3. Mas, infelizmente, não ficamos por aqui em situações bizarras!
Ficamos esta semana a saber que vamos disputar a 14ª jornada antes da 15ª, tudo a bem de os jogadores do FC Porto poderem entrar de férias mais cedo e mais prolongadas. Ora, tal não deixa de ser hilariante quando ouvimos até à exaustão a resposta repetida e redonda do nosso treinador a dizer que “Temos que trabalhar mais!”. Pois bem, se vão estar mais tempo de férias, significa que vão estar mais tempo sem treinar, mais tempo sem tentar consolidar processos, mais tempo sem apurar a forma física, mais tempo sem tudo. No estado desportivo actual, é de facto um cenário que se compreende e se aceita de bom grado.
Factualmente, os jogos da 14ª e 15ª jornadas são ambos em casa com Chaves e Marítimo respectivamente. Entretanto, foi antecipado o jogo da 15ª jornada frente ao Marítimo para uma quinta-feira (!!!!), dia 15 de Dezembro às 20:30h, e retardado o jogo da 14ª jornada com o Chaves para uma segunda-feira, dia 19 de Dezembro. Desta forma, todas as donzelas que fazem parte do grupo de trabalho e que são pagas a peso de ouro, entram automaticamente de férias, pois só regressam à competição a 30 de Dezembro, novamente no Dragão, para a palpitante recepção ao Feirense para a taça da Liga.
Se eu não estivesse a escrever em público, diria “Vão todos gozar com o C#r%lh&”, mas como estou num espaço que me merece o maior respeito, apenas pergunto que falta de vergonha é esta, que indignidade é esta, que desrespeito é este? É este o caminho? Então estamos conversados...
Boas férias a todas as donzelas, até porque de facto ainda ninguém percebeu se vocês não estão de férias desde Agosto! Divirtam-se, comam como abades, bebam como desalmados, e depois regressem à estância balnear do Dragão para fazerem o obséquio de jogar à bola, afinal aquilo que supostamente vos faz levar algumas dezenas de milhares de euros no final de cada mês.
Mas atenção: a culpa não é dos jogadores! A culpa é de uma estrutura profissional do futebol absolutamente ridícula que permite, patrocina e promove esta situação. Perderam a vergonha, a compostura, e tratam o clube como se fosse o seu quintal, achando que não têm que dar explicações e justificações a ninguém, e desculpem-me a expressão, mas, estão-se cagando para todos nós!

Termino meramente com uma reflexão: Não há ninguém na estrutura do nosso clube que pense e defenda os adeptos? Não existe ninguém que erga a voz para proteger os adeptos e alertar para estas atrocidades? Será que aqueles que semana após semana, jogo após jogo, acompanham no estádio o nosso Porto, são apenas uns meros fantoches?

Até sábado no sítio do costume!

29 novembro, 2016

AÍ VÃO 430…


FC PORTO-BELENENSES, 0-0

Sr. Nuno Espírito Santo, há quantos minutos o FC Porto não marca um golo? Eu respondo: 430 MINUTOS. Quase 5 jogos completos. É de facto impressionante como uma equipa como o FC Porto não consegue abanar as redes. O Sr. Nuno é capaz de ficar na história do clube, batendo um record estrondoso. Mas será que tem a noção de que está a treinar um dos melhores clubes da Europa e do mundo, que venceu tudo o que há para vencer?

Sr. Nuno, isto não é o Rio Ave, nem sequer o Valência. Isto é o FC Porto, um clube que ERA respeitado e temido pelos adversários. Hoje qualquer adversário joga contra a equipa que dirige e pensa logo em vencer e dá o empate como um resultado normal. Até o Belenenses consegue empatar duas vezes consecutivas com V. Exª, mesmo com dez jogadores em campo.


Se calhar no Rio Ave empatar cinco vezes consecutivas e marcar um golo ao benfica é um brilharete. Se calhar no Valência, nem tanto mas no FC Porto, tenha lá paciência. É insustentável.

É incompreensível, inaceitável, inacreditável! Mas eu não lhe posso colocar todas as culpas. Nem sequer a maior parte delas. A culpa não é só sua. Longe de pensar uma coisa dessas! Mas é de quem o promove, de quem o contrata e de quem lhe dá as condições que V. Exª. gostaria de ter mas não tem. Além disso ainda arca com as culpas dos outros e há-de arcar com as vindouras.

Daqui por pouco tempo vamos vê-lo a sair chamuscado pela porta do Dragão e veremos outro prontinho para entrar no forno. As culpas vão continuar a recair nos mesmos. Agora em V. Exª, daqui a um tempo no seu sucessor.

Mas onde eu posso questioná-lo, é quando tento perceber porque é que o Brahimi não é opção para uns jogos importantes e já é opção para uma tacita da liga; é quando tento perceber porque é que o João Carlos Teixeira sofre do mesmo problema do Brahimi, com a agravante de se ter estreado apenas esta noite em jogos oficiais; é quando tento perceber a utilidade de Varela; é quando tento perceber a insistência em Depoitre (qualquer avançado da equipa B ou dos juniores é bem superior) mas aí o Sr. Nuno não tem culpa da sua contratação apesar de ter sido dito que foi a sua aposta; é quando tento descobrir a qualidade do Herrera.


Podemos vir falar em arbitragens, em erros grosseiros em 8, 9 ou 10 jogos em que o FC Porto foi severamente prejudicado pela equipa do apito mas o facto é que o FC Porto não joga nem produz o suficiente para contrariar um pouco esses erros de arbitragem. O FC Porto parece um pouco como as montanhas-russas. Pode fazer um bom jogo e depois passa três ou quatro a “não dar um carro de mato”.

Nulo! Mais uma nulidade deste FC Porto. E novamente contra um Belenenses em inferioridade numérica desde o minuto 40 por expulsão justa de Benny numa entrada sobre R. Neves.

A Taça da Liga, continuo a dizer como sempre disse, é uma prova dispensável mas como está no calendário e tem de ser cumprida, então dê-se oportunidade aos jogadores que pouco ou nada jogam. Foi o que o treinador do FC Porto fez e bem. Mas as opções não são verdadeiras opções. Pelo menos uma boa parte delas.

O jogo desta noite decorreu à semelhança do jogo do Restelo. O FC Porto a tomar as rédeas do encontro e o Belenenses a defender atrás, espreitando o contra-ataque que desta vez nem sequer existiu.


O FC Porto teve alguns bons apontamentos individuais com destaques para Inácio (o estilo lembra-me Alex Sandro mas mais rápido), Rui Pedro (Depoitre que estás cá a fazer?) e João Carlos Teixeira (porque não jogas?).

Na primeira parte, cerca da meia hora de jogo ainda foi anulado um golo limpo (mais um) aos Dragões por fora-de-jogo inexistente a Felipe e perto do intervalo o Belenenses ficou reduzido a 10. Esperava-se que a partir daí o FC Porto teria o jogo facilitado para a etapa complementar.

Puro engano. O FC Porto não desenvolveu futebol convincente, nem sequer ameaçou seriamente a equipa de Belém. Ficam dois registos apenas. Um remate em arco de Brahimi que Ventura defendeu para canto e uma jogada individual muito bonita de Rui Pedro que, depois de tirar dois adversários do caminho, rematou ao poste da baliza azul.

Zero, zero e mais zero! Assim vai o FC Porto na presente época. Com mais um nulo, o Dragão não sabe o que quer dizer golo, baliza, festejo, alegria… Depois de Paulo Fonseca/Luís Castro, Lopetegui/Rui Barros/José Peseiro, temos Nuno Espírito Santo. Quem se seguirá para a fogueira?

Lembram-se do cemitério de treinadores dos anos 90 para os lados de Carnide? Agora parece que há um crematório no reino do Dragão.


A banda da música, no entanto, segue o seu caminho, assobia para o lado e vai definhando até ao momento em que tudo ficar em cinzas. Quando muita gente se aperceber, será tarde demais. O pior cego não é aquele que não vê, mas sim aquele que não quer ver.

Seguem-se dois jogos na agenda do Dragão de importância elevada: recepções ao Sp. Braga (3º classificado com mais um ponto do que o FC Porto) para a Liga NOS e Leicester para a Champions League que decidirá se nos mantemos ou não na liga milionária pelo menos até princípios de Março.



DECLARAÇÕES

Nuno: “O resultado é totalmente injusto”

Falta de golos
“É algo que preocupa, que é injusto acima de tudo pelo trabalho que os jogadores fazem. Não conseguem ver materializado o trabalho, o esforço e a dedicação. Trabalhamos, insistimos e cremos que isto vai acabar e que vamos conseguir reverter a situação. É um problema que é claramente ultrapassável. O caminho é o trabalho: amanhã de manhã começamos a preparar isto para consolidar o que de bom fazemos e para melhorar claramente o que temos de melhorar. Produzimos demasiado para não conseguirmos fazer um golo.”

430 minutos sem marcar
“É a crua realidade dos números, são muitíssimos minutos, mas também são muitíssimas oportunidades criadas pela nossa equipa. Mas também diria que todos esses empates tiveram muitíssimo mais perto de serem vitórias nossas. É verdade que temos que melhorar a eficácia, mas devo sublinhar como contraponto a nossa solidez defensiva em que permitimos pouquíssimos remates aos nossos adversários.


O momento da equipa
“Reconhecemos que o momento que vivemos é difícil. E como estamos conscientes disso, sabemos o trabalho que termos que realizar. A nossa preocupação é saber controlar todos os fatores de tranquilidade e ansiedade, assim como potenciar o nosso aspeto ofensivo. Os nossos adversários sabem disso e optam por uma estratégia de desagaste colocando muitos jogadores atrás da linha da bola, como foi o caso de hoje. O resultado é totalmente injusto.”

Agradecimento aos adeptos
“Fizemos um pedido ao Dragão para nos apoiar, ele apoiou-nos e não fomos merecedores desse apoio. Agradecemos a fé e a paciência que os adeptos tiveram para connosco. No sábado queremos estar à altura do Dragão e dar-lhe a alegria dos três pontos.”

Momento encarado de frente
“Nós somos responsáveis por encontrar os caminhos para materializar a produção que temos feito. O momento é este e encaramo-lo de frente. Amanhã começamos a preparar duas competições diferentes, primeiro o jogo com o Sporting de Braga, depois o jogo com o Leicester, que nos pode dar o acesso aos oitavos da Champions. O momento só tem um caminho, que é o trabalho. Os jogadores estão tristes mas estão conscientes do que fazer.”

Nuno com força
“Se me sinto com a mesma força? Totalmente! Seria injusto pensar em mim neste momento. Penso na equipa. Tenho demasiado respeito por este clube, demasiado respeito pela massa adepta e respeito pela minha profissão, que não me faça amanhã levantar e dar tudo o que tenho.”

Condolências
“Apresentemos os sinceros sentimentos a todos os familiares das vítimas do desastre de avião com a equipa do Chapecoense e também ao Boly, pelo falecimento do seu pai.”



RESUMO DO JOGO

COBARDIAS.


Muitas referências se fazem a Nuno Espírito Santo (NES) na bluegosfera, sobre superlativos escatológicos, ou diminutivos hortícolas, no que respeita às suas abordagens aos jogos. Contudo, a minha opinião vai em sentido absolutamente contrário. NES é um Homem de coragem! Aliás, é preciso sê-lo para aceitar um cargo que tem tudo para correr mal. Primeiro pelo seu parco currículo, que o faz caminhar na corda bamba, sem qualquer rede de proteção para o fracasso. Segundo, porque no minúsculo universo futebolístico nacional, quem não obtiver sucesso ao comando de um grande (e mesmo assim...), tem a sua certidão de óbito desportivo assinada. Terceiro, porque nos últimos 30 anos, este é o pior momento para qualquer treinador pegar no FC Porto, pela margem abaixo de zero que tem ao mínimo contratempo que surja.

Posto isto, há que classificar de injustas e infundadas as críticas de cobardia a NES. Coragem é o que não lhe falta, com ou sem o apadrinhamento de Jorge Mendes.

Avancem quatro a ver se conseguimos marcar um golito...
Quanto à capacidade para desempenhar o cargo... bem, muitas linhas, reticências, dúvidas, interrogações, ou quaisquer outros eufemismos que queiram avançar. Tentando ser justo e equilibrado na análise, penso que NES trouxe uma grande mais-valia ao nosso sistema defensivo. Por sua vez, conseguiu destruir quaisquer valências ofensivas que a equipa tivesse. Lembro-me de os adeptos se queixarem do bocejo de jogo que o sistema de Lopetegui lhes inspirava. Contudo, apesar de agora os jogadores correrem o dobro ou o triplo, os golos marcados e os resultados são bem inferiores comparados com o tempo do basco.

Se analisarmos um jogo do FC Porto actual, é um pequeno motivo de orgulho a dificuldade que os adversários têm em criar-nos oportunidades de golo. No entanto, temos que ser bem condescendentes ao analisar as nossas próprias situações de golo. Se somarmos Chaves, Copenhaga e Restelo, creio que não será exagero dizermos que nesses 300 minutos conseguimos contabilizar uma meia dúzia de situações de golo evidentes. Meia-dúzia! Esse seria o número de oportunidades que estávamos habituados a ver num só jogo do FC Porto. Não em três, contra equipas banais, e com um prolongamento num deles. Esta crua estatística torna a argumentação de Nuno numa redonda falácia. A equipa do FC Porto não está perdulária. O problema da equipa do FC Porto é que simplesmente não consegue criar situações de real perigo para as balizas adversárias.

Chega a ser pornográfica, a quantidade de cruzamentos para a área que não encontram a melhor opção. Ou porque são feitos para a pequena área e os avançados estão na marca de penalty, ou porque são feitos atrasados para a marca de penalty e os avançados estão na pequena área. Já para não referir a enormidade de bolas bombeadas por Casillas ou pelos centrais para a terra de ninguém.

Caramba! Lembro-me dos tempos de chavalo, em que se arranjavam equipas com os rapazes que estivessem nas redondezas da bola, e em meia-hora de jogo já tínhamos o entrosamento como se nos conhecêssemos desde sempre. Como é possível em quase 6 meses de treinos, alguém não dizer aos atletas, que quando um sobe, o outro tem que ficar atrás? E vice-versa? Ou alguém explicar conceitos como tabelas, jogadas de 2x1 ou bolas paradas?

Como a maioria - para não arriscar dizer a totalidade - dos portistas, não posso escamotear a minha presente insatisfação com NES. Dou-lhe o mérito pelo espírito de grupo e equilíbrio defensivo que trouxe à equipa. Contudo é absolutamente frustrante vermos os nossos rapazes a darem tudo em campo, para no final este esforço se resumir a fugazes tiros de pólvora seca. Estando nós em época natalícia, vou recorrer à criança que há em cada um de nós, e acreditar que NES é capaz de treinar processos ofensivos. Aconteça esse feito, e o FC Porto estará recolocado no bom caminho e com uma palavra a dizer no que resta da temporada.

Critique-se, exijam-se melhorias, mas que haja bom senso em todos para não se voltar a entrar na via da guilhotina. Mesmo que, num cenário hipotético, se se fosse contratar o melhor treinador disponível no momento - esse seria sem margens para dúvidas o atual comentador da RTP - só para o último terço da época conseguiríamos ver resultados concretos, após um necessário conhecimento mútuo. Escusado dizer que por essa altura estaríamos a esgrimir uma dura luta pela Europa, ou pior. Na temporada passada bati-me para que a emoção não vencesse a razão. Infelizmente a História validou-me em pleno a argumentação. Na presente temporada, reitero a mesma opinião. Uma eventual mudança de treinador não resolverá os nossos problemas imediatos. Por muitas lacunas que tenha, não considero NES pior do que Paulo Fonseca. E vejam que aquele até já parece ter qualidade...

Decerto que se tivéssemos um filho que enveredasse por maus caminhos, não iríamos abandoná-lo à sua sorte. Tentaríamos ao limite das nossas forças ajudá-lo a ultrapassar esse o momento menos feliz. O FC Porto atual encarna cada vez mais esse filho. Perdido. Ultrajado. Abandonado. Ele precisa de nós e do nosso apoio. Não é a encher a Alameda do Dragão ou Aliados em noites de conquistas que se encontram os melhores portistas. Esses, estão lá sempre.


Fazendo uma pequena viagem no tempo a finais de Maio, numa altura em que diariamente surgiam uma miríade de nomes para substituir Peseiro, não estarei em erro ao assumir que nenhum deles reuniria tanto consenso, motivação e esperança nas hostes portistas, como o de André Villas Boas.

Apesar de nunca ter sido assumido por ninguém, não me acredito minimamente que o técnico não tenha sido sondado atempadamente por Pinto da Costa para essa função, até pelas boas relações que existem entre os dois. Especulação, ou não, a verdade é que o treinador preferiu a inação sabática, em detrimento de socorrer o clube do coração, quando mais de si precisava.

Para surpresa geral, ficamos a saber no início deste mês de Novembro, que por 12 milhões de razões é possível encontrarmos um novo romance. 12 milhões de razões... ou o medo do falhanço.

AS NOSSAS MODALIDADES – RESUMO DO FIM DE SEMANA.



JOGO DA SEMANA

A escolha para jogo da semana recai sobre o único que se realizou no nosso reduto, onde a nossa equipa de ANDEBOL recebeu os vice-campeões austríacos do Bregenz que este ano falharam a Liga dos Campeões com o abc em sua casa.

A equipa trazia do jogo na Áustria uma vantagem de 1 golo, para além dos 28 golos marcados que poderiam ajudar em caso de desempate. Entramos forte no jogo e rapidamente alcançamos uma importante vantagem, o que levou o treinador Robert Hedin, vice-campeão olímpico em 1992 e 1996, a pedir desconto de tempo aos 7 minutos de jogo. Ao intervalo, a vantagem era já de 6 golos (17-11) o que indiciava que o apuramento deveria ser uma realidade.

A segunda parte permitiu dar minutos à generalidade dos atletas para as duras batalhas que se avizinham. O melhor marcador foi António Areia com 7 golos, num resultado final de 31-29, curto para o que se passou dentro das 4 linhas, mas que permitiu alcançar o objetivo do apuramento.

O sorteio ocorrerá agora na próxima 5ª feira, dia 01/12, a (1/12), com estes potenciais adversários, fazendo fé que a sorte esteja do nosso lado e nos permita sonhar com o apuramento para a próxima fase.

Entretanto, o andebol regressa já hoje ao Dragão Caixa com a receção ao Sporting da Horta.


AS OUTRAS MODALIDADES

A equipa de BASQUETEBOL, depois de 3 derrotas consecutivas (2 europeias e na visita a Guimarães), deslocou-se a Ovar e venceu a equipa local. A entrada no jogo foi favorável aos vareiros que chegaram ao fim do 1º período a vencer por 21-18. No entanto, a nossa equipa reagiu bem e ao intervalo a liderança já era nossa por 41-34.

O 3º quarto foi novamente favorável aos campeões nacionais que lideravam por 61-46 ao fim de 30 minutos. O resultado final de 79-66 permitiu o regresso às vitórias.

A nossa equipa desloca-se à Madeira, amanhã, para acerto de calendário em jogo respeitante à 5ª jornada. No sábado, será o regresso do andebol ao Dragão Caixa com a receção à Oliveirense.

Já em relação ao HÓQUEI EM PATINS, deslocação a Bassano para a 2ª jornada da Liga Europeia, onde se pretendia demonstrar que o deslize na receção aos franceses do Mérignac (1-1) tinha sido mero acidente de percurso.

O jogo não se iniciou da melhor forma para as nossas cores, e ao intervalo perdíamos por 1-0. A 2ª parte iniciou-se em modo pesadelo, com o 2-0 a aparecer com um golo de um lampião emprestado ao Bassano. Contudo, este golo do inimigo serviu de despertador para a nossa equipa que em 10 minutos fez 3 golos e viramos o marcador a nosso favor. 5 minutos depois, um velho conhecido, Massimo Tattarani, empatou o jogo e a nossa vida parecia de novo complicar-se mas, a 4 minutos do fim da partida, Reinaldo Mallea fez o 3-4, resultado com que o jogo terminou (jogo completo AQUI).

Entretanto, a equipa volta a jogar amanhã, com a deslocação a S. João da Madeira para acerto de calendário. O regresso a casa, ocorrerá apenas no dia 10/12 com a receção à Oliveirense. Até lá, nova deslocação, no sábado, desta feita a Alverca para defrontar os violadores de regulamentos, o sporting.



Abraco,
Delindro

28 novembro, 2016

COMO SAIR DISTO?


Esta é seguramente a pergunta para um milhão de € que por estes dias deve assaltar a mente de qualquer Portista.

Sinceramente, começo a ficar farto, desgastado e de certa forma resignado, com todos os diagnósticos que têm vindo a ser feitos ao longo das últimas 3 épocas. Das centenas e centenas de teorias, argumentos, teses e dissertações que tenho lido e ouvido, provavelmente, mais de metade delas são verdadeiras e coincidentes com a realidade dos factos. O grande problema, quanto a mim, continua a não ser o diagnóstico dos problemas, mas sim, a forma mais adequada de os resolver.

Dito por outras palavras, julgo que neste momento dificílimo da época, em que dá a clara ideia de que se jogássemos amanha com uma qualquer equipa do distrital não teríamos capacidade para sequer marcar um golo, há que, como se diz na gíria popular, "chamar os bois pelos seus nomes". Há que dizer claramente as coisas, sem "paninhos quentes", nem eufemismos desnecessários. O cenário é complexo, a fase atual é delicadíssima, o futuro próximo, julgo que nem o mais otimista dos Portistas augurará algo de bom para esta equipa.

É triste e dilacerante para mim, enquanto Portista, constatar que a 27 de Novembro de 2016, o FC Porto está perigosamente próximo de chegar ao início de 2017 e não ter vivo nenhum dos objetivos a que se propôs. Mais assustador, é pensar que nas últimas 3 épocas, chegamos sempre a meados de Janeiro/Fevereiro na luta pelos objetivos, com hipóteses, por mínimas que fossem. Neste momento, olho para o calendário e temo que até ao final do ano se perca mais um objetivo (Champions) e a liderança fique a uma distância que possa já roçar o limite do vergonhoso. Sim, há limites da vergonha e do pudor que os jogadores, treinador e SAD deviam ter bem presentes, até por tudo aquilo que se tem passado ao longo desses 3 anos de seca. Parece que não, parece que ainda não vimos tudo nesse último triénio, parece que o fundo ainda pode ser mais fundo.

No dia 12 de Abril deste ano, após o Presidente ter decretado o "bater no fundo", na sequência de mais uma vergonhosa derrota, dessa vez em pleno Dragão com o Tondela, escrevi neste blog um post que, INFELIZMENTE, está mais atual que nunca. Infelizmente, poderia repeti-lo neste momento, porque é exatamente o que penso de tudo isto. Nesse post, apresentava algumas soluções que, quanto a mim, poderiam tornar o futuro do FC Porto mais risonho. Mais do que repetir os argumentos por mim utilizados naquele post, gostaria de fazer agora uma espécie de acompanhamento/controlo do que foi ou não feito. O objetivo não é dizer que o presente acabou por me dar razão, o facto de eu ter razão num assunto relacionado com o FC Porto não me traz qualquer tipo de felicidade, trocaria mil razões dessas pelas vitórias do FC Porto.

Ainda assim, o cansaço de andar a repetir argumentos até à exaustão nos últimos 3 anos, não me impedem de voltar a relembrar algumas das coisas que na altura escrevi:
  • Sobre o plantel? Escrevia eu na altura: "já se ultrapassaram todos os limites possíveis e imaginários na presente época, têm-se passado coisas demasiado graves em várias esferas com impacto significativo dentro de campo. Com toda a frontalidade possível e porque o tempo agora é de chamar mesmo os "bois pelos seus nomes" (já chega de "paninhos quentes" e desculpas) a verdade é que o desempenho de alguns elementos na presente época tem sido abaixo de miserável... Ángel, Herrera, Brahimi, Varela e Marega, que me desculpem, mas são casos totalmente perdidos."

    Pois, é verdade que Ángel saiu, mas Herrera, Brahimi e Varela continuaram. A ser verdade que foi recusada uma proposta por Herrera, apenas digo o seguinte: recusar uma proposta por Herrera por mais de 10/15 milhões de € não é um bom ou mau ato de gestão, simplesmente não é sequer um ato de gestão, é um ato de outra coisa qualquer que não pode nunca ser enquadrado com gestão desportiva ou de outro qualquer tipo. Reafirmo hoje, ter num plantel jogadores como Varela (que já foi em tempos um grande jogador, como Fernando Gomes que hoje tem 60 anos e seguramente não seria grande ajuda dentro de campo ao pé de André Silva), Brahimi ou Herrera, é persistir em erros mais do que identificados. Era fundamental vender esses jogadores, mesmo que por valores abaixo do expetável. Porque pensando apenas na questão do valorização de ativos, no diheiro que se ganhou perde com a transferência de jogadores, mais vale encerrarmos o futebol e passarmos a ser uma corretora financeira, em que a única coisa importante é a valorização dos ativos.
  • Sobre o orçamento? Escrevia eu na altura... "... numa liga como a portuguesa, ter um ponta-de-lança de grande qualidade é meio-caminho andado. Por menos de 10 milhões de € é difícil ir buscar um grande avançado. Ora aí está, a qualidade do investimento é um fator fundamental no sucesso de uma equipa."

    Esta questão acaba por estar intimamente relacionada com o parágrafo de cima. Não se fez qualquer € com Brahimi e Herrera. Neste momento, Brahimi e Herrera acrescentam ZERO, aliás, o mexicano até é capaz de acrescentar menos que zero ainda. E não me venham com a conversa que o argelino seria o salvador da pátria caso entrasse na equipa, faria exatamente o mesmo que os outros, ou seja ZERO. Se calhar, fazendo alguns milhões de € com a venda de Herrera e Brahimi, em vez de 6 milhões por Depoitre, que até agora tem sido um desastre, seria possível ir um pouco mais além na contratação de um parceiro ideal para André Silva. E se calhar, grande parte dos nossos problemas estariam resolvidos. Por exemplo, Bas Dost que custou 10 milhões a um dos nossos rivais (e que já marcava muitos golos na Holanda e Alemanha), quantos problemas já não resolveu ao seu clube? Ainda este fim-de-semana resolveu um e bem complicado. Pois, custou 10 milhões de €, foi caro, mas, resolve problemas. Nós, gastamos 6 milhões num jogador que nem era o melhor marcador do campeonato belga. É só tirar as conclusões, e não, não é querer arranjar bodes expiatórios, é perceber que um jogador não pode dar mais do que aquilo que realmente vale. E Depoitre, por mais boa vontade que tenha, muito dificilmente poderá ir além de 10/12 golos por época, o que já seria ótimo (e neste momento, algo que parece inatingível pelo que temos visto do belga!).
  • Sobre o treinador? Escrevia eu na altura: "Com toda a sinceridade, Lopetegui foi um erro, foi um erro mantê-lo porque para sair devia ter saído no final da época passada. Mas despedi-lo a meio da época para fazer a vontade aos adeptos e à comunicação social, depois do "circo estar montado" foi um erro ainda maior. Que me desculpem a frontalidade, mas um erro ainda maior foi tentar remediar a situação com Peseiro. Nada tenho contra o homem que com certeza tem as suas qualidades e competências para a profissão mas para o FC Porto não chega. Em janeiro quando ainda não tínhamos novo treinador, escrevi claramente neste blog que para lutar por títulos apenas 3 nomes seriam apropriados, independentemente dos gostos pessoais ou embirrações de cada um. Não vindo nenhum desses 3 nomes, já eu na altura antevia grandes dificuldades para o resto da época. Muito abertamente, apenas resta uma solução: contratar um treinador para a próxima época e aconteça o que acontecer dar-lhe estabilidade, proteger-lhe, não deixar-lhe só perante os ataques da comunicação social, ou seja, estabilizar um projeto com cabeça, tronco e membros. Inventar novamente seria trágico, optar por uma solução lógica seria a solução com menos riscos, ainda que qualquer opção tenha riscos. Não parece que haja grandes alternativas sem inventar e que o novo treinador dificilmente pode não ser alguém que neste momento treina na Grécia."

    Pois, a mais delicada e polémica de todas as questões: o treinador! Não posso ser acusado de "acertar no totobola à 2ª-feira", pois há mais de 7 meses já defendia que a hipótese para o cargo de treinador só podia ser uma. E só podia ser uma, porque as outras 2 estavam obviamente inacessíveis. E a escolha mais lógica, a que mais poderia unir os adeptos, aquela que menos riscos teóricos comportaria (o risco zero em futebol não existe...) e que ao mesmo tempo poderia criar também instabilidade nos rivais (como por exemplo, quando contratamos Mourinho e Robson, bons velhos tempos) chamava-se Marco Silva. Como posteriormente o próprio afirmou, não haveria qualquer obstáculo na sua saída da Grécia. Basicamente, o FC Porto escolhe livremente o seu destino, sem qualquer tipo de obstáculo pelo menos em relação a Marco Silva. Infelizmente, NES não fazia parte desse lote de 3 nomes que considerava em Abril serem os únicos com capacidade de darem a volta ao texto.
Perguntarão vocês e legitimamente, mas toda esta conversa de ir buscar arquivo de há 7 meses para quê? Qual a utilidade disso? Resumindo as coisas de um modo muito simples, porque os problemas são complexos e de difícil resolução, diria que:
  1. Sem um bom treinador, nada se constrói e nada se ganha. Em 2002, após 3 anos muito maus em que muitos já pediam a cabeça do Presidente e da SAD, veio Mourinho e depois foi o que foi. De quem é a responsabilidade de escolher o treinador?!?!?!?!

  2. Sem um grande ponta-de-lança é difícil ganhar um campeonato, mesmo tratando-se da fraca liga portuguesa, em que as equipas passam a maior parte do tempo animalescamente a defender. O problema não está em André Silva, que tem uma média de golos bastante apreciável dadas as circunstâncias. O problema é não haver um parceiro que tenha sido contratado com palmarés e créditos firmados, como por exemplo, Jonas, Bas Dost ou Mitroglu. De quem é a responsabilidade na escolha do plantel?
Conclusão: Com imensa pena minha, creio que NES não é solução para o FC Porto. Com imensa pena minha, creio que despedir NES a meio da época, levará a equipa a um fosso ainda maior. Ou seja, em toda e qualquer circunstância, o futuro não é risonho. A resposta à pergunta que titula este post, tem vários pontos de vista, sendo que alguns deles podem ser: não inventar na escolha de treinador e inventou-se (das dezenas de nomes, NES nem sequer era falado na CS). Contratar pelo menos uma alminha que tenha historial de golos que se apresente, não um jogador belga que não marcava assim no fraquíssimo campeonato belga. Como vamos sair do fundo em que novamente estamos? Assumindo as responsabilidades e consequências da escolha de um treinador que não caiu de paraquedas no Dragão, nem tomou o lugar de assalto. Haver coragem de quem tomou a decisão para levar a decisão até ao fim da época, altura em que TODOS terão de ser homenzinhos e assumir as suas responsabilidades, mesmo que tal implique sair sem "mamar" uma choruda indemnização. O fim das épocas é a altura ideal para se tomar este tipo de decisões. Pela milionésima vez digo, por mais assustadoras que estejam as coisa e estão (não marcar um golo que seja a chaves, tondela, belenenses, copenhaga e setúbal, é simplesmente assustador para mim enquanto Portista), sinceramente, começo a ficar farto das revoluções a meio da época não darem em nada. O cenário é neste momento simplesmente assustador!!!!

26 novembro, 2016

JOGAR SEM BALIZAS... PORQUE NÃO?


BELENENSES-FC PORTO, 0-0

Começo a ficar resignado. Começo a ter falta de argumentos para classificar ou caracterizar o actual FC Porto. Começo a entrar numa espiral sem saber onde vamos acabar. Isto é mais do mesmo. Mais derrotas, mais desilusões, mais resignação, mais comodismo…

Não marcar qualquer golo a adversários como o Tondela, o V. Setúbal, o Desp. Chaves, o Copenhaga e o Belenenses em pouco menos de dois meses, é grave. É incompreensível como se pode chegar a este ponto e não haver reacções contundentes. Descarregar tudo ou quase tudo nas arbitragens é manifestamente mostrar pouca argumentação para a situação actual da equipa e do clube. É atirar areia para os olhos dos adeptos e associados e tapar claramente o sol com a peneira.


Mais incompreensível se torna, falar de arbitragens por newsletter ou por redes sociais, quando tal se justifica. Querem falar, berrem aos microfones, levantem a voz, façam “guerra” se for preciso.

Esta noite em Belém poderia o FC Porto voltar a queixar-se de arbitragem. Principalmente no lance de Camará e Felipe mas o jogo que o FC Porto produz, é lamentável e a eficácia é terrivelmente penosa. Porque não retiram as balizas quando o FC Porto entra em campo? Pelo menos a baliza contrária.

Tinha dito aqui na última crónica que é preciso dar tempo aos 5 jogadores do meio-campo para a frente. E mantenho! Só que sem orientação, sem timoneiro e sem a estabilidade do clube, pode vir o melhor treinador do planeta que pouco melhor fará do que o que se tem visto. Quando não são visíveis uma política, uma estratégia, um rumo, uma voz e uma direcção objectiva, pouco se poderá fazer. Não há quem aguente esta situação.


Foi-se a taça de Portugal, está a champions league em aberto mas já nem digo nada e começa a ficar longe o campeonato. Vamos contentar-nos com um brilharete na taça da cerveja ou dos correios ou lá como lhe querem chamar? Ou este ano será outra vez uma época a ver navios?

Acham que se deve continuar a apoiar quem lá está a fazer de corpo presente? Acham que se deve manter o rumo e deixar correr o marfim, esperando, ingenuamente, chegar a bom porto? Pois há gente que ainda acredita no Pai Natal. E vão continuar a fazê-lo. Vão continuar a condenar, a criticar, a insultar e a denegrir quem realmente vê o abismo.

Que mais se pode dizer?

Quarto empate consecutivo, terceiro sem qualquer abanar de redes. O problema do FC Porto vai muito para além das quatro linhas e vai continuar a sê-lo.

Nuno Espírito Santo voltou a apostar no onze dos últimos jogos mas o jogo não flui. Continua a assumir as despesas do jogo mas os efeitos práticos são nulos. O Belenenses respondeu bem e não foi com surpresa que os Dragões viram o poste salvarem-lhes um golo. Na resposta foi Corona que, com um passe magistral, isolou Óliver. Este na cara do golo, com tudo para bater Joel Pereira, tentou servir André Silva. O lance perdeu-se.


O jogo continuava na mesma toada. Com o FC Porto a ter iniciativa mas sem qualquer efeito prático e o Belenenses respondendo e ameaçando os Dragões sempre que podia.

Depois veio o carimbo habitual do homem do apito. Camará dá uma cabeçada em Felipe e este atira-se para o chão. Um amarelo para cada um. Fantástico. Justiça feita. Depois Maxi, noutro lance, ganha posição, abre os braços e um adversário lança-se para o chão, simulando agressão. Amarelo para o portista. Claro! Para quem havia de ser?

Alguém falou nisto no fim do jogo na conferência de imprensa, na zona mista ou noutro lado qualquer? Nada. Ninguém defende a equipa e o clube. Saia mais um comunicado do DD que da próxima vez os árbitros fazem pior.

A etapa complementar começa com o FC Porto no comando das operações mas o golo continua a não aparecer. Surge a grande oportunidade do jogo. Marcano cabeceia para a baliza na sequência de um pontapé de canto e em cima da linha de baliza um defesa contrário sacode para fora.


NES lança Depoitre, A. André e Varela mas o jogo não ata nem desata. O campo mostra-se bastante pesado mas a equipa não é capaz de traduzir em golo as tentativas que faz. Muita fragilidade muita falta de qualidade na abordagem dos lances. Danilo lança Depoitre mas o belga falha o remate e a oportunidade de atirar ao golo.

Até ao final ainda houve uma oportunidade para cada lado. Camará atirou para defesa de Casillas e André Silva para a mancha de Joel Pereira. O nulo manteve-se e contabiliza-se mais um jogo sem um golo azul e branco (ou amarelo como preferirem já agora…).

A liderança começará nesta tarde de Domingo a ficar a 7 pontos e os Dragões poderão quedar-se pela quinta posição, feito não visível desde os tempos em que um certo palmelão gravitava pelas Antas.

Não vou dizer mais nada. Estou cansado, muito cansado.

Próxima paragem no Dragão para jogar a enorme e prestigiada prova da taça dos correios frente ao mesmo adversário desta noite.




DECLARAÇÕES

Nuno: “A nossa obrigação era ganhar este jogo”

O que falta para chegar ao golo
“Quando a necessidade é a de ganhar é difícil jogar bem e neste campo era difícil jogar com estas condições. A nossa obrigação era ganhar este jogo. Não conseguimos, mais uma vez não fizemos golo, temos este problema, preocupa-nos e temos que continuar a trabalhar, porque o caminho é o trabalho. São demasiados empates e estamos mais longe de onde queremos estar.”

O motivo da falta de golos
“Há questões que nós enquanto equipa técnica temos tentado trabalhar e temos de controlar esses aspetos. Também há mérito do adversário porque há ocasiões que foram criadas. Há muitas coisas para melhorar, sem dúvida, são demasiados empates e só o trabalho nos vai fazer sair disto.”

Mensagem para os adeptos
“Quero agradecer-lhes o apoio e a presença. É uma desilusão não lhes termos oferecido a vitória, mas temos que continuar a acreditar e humildemente pedir-lhes o apoio. Nós vamos levantar-nos e vamos sair disto.”

A diferença para a liderança
“É a posição que nós não queremos. Temos de somar pontos para sair dela e chegar o mais rapidamente possível ao topo da tabela. Continuamos, enquanto grupo unido, a acreditar que é possível melhorar a nossa situação.”

A ausência de Brahimi
“Não individualizamos as questões. Não há nenhum problema com nenhum jogador do FC Porto. Nós tomamos decisões e enquanto equipa técnica escolhemos aquilo que achamos que é melhor para a equipa.”



RESUMO DO JOGO

2800 KM SÓ PARA TE VER.


Mais uma pausa para as seleções mas ainda assim um fim-de-semana onde o FC Porto continua a jogar nas restantes modalidades e formações. O apoio, embora menor do que no jogos grandes e decisivos, está sempre presente onde quer que jogue o hóquei em patins, o andebol ou o basquetebol.

O futebol regressou à competição para mais um ciclo infernal até ao Natal. No passado dia 18, uma sexta-feira, a saída do trabalho foi à pressa e sem tempo de vir a casa arrancou todo para Trás-os-Montes. Há nove anos que o FC Porto não jogava na bela província do Norte de Portugal, curiosamente também numa sexta-feira, também contra o Chaves e também para a taça de Portugal. Lembro-me de ter ido com o meu pai ver esse jogo em 2007.

Desta vez lá estivemos novamente e enchemos o sector que nos foi destinado. Aliás, houve adeptos que mesmo sem bilhete se deslocaram a Chaves e não conseguiram entrar, pois nem na bilheteira vendiam: estádio lotado! Bilhete a um excelente preço (5 euros) o que certamente ajudou a convocar adeptos para o jogo. Pelo menos o Chaves percebeu que mais vale esgotar o estádio com bilhetes a 5 euros do que meter 500 pessoas com bilhetes a 20 euros.

Os Super Dragões e o Colectivo prestaram o devido apoio à equipa, juntamente com os restantes sócios e adeptos do FC Porto presentes. A equipa porém não retribuiu da melhor forma e foi afastada da taça de Portugal.

Seguimos juntos pelo Clube, sem qualquer ídolo, idolatramos meramente o símbolo, o emblema, aquilo que nos faz realmente cometer as maiores loucuras nesta vida.


Exemplo disse é que horas depois de fazer 300 quilómetros num dia de semana, já estávamos de malas aviadas para a Dinamarca!! Uns no Domingo, outros na segunda e ainda outros no dia do jogo, todos os caminhos foram dar a Copenhaga!! Uns a sair do Porto, outros de Lisboa, fazendo escala em Madrid, em Barcelona, em Berlim, em Bruxelas ou em Londres, o que interessa é que à hora do apito inicial estávamos quase a 3 mil quilómetros de casa a apoiar o Porto!!

Independentemente do resultado, agradeço ao Porto a oportunidade de puder viver estas aventuras juntos de amigos que fiz para a vida. Foram horas muito bem passadas, sempre com o Porto no coração. Noitadas, copos, amigos, cânticos pelo nosso Clube e claro, algum turismo também foi feito. Sempre de cachecol ao pescoço a levar o nome do Clube aos quatro cantos do mundo.

Destaque especial para recepção estrondosa dos ultras do Copenhaga ao autocarro da sua equipa. Um verdadeiro festim de S. João, fumos, tochas, fogo-de-artifício, petardos, strobs, tudo aberto ao mesmo tempo em plena rua e com autorização da polícia. Outras culturas, outras mentalidades.

Cerca de 500 adeptos do FC Porto marcaram presença num jogo em que o bilhete custou a módica quantia de 67 euros como eu já aqui tinha referido. O apoio foi bom, os núcleos do estrangeiro juntaram aos ultras que viajaram de Portugal. Ainda não alcançámos a qualificação, fica tudo adiado para a última jornada no dia 7/12 e acredito que nos vamos qualificar para a próxima fase.

Nota: Uma nota final para os anónimos que me decidem escrever. Anónima só mesmo a assinatura porque de anónimos não têm nada. Está mais uma vez provada que a cobardia não tem nome. Quem me conhece sabe perfeitamente que nunca me escondi, as pessoas conhecem-me e sabem que me podem encontrar todas as semanas onde o FC Porto jogar, às vezes duas ou três vezes por semana. Portanto, aos “anónimos” desta vida, parem lá com as “netices”, mando-vos a todos um enorme abraço e para a próxima se nos virem venham ter com a malta ou então numa próxima noite por aí tomamos um copo e pomos a conversa em dia.

Um abraço ultra.