19 janeiro, 2018

futebol, 21:00 sporttv1 – FC PORTO Vs. tondela

O VAR NÃO IMPEDIU A VITÓRIA 

A sequência alucinante de jogos que o Dragão tem para cumprir nestes dois meses, não permite que os portistas entrem nos jogos com alguma tranquilidade. Os azuis-e-brancos, para além de terem que gerir muito bem os seus recursos, procuram marcar os golos de que necessitam numa fase precoce do jogo para depois poderem descansar com bola no pé.

Não bastava a sequência de jogos ao Domingo e à Quarta-feira, os Dragões vêem a Liga agendar mais 45 minutos do jogo com o Estoril para o meio de uma semana do mês de Fevereiro.

Muita gente não entende isto e quer ópera em todos os jogos, com três, quatro e cinco golos. Pensam que os jogadores são máquinas ou que isto é uma competição da playstation. Por isso, surgem, por vezes, críticas e assobios. É a chamada "contestação do ignorante". Enfim, siga.

Esta noite, Brahimi, Marcano e Corona regressaram ao onze e o FC Porto voltou a apresentar a sua equipa-tipo. O jogo no Dragão até começou muito bem. O FC Porto entrou em velocidade. Aos 12 minutos, numa bela jogada pela direita, Ricardo Pereira colocou a bola com conta, peso e medida na área e Brahimi rematou a rasar o poste. Na sequência deste lance, o Tondela marcou o pontapé de baliza, o defesa da equipa beirã calculou mal o passe, Marega, atento, interceptou e atirou para a baliza, batendo o guarda-redes contrário que foi uma das figuras da noite ao salvar vários golos.

Iniciando o jogo, cientes de que o líder provisório da jornada anterior acabara de empatar o seu jogo, os portistas começavam bem o seu compromisso com o golo madrugador de Marega. Esperava-se que o FC Porto pudesse alcançar mais um ou dois golos, tal a avalanche ofensiva evidenciada mas a bola não entrava.

O Tondela respondeu aos 19 minutos num remate em que Tomané rodou e atirou a rasar o poste da baliza de José Sá. A equipa beirã ainda criou algumas dificuldades no primeiro tempo, o que intranquilizou, de alguma maneira, os portistas.

Mas as melhores oportunidades estiveram nos pés dos portistas. O golo esteve perto, por três vezes:

aos 31 minutos, Aboubakar atirou de cabeça ao poste, após um canto batido por Alex Telles; aos 35 minutos Corona combinou, de forma perfeita, com Danilo e rematou, no coração da área, muito fraco para as mãos de Cláudio Ramos; e aos 45+1 minutos, Felipe correspondeu bem a um lançamento lateral na esquerda do ataque, rodou na área e rematou fortíssimo para nova defesa apertada de Cláudio Ramos.

Antes de terminar a primeira parte, registo ainda para mais uma grande penalidade que ficou por marcar a favor do FC Porto e em que o VAR voltou a fazer vista grossa. Num cruzamento para a grande área, Corona foi ostensivamente puxado pelo braço. O árbitro não viu e o VAR não funcionou. Está para nascer o primeiro VAR que irá assinalar o primeiro penalty a favor do FC Porto.

O segundo tempo iria exigir um FC Porto mais forte e intensivo. Primeiro porque os Dragões estavam a baixar de ritmo apesar das oportunidades criadas e depois iríamos ter um Tondela a apostar as fichas todas na etapa complementar. O FC Porto foi mais dominador até, cerca, de 10 minutos do fim do jogo.

Tal como no primeiro tempo, o FC Porto desperdiçou duas oportunidades de golo. Danilo rematou do meio da rua para grande defesa de Cláudio Ramos e depois o mesmo guarda-redes safou um golo correspondendo, de forma incrível, ao cabeceamento de Felipe. O central portista ainda desperdiçaria outro lance com um remate para fora na pequena área.

Aos 78 minutos, o FC Porto marcou o segundo golo mas na jogada, Marega estava em fora-de-jogo antes de fazer o passe para Brahimi facturar. O VAR assinalou bem a infracção. O VAR funciona? Aleluia, pensei que não!!! Ah, pois, mas funciona só para o mesmo lado. Como sempre!

O VAR voltou a falhar dois lances de grande penalidade na etapa complementar. Primeiro aos 54 minutos, viu-se Ricardo Costa a opôr-se a um remate de Aboubakar, utilizando o braço direito para impedir que a bola seguisse a trajectória da baliza. E depois aos 62 minutos de jogo, quando Osório controlou a bola com a mão esquerda em plena grande área. Dois erros grosseiros do VAR. Em três grandes penalidades no mesmo jogo, o VAR analisou zero, "bola", "nicles". Não analisou porque não quis.

O Tondela cresceu nos últimos minutos e para isso muito contribuíram as mexidas mal efectuadas por Sérgio Conceição. O jogo exigia Óliver Torres para controlar o jogo e ter bola mas Sérgio Conceição colocou Sérgio Oliveira que é um jogador útil no lançamento das transições rápidas. Por outro lado, Aboubakar saiu e entrou Hernâni que a terminar ainda teve um remate fortíssimo para grande defesa de Cláudio Ramos para canto. Soares entrou para queimar tempo, saindo Marega completamente esgotado.

O FC Porto acabou o jogo com algum sofrimento, com o receio de sofrer um golo. Mas o pior não aconteceu. Os Dragões recuperam a liderança, têm mais um ponto que o segundo classificado e com meio jogo ainda por cumprir em que estão a perder ao intervalo por 1-0. Caso os Dragões vençam esse jogo no campo ou na secretaria, aumentam para 4 pontos a vantagem sobre o segundo classificado.

Próxima paragem é na Pedreira de Braga. O FC Porto vai defrontar, na próxima Quarta-feira, o Sporting nas meias-finais da Taça da Liga, jogo da Final Four da prova. O campeonato regressa no dia 4 de Fevereiro com a visita ao Moreirense, depois de já lá ter jogado para a Taça de Portugal.

O SEIXAL E O PASSIVO.


A meio desta semana surgiu a curiosa notícia de que o Benfica é o segundo clube europeu com maior passivo, logo atrás do Manchester United. Num clube dirigido financeiramente pelo propalado “génio” Domingos Soares de Oliveira, soa estranho que o passivo do clube se situe na módica quantia de 309 milhões de €uros.

Para se ter uma noção, o FC Porto ocupa o 16º lugar da lista (com 161 M€), enquanto que o Sporting ocupa a 20ª posição (133 M€).

Tudo isto não pode deixar de ser uma surpresa para todos aqueles que acompanham diariamente a imprensa escrita e televisiva nacional, que sempre dá a entender o Benfica como um exemplo de gestão a nível internacional, com um aproveitamento da formação made in Seixal e com uma capacidade de recrutamento de talento muito superior aos restantes competidores.

Sabemos hoje, pois, que tudo isto se trata de um embuste, de uma farsa, de uma mentira contada a tótós, que ainda acreditam na bondade e na isenção da comunicação social em Portugal.

jor·na·lis·ta
(francês journaliste)
substantivo de dois géneros
1. Pessoa que tem por profissão escrever em periódicos. = PERIODISTA
2. Pessoa que tem por profissão trabalhar no domínio da informação, num órgão de informação social numa publicação periódica escrita ou na televisão, na rádio, na Internet.
A verdade é que há muitos anos que os jornalistas desportivos portugueses deixaram de trabalhar na informação. Eles não informam; eles inventam, eles criam, eles mentem, eles subvertem e encobrem factos. É para isso que são pagos.


A prova disso mesmo é a capa do jornal A Bola de hoje, que trata de efectuar a devida e necessária contenção de danos depois das más notícias acerca do passivo vermelho que alguns jornais se atreveram a divulgar. Vai daí, na sequência da venda desse conhecidíssimo craque chamado Umaro Embaló (intermediada, refira-se, por Cátio Baldé), a manchete deste jornal no dia 19 de Janeiro de 2018 é a seguinte: MINA DE OURO – Seixal rendeu ao Benfica 240 Milhões em 7 anos (pequeno parêntesis: vamos lá fazer o favor a estes senhores e assumir que Ederson pertence à formação do Seixal). Ora, uma imprensa minimamente isenta e imparcial faria apenas e só a seguinte pergunta: se o Seixal rende tanto dinheiro ano após ano, se há tantos milhões a entrar, como é possível que o Benfica tenha o 2º maior passivo de toda a Europa?!

Como diria Donald Trump, this is all fake news!

Rodrigo de Almada Martins

18 janeiro, 2018

MAU DEMAIS.

5 de Maio de 1992: Tragédia de Furiani
A queda de uma arquibancada do Estádio Armand Cesari em Bastia matou 18 pessoas e deixou outros 2.300 adeptos feridos.
O jogo não está(va) a correr de feição. Recuperar de um 0-1 em 45 minutos passou assim a ser a nossa realidade, independentemente do que os regulamentos possam dizer, uma vez que não acredito em “golpes de teatro” no contexto actual. A ver vamos o que se poderá passar, mas o foco desportivo é que para já teremos um desafio completamente diferente pela frente, sendo que o sucesso poderá significar a recuperação ou não da liderança (veremos quais as contas nessa altura).

Mas mais do que qualquer tipo de análise mais profunda ao futuro e as consequências desportivas deste meio jogo o que quero relevar é mesmo o que de importantíssimo sucedeu na passada segunda-feira: um jogo de futebol foi interrompido e uma bancada evacuada de urgência porque 3.000 adeptos do FC Porto estavam numa estrutura em claro défice de segurança.

Como é que tal foi possível, mais a mais numa bancada com apenas 3 anos? Quem é o responsável por aprovar a utilização de estruturas que põe em risco adeptos que fazem centenas de quilómetros e pagam bilhete para assistir a um jogo do seu Clube? Quantos estádios em Portugal poderão estar em circunstâncias semelhantes?

O futebol é um desporto, um entretenimento que levamos mais a sério porque nos apaixonamos pelas nossas cores. No entanto não cabe na cabeça de ninguém que tal gosto e tal amor possa significar que colocamos a nossa vida em risco porque há falta de coragem de cumprir os regulamentos, decretar vistorias efetivas e eventualmente impedir alguns clubes de disputar os seus jogos em casa, como parece ter sido o caso.

Um desastre de proporções inimagináveis podia ter ocorrido em 2018 e destruído centenas de famílias. Num país onde infelizmente o planeamento e as condições de segurança são negligenciadas (a avaliar pelos casos de incêndios e da recente tragédia na associação recreativa de Vila Nova da Rainha) esperemos que não seja preciso um desastre para se começar a discutir o essencial em vez do acessório no que à segurança dos recintos desportivos diz respeito.

Na vida qualquer um de nós pode estar no sitio errado à hora errada. Mas tal não faz qualquer sentido numa bancada de um estádio de futebol ou num qualquer pavilhão, onde é suposto estarmos em comunhão a seguir as cores que tanto amamos.

17 janeiro, 2018

ESTORIL: TODA A VERDADE.


Estive lá. Estive lá com muitos amigos e, por isso, penso que posso falar com conhecimento de causa. Perante a contra-informação que por aí grassa, convém colocar os pontos nos iis e deixar bem claro a todos os portistas o que se passou na noite de 15 de Janeiro no Estádio Manuel Coimbra da Mota, no Estoril. Para que se perceba cabalmente o que sucedeu.

Antes de mais, dizer que o jogo começou, como sempre começa quando o FC Porto joga fora de portas: com centenas de portistas com bilhete, cá fora, à espera, a aguardar que as forças de seguranças lhes dessem autorização para entrar no recinto desportivo e terem acesso àquilo pelo qual pagaram: um jogo de futebol.

Este tipo de cenário acontece quase sempre que o FC Porto joga fora de portas. O objectivo só pode ser um: desmoralizar a massa adepta do nosso clube, impedi-la de irem aos estádios, desmotivá-los e querer que deixem de se deslocar país fora com a equipa. Ou se chega com 1 ou 2h de antecedência ou então, se tudo correr bem, perdemos certamente os primeiros 15 a 20 minutos da partida. Pede-se uma tomada de posição firme da nossa Direcção no sentido de que esta “brincadeira” acabe de uma vez por todas.

Mas vamos ao sucedido propriamente dito. Durante o intervalo, como é normal, vários adeptos portistas deslocaram-se às casas de banho, situadas no piso térreo da bancada dos visitantes. Ao verem a parede a rachar abruptamente à sua frente e com o abaixamento de um dos pilares de sustentação, os adeptos viram-se no meio de um filme de terror, entraram em pânico e precipitaram-se para a saída, sendo impedidos pelas forças policiais de o fazerem. Perante o pânico estampado na cara dos adeptos, a polícia prontamente abriu as grades e deixou os vários adeptos sair do estádio.

Quem estava na bancada, apercebendo-se do ruído lá fora e um certo abaixamento da bancada, começou a estabelecer diálogo com os que fugiam. E foi aí que a esmagadora maioria das pessoas se aperceberam do que se passava. Palavra passa a palavra, a ordem foi clara: “a bancada está a cair, fujam, fujam”. Colocado por escrito parece fácil, mas no momento viveram-se momentos terríveis.

Mas sair? Sair por onde se as pessoas dos lugares mais acima vinham a descer abruptamente degraus e cadeiras por aí abaixo? Para alguns imediatamente se viu que seria impossível sair pelo interior da bancada, pelo que restava uma solução: sair para o relvado.

Por momentos lembrei-me de Hillsborough, do Heysel. De início as forças de segurança tentaram impedir a invasão de campo, sendo que depois finalmente se aperceberam da gravidade da situação. É bom que se diga que os adeptos do FC Porto geriram a saída do estádio sozinhos, sem colaboração propriamente dita das forças de segurança, que apenas se limitaram a recolher pessoas de mobilidade reduzida da bancada para o relvado. Foi dada prioridade a mulheres e crianças, pediu-se contenção para que não se empurrasse atrás e, aos poucos, com a entre-ajuda dos vários portistas, lá se conseguiu evacuar a bancada em poucos minutos e sem problemas de maior.

Depois veio ao de cima o melhor que já vimos no futebol nacional, com milhares de portistas concentrados em metade do relvado a festejar o facto de nada de grave ter sucedido e a aproveitar para entoar cânticos de apoio ao clube, numa manifestação pura e espontânea de amor clubístico, tudo dentro da normalidade e com respeito por todos os adeptos do Estoril. Reuni-me no relvado com amigos de longa data, colegas de trabalho, deu para ver caras conhecidas, distribuir abraços, fazer a festa. Enfim, um dia que tão cedo não esqueceremos!

Foi talvez o único jogo das nossas vidas em que podemos dar graças a Deus pelo facto do FC Porto não ter marcado um golo. Se o tivesse feito, os nossos festejos poderiam ter sido fatais. Se a bancada tivesse de facto ruído, além de Entre-os-Rios e Pedrógão, teríamos hoje um novo palco de lágrimas e flores: Amoreira. Por sorte, as coisas correram bem e é certo que não veremos Marcelo Rebelo de Sousa a distribuir beijinhos pelos adeptos portistas. Já sabemos que em Portugal só se tomam decisões quando há tragédias e mortes por contabilizar; quando não há mortes nem choros, passa-se por cima e em breve tudo isto não passará de uma memória difusa.

É pena que assim seja, porque há aqui factos que convinha esclarecer. Primeiro, foi o anterior Vereador do Desporto da CM de Cascais (João Sande e Castro) a questionar, num post de facebook, como foi possível edificar ali uma grande bancada, visto que não tinha sido possível construir anteriormente uma piscina, pois o local situava-se em leito de cheia e de reserva agrícola, onde passa uma ribeira. Além disso, refere o mesmo ex-veredador que em 12 anos foi necessário reparar por 3 vezes os campos sintéticos contíguos devido a abatimentos no solo.

Referiu ainda posteriormente que a instabilidade daquele terreno era conhecida pela CM de Cascais e pelo próprio Estoril-Praia. A CM de Cascais já se demarcou da confusão, dizendo que a obra foi analisada por vários técnicos e alvo de vistorias da própria Liga de Clubes.

Pouco depois, começaram as desculpabilizações: sugeriu-se que o terramoto de Arraiolos, que não fez cair um copo de nenhum prateleira de todo o Alentejo, tinha sido responsável pelo aluimento no Estoril. O jornal A Bola, verdadeiros criminosos encartados, ainda arriscaram afirmar que os Super Dragões, que se portaram como verdadeiros senhores, teriam furtado coisas que ninguém viu ou ouviu falar.

No meio disto tudo ninguém diz o óbvio: houve um total desrespeito por cerca de 2.500 vidas humanas na passada segunda-feira e só não ocorreu uma tragédia de dimensões colossais naquela fria noite de Janeiro de 2018 por mero acaso divino. No meio de tudo isto, o Estoril-Praia e a Liga de Clubes ainda têm a lata de solicitar que a segunda parte se realize, quando podíamos estar a falar de um encerramento compulsivo da actividade deste clube por não cumprir com o mínimo de regras de segurança. E logo o Estoril-Praia, preocupado com estes 3 pontos, quando no campo tem perdido quase todos eles.

Portugal é um país de impunidade, da política aos negócios. Não sabíamos que a impunidade havia passado agora para o perigoso e pantanoso terreno da construção civil, onde podem suceder tragédias.

Uma coisa podemos perguntar e deixar no ar: se o Estoril tem um estádio mais seguro e mais amplo no Algarve, porque não propôs atendendo à enchente que se avizinhava, – sim, meus caros, habituem-se à ideia de que o FC Porto enche estádios por esse país fora, mesmo na região de Lisboa, onde o portismo está de facto implantado e veio para ficar – que o jogo se realizasse no seu outro estádio? Porque se desrespeitou a vida destes milhares de adeptos portistas? Porque é que se colocou cimento fresco à pressa nos dias anteriores ao jogo? Afinal as autoridades e os responsáveis estorilistas sabiam ou não sabiam do risco em que corriam se a bancada enchesse? Em que é que ficamos?

Para a história ficará este dia em que os portistas pela primeira vez ficaram felizes pelo facto do FC Porto não marcar um golo. Se o tivesse marcado, seria provavelmente o golo mais terrível da sua história.

Assim sendo, resta apenas finalizar desta forma: ganhem vergonha na cara, meus senhores! Num país normal, o Estoril, a Liga e a CM de Cascais assumiam as culpas, pediam desculpas de joelhos e davam por terminado o jogo com derrota por 0x3 para os homens da casa. Outra solução que não esta será um atentado aos adeptos e aos espectadores do desporto-rei, que viram as suas vidas em risco durante 45 minutos. Repito: TENHAM VERGONHA!

Rodrigo de Almada Martins

15 janeiro, 2018

TRAGÉDIA IMINENTE.


ESTORIL-FC PORTO, 1-0 (suspenso ao intervalo)

O jogo da noite desta segunda-feira foi marcado por contornos de polémica. Desta vez fora dos relvados. Nesta crónica vou centrar-me no que se passou extra-jogo porque é importante denunciar várias situações.

Poderíamos ter assistido a uma tragédia no campo da Amoreira. Na bancada norte destinada ao sector visitante, no fim da 1ª parte soou o alarme quando se sentiu um ruído e uma tentativa de chamar as pessoas para o perigo de ruína dessa bancada.

Tal não aconteceu porque o pânico instalado foi, de certa forma, relativo e controlado por quem comandou os cerca de 3000 portistas presentes naquele sector. Nisso, o líder dos Super Dragões tem que ser citado porque teve um grande papel e uma grande responsabilidade digna de registo.


As pessoas começaram a sair do estádio por baixo da bancada e outras fugiram para o relvado, invadindo toda a zona da grande área do topo norte. Mas o que se estava realmente a passar? A bancada começou a ceder. O chão cedeu e abriram-se fendas nas paredes desse sector. A partir daí todo o sector foi evacuado e a bancada esvaziou em alguns minutos. Cerca de 2000 pessoas ficaram no relvado e 1000 pessoas foram para a rua. Mas que vergonha é esta? Mas que irresponsabilidade é esta de permitirem um jogo num estádio sem condições?

Estávamos no intervalo de um jogo da Liga NOS com o Estoril a bater o FC Porto por 1-0. As forças de segurança e a protecção civil concluíram que não havia condições para o jogo ser retomado e ficaram 45 minutos de jogo por cumprir.

Agora vamos aos factos. Os regulamentos da Liga aprovados em Assembleia-Geral são muito claros. Em caso destes como o da noite de Segunda-feira na Amoreira dita o regulamento no artigo 94 que tem que haver penalizações para o clube promotor do evento. Tais penalizações passam por derrota no jogo e coimas.

Após vistoria da Liga e da peritagem, os resultados tornam-se inconclusivos. A segunda parte do jogo é adiada para dia 21 de Fevereiro e ficamos sem saber que consequências é que são imputadas ao Estoril. Teremos que aguardar mas da parte do FC Porto há a clara intenção de aplicar os regulamentos previstos nestas situações.

O certo é que ouvimos muitas versões estapafúrdias sobre o caso.

Uns defendiam a continuidade do jogo como se nada tivesse passado, que foi o caso da equipa da casa. Outros anormais eram a favor de que o jogo deveria prosseguir no dia seguinte, como se o estádio reunisse todas as condições com as fendas e os abatimentos visíveis naquele sector. Ou será que esperavam que os 3000 adeptos do FC Porto abdicassem de ver a etapa complementar?


Só em cabeças de atrasados mentais como ouvi ontem num programa em que o idiota-monólogo armado em isento e filósofo vomita asneiras e enormidades destas. Ou mesmo o minorca de Alvalade a escrever posts sobre tomadas de posição que o FC Porto em lado nenhum tomou.

Mas o mais grave disto tudo é ver em directo comentários nas tvs de um ordinário e sem escrúpulos de nome Pedro Henriques. Um ex-jogador frustrado que semana após semana destila ódio contra o FC Porto nos seus comentários que me recuso adjectivar. E o que dizer do rodapé da estação de Carnaxide aquando da invasão do relvado do campo do Estoril? Um nojo!

Gostaria que se tivessem pronunciado sobre o abatimento do piso, das fendas e do cimento fresco colocado para remendar. Mas nada. Não dizem rigorosamente nada.

E já agora quem ouviu o presidente do Estoril dizer umas bacamartadas, desmentir o comunicado do seu clube e chamar otários a todos os telespectadores? Enfim, sem comentários. Foram declarações dignas de um criminoso.

Se ouvissem e lessem mais opiniões de peritos como por exemplo de engenheiros, de arquitectos e, concretamente, do Bastonário da Ordem dos Engenheiros, não diriam tantas asneiras. E quem tivesse vergonha, desaparecia de vez do mapa.

Como o FC Porto não irá abdicar dos seus direitos e dos eventuais prejuízos que daí possam advir, está muito atento e vai aguardar com serenidade pelo desenrolar do inquérito e do processo e tomará as devidas decisões na altura adequada.

Ao contrário de muitos idiotas que estão sempre de faca afiada quando as coisas correm menos bem para o clube, o FC Porto tem a inteligência, e bem, de esperar que as instâncias analisem e tirem as suas conclusões.

Agora vamos analisar os prejuízos do FC Porto. Com este episódio e com a decisão de agendar uma data para concluir o jogo quem sai prejudicado? O FC Porto, claramente.


Primeiro, quem foi o promotor do evento? O Estoril.

Segundo, quem é responsável pelas instalações e pelas condições do estádio? O Estoril. Muito idiota da cartilha veio dizer que era a Câmara Municipal de Cascais. São tão ridículos e uns vendidos que saem-se com estas respostas que não lembra a ninguém. Revelam a ausência de seriedade de que padecem.

Terceiro, é diferente jogar 45 minutos contra uma equipa algo desgastada pela grande intensidade com que encarou a primeira parte do que enfrentar uma equipa fresca.

Quarto, também é diferente jogar contra o Estoril com quatro baixas no seu plantel ao invés de defrontar a equipa com o plantel quase na máxima força. Também dizem os arautos da verdade: o FC Porto vai poder contar com o Brahimi. Pois pode, mas quatro baixas é diferente de uma baixa. A questão é que estamos a analisar diferentes realidades e quem beneficia com elas em resultado desta vergonha.

Quinto, o FC Porto tem uma grande quantidade de jogos, ao fim-de-semana e a meio da semana ao longo dos próximos dois meses, ao contrário do Estoril que joga uma vez por semana. Das poucas semanas em que poderia ter algum descanso, foi marcada pela Liga a segunda parte deste jogo para meio da semana em que poderia ter uma pausa. Claramente penoso para uma equipa que ainda terá que fazer 600 kms a fim de cumprir os 45 minutos em falta, ao contrário do Estoril que só tem que esperar que os portistas se desloquem.

E, no meio disto tudo, o que vai acontecer ao Estoril? Sai impune? Vai beneficiar da frescura dos seus jogadores e das ausências de jogadores neste jogo? E vai poder usufruir do seu estádio cheio de fissuras?

Tivesse o FC Porto marcado um ou dois golos nas quatro oportunidades claras e a esta hora estaríamos, talvez, a falar em mortes e feridos. Conseguem imaginar o que seriam 3000 adeptos do FC Porto a festejar e a saltar na bancada? Não quero nem posso imaginar. Sem ter quaisquer conhecimentos sobre estruturas, não vou dizer o que aconteceria mas consultando quem domina o tema, dizem-me que poderia ter acontecido uma tragédia de proporções incalculáveis.


Sobre o jogo da 1ª parte, apraz-me dizer que o FC Porto entrou com um onze pouco condizente com as exigências do jogo apesar de estar pela frente o último classificado do campeonato. Muitas vezes encaram-se os adversários menos cotados com alguma sobranceria. E isso traz os seus dissabores.

O FC Porto não entrou bem no jogo e permitiu ao Estoril ter algum ascendente na partida. A equipa da linha saiu a jogar e sempre que pôde acercou-se da baliza de José Sá. Aos 18 minutos após uma falta de Reyes sobre um adversário entra a linha da grande área e a linha lateral, Eduardo rematou directamente para a baliza e em arco e inaugurou o marcador.

José Sá ficou pessimamente na fotografia com a má colocação entre postes. Com esta desvantagem, o FC Porto partiu atrás do prejuízo. Aboubakar, Layún e Marega desperdiçaram as suas oportunidades e a terminar a primeira parte Reyes e Aboubakar a meias enviaram uma boa à trave da baliza canarinha. A equipa da casa ainda teve uma oportunidade com um remate fortíssimo a sair junto ao poste da baliza dos Dragões.

Depois veio o intervalo com perspectiva de reacção portista mas o que se passou a seguir e que foi narrado no início desta crónica ditou a suspensão do jogo.

Nota de registo: O Estoril fez mais faltas neste jogo em 45 minutos do que em 90 minutos no Estádio da Luz. Tirem as conclusões que quiserem.

Há mais no dia 21 de Fevereiro para contar, se entretanto não forem tomadas outras decisões.

O FC Porto joga nesta Sexta-feira no Estádio do Dragão frente ao Tondela em jogo a contar para a 19ª Jornada da Liga NOS.




DECLARAÇÕES

COMUNICADO e COMUNICADO



RESUMO DO JOGO

CONCEIÇÃO MERECIA, MAS…


Depois de quatro anos de muitos desvarios financeiros, disparates atrás de disparates, tantos que um só post não dava para enumerar e classificar todos eles, eis que chegamos ao atual momento em que, muito provavelmente, não haverá capacidade de atacar o mercado como deve ser.

Mais do que qualquer outro treinador nos últimos 4 anos, Sérgio merecia um reforço do plantel e merecia-o pelo trabalho que realizou em apenas 6 meses e meio. Pela primeira vez em 4 anos, o FC Porto segue nas 4 competições com hipóteses reais de sucesso, sendo que à semelhança também do que aconteceu sobretudo no ano de NES, tem sido alvo de várias arbitragens inacreditáveis.

O reforço do plantel não consiste em ir buscar um “Vaná desta vida” só para fazer número (tenho o maior respeito pelo jogador em causa, mas alguém percebeu a sua contratação?!?!) mas sim consiste em ir buscar alguém que acrescente, que já tenha algumas provas dadas de preferência num bom campeonato (não um craque das Honduras ou da Estónia), no fundo um jogador que acrescente qualidade ao atual plantel. Não duvido que com lesões à mistura (Brahimi está fora do Estoril) e castigos em catadupa, a excitação dos senhores de preto já os faz expulsar jogadores do FC Porto com uma rapidez que não se vê nos jogos dos nossos rivais, seriam necessários reforços para atacar o que resta da época. Não duvido eu, e não duvida o Presidente ou qualquer outro elemento da SAD.

O problema? O problema reside numa coisa simples que se chama finanças. E que assola qualquer pessoa, instituição ou país quando são cometidos erros graves durante vários anos. Portugal ou a Grécia não estenderam a mão ao FMI por acaso, fizeram-no por se terem cometido muitos disparates durante muito tempo. Depois, teve que se apertar o cinto e pagaram sobretudo os que menos contribuíram para a situação difícil onde se chegou.

E o problema agora é que já não há os milhões, ou pelo menos quem os emprestava já não empresta, que houve para gastar em Imbulas e Adrians Lopez. Oxalá esteja enganado e a SAD consiga dar a Sérgio mais condições para lutar por títulos nesta época, mas sinceramente não acredito. Porque contratar para fazer número, mais vale então estarem quietos.

Este é sobretudo um post crítico de quem nos geriu durante estes 4 anos mas é uma critica construtiva de alerta a que não se repitam os mesmos erros que nos conduziram até aqui. Construir uma hegemonia demora décadas, para destruí-la bastam 2 ou 3 anos...

PS: Nos últimos 10 jogos oficiais, o clube encarnado do minho perdeu 9 jogos e empatou 1 frente ao clube encarnado da 2ª circular... o treinador do clube encarnado do minho, que há uns meses disse ter tido o prazer de trabalhar com Sérgio Conceição e que agora diz nem o conhecer pessoalmente, falou em “erros não forçados” e numa quantidade absurda de perdas de bola com erros não forçados. A verdade é que seria tão lógico pensar que o clube encarnado iria tirar pontos ao clube encarnado da 2ª circular como acreditar no Pai Natal, não me espantou por isso rigorosamente nada o resultado, apenas me surpreendeu não terem sido 5 ou 6. Resumidamente, terá de ser um FC Porto quase perfeito na 2ª volta para chegar ao título, direi que para além dos 2 jogos contra os rivais direto onde naturalmente tudo pode acontecer, a margem de erro do FC Porto resumir-se-á a mais 1 ou 2 jogos no máximo dos máximos. E não, não é por estarmos a falar da Premier League, nem dos nossos rivais serem equipas estratosféricas (nenhum deles se apurou para os oitavos da CL, um deles nem um mísero ponto fez) é por outros fatores que nós infelizmente todos conhecemos (e dos quais pelo menos o Ministério Público também suspeita)...

11 janeiro, 2018

OBJECTIVO CUMPRIDO.


MOREIRENSE-FC PORTO, 1-2

O FC Porto deslocou-se a Moreira de Cónegos para jogar o acesso às meias finais da Taça de Portugal. Esperava-se um jogo difícil porque por tradição, o FC Porto tem sérias dificuldades no reduto do Moreirense mas os jogadores de Sérgio Conceição entraram no jogo muito bem e em 20 minutos praticamente sentenciaram a partida.

Herrera e Layún foram os destaques da partida. Um golo cada e boas exibições, principalmente Layún que é cada vez mais um jogador importante no plantel pela sua polivalência. Desta vez, Layún jogou como homem mais avançado do meio-campo e não se deu nada mal.



Sérgio Conceição poupou vários jogadores na equipa portista. Uns por gestão, outros por precaução como é o caso de Marega que tinha saído com queixas do último jogo. José Sá, Ricardo, Aboubakar, Reyes, A. André, Marega e Óliver ficaram no banco e Corona nem sequer apareceu na lista de convocados.

Aos 8 minutos, Soares ganhou o duelo pouco depois do meio-campo, progrediu na direcção da grande área, viu Herrera passar-lhe pela frente e endossou-lhe a bola. O mexicano, com tudo para fazer o golo, picou a bola por cima do Guarda-redes contrário e fez o golo.

Marcar cedo facilita sempre o caminho para a vitória e, por outro lado, a equipa não fica sujeita a factores externos ao jogo. Por isso, o FC Porto sentia-se tranquilo a trocar a bola de pé para pé.

Aos 20 minutos, Layún ampliou o resultado para 2-0. Uma investida do FC Porto pela esquerda foi cortada de forma deficiente pela defesa do Moreirense. A bola sobrou para Layún à entrada da área e este colocou a bola no ângulo inferior da baliza contrária.


A partir daqui o FC Porto geriu o jogo como quis. Imprimiu a velocidade que entendeu ao jogo mas perto do intervalo Brahimi sentiu um alarme. Queixou-se da coxa e pediu para sair. Naturais preocupações de Sérgio Conceição foram visíveis na tv porque, com um plantel curto, com castigos que têm saído em catadupa, as lesões tornam o cenário muito mais complicado.

Após o intervalo, deu para perceber que o caso de Brahimi não será tão complicado como aparentava. O argelino estava tranquilo e com boa disposição no banco de suplentes. Por isso, o técnico portista e o departamento médico serão, com certeza, competentes para gerirem estas situações.

A etapa complementar foi muito pausada, sem grandes lances de registo. O FC Porto ameaçou com algum perigo a baliza do Moreirense, nomeadamente por Soares que desperdiçou duas oportunidades e o Moreirense tentou fazer pela vida.

O FC Porto estava mais preocupado em gerir o jogo e o esforço dos seus jogadores. A sequência e a exigência de jogos surgem a um ritmo alucinante e vão continuar.

Por outro lado, os Dragões sabem que, nos próximos dois meses, vai decidir-se muita coisa que será determinante para o que resta da época.


Aos 73 minutos, Edno, um ponta-lança desconhecido, um verdadeiro panzer, reduziu para 1-2 e pareceu lançar o jogo para o último quarto-de-hora com os comentadores da tv galvanizados com a possibilidade do FC Porto não ter garantido no momento a vitória no jogo. Como sempre, os servos do regime. Uns tristes!

Apesar de tudo, para tristeza e decepção desses sujeitinhos que abrem a boca para o microfone, a reação da equipa da casa não foi suficiente. Os Dragões nunca se sentiram ameaçados e, desta forma, o FC Porto segue para as meias-finais onde vai defrontar o Sporting em duas mãos para apurar o finalista da Taça de Portugal.

Os Dragões sabem que vão defrontar o Sporting por quatro vezes em três meses e em três provas: 1 para a taça CTT, duas para a Taça de Portugal e uma para a Liga NOS. Muitas decisões, muitos nervos, muita ansiedade para ser gerida.

Os Dragões deslocam-se à Amoreira na próxima Segunda-feira para defrontar o Estoril, jogo que abre a segunda volta da Liga NOS.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: “Não dou rebuçados a ninguém”

Baixa de ritmo após o 2-0
“Ao intervalo falei no balneário para retificarmos os últimos 20 minutos da primeira parte, de que não gostei, em que baixámos muito a intensidade do jogo e em que o Moreirense começou a ter mais bola. Fazemos os dois golos cedo e, inconscientemente, isso entrou na cabeça dos jogadores. Não fizemos aquilo que é habitual na intensidade, a condicionar ao máximo o adversário na posse e circulação de bola.”

A segunda parte e o futuro
“Regressámos ao relvado com uma predisposição muito mais forte. Tivemos várias situações para fazer o 3-0 e depois o Moreirense consegue fazer o 2-1, mas penso que não houve mais situações de perigo. Os jogos da Taça são sempre difíceis e este campo é difícil. Conseguimos o principal objetivo, que era passar para as meias-finais, e agora vamos pensar já no Campeonato e no jogo de segunda-feira, que é muito importante para nós.”

As alterações na equipa
“Não dou rebuçados a ninguém. Aquilo que achava melhor em termos estratégicos foi feito. O Hernâni acabou o último jogo com o Vitória, o Soares estava em campo, o Layún também. A dupla do meio-campo foi a mesma que jogou nos últimos tempos mais vezes. O setor defensivo, à exceção do Casillas e do Maxi, jogou muitas vezes. Também não olho muito a isso, mas para a estratégia que temos para o jogo e para aquele que acho o melhor onze para ganharmos.”


Layún no meio-campo
“Temos que gerir o plantel da melhor forma. Conheço todos os meus jogadores, sei que o Miguel é um jogador polivalente, com muita inteligência tática, independentemente do lugar que ocupar vai dar sempre uma resposta positiva. Ele sabe o que queremos onde quer que jogue. Contra o Feirense também entrou para a mesma posição, depois teve que recuar devido à expulsão do Felipe. Os jogadores estão identificados, não fazemos experiências, sabemos o que fazemos.”

Carinho pela Taça
“Tenho um carinho especial mas não por ter perdido a final quando era treinador de outra equipa. É um dia marcante na carreira de um jogador - já passei por muitos palcos e estádios, mas no Jamor a atmosfera é especial nesse dia. Tive oportunidade de ganhar a Taça como jogador e de estar numa final como treinador. Espero sinceramente poder estar este ano com a minha equipa no Jamor e vencer este troféu, que é na minha opinião especial.”

Luta em três frentes com o Sporting e mercado
“No Campeonato há uma luta a três e com o Braga também ali perto. O Benfica também é um candidato ao título, penso que vamos ter competição até ao final. Na Taça da Liga e de Portugal estamos em luta direta com o Sporting e a seu tempo falaremos desses jogos, agora a concentração está virada para o jogo de segunda-feira no Estoril, para o Campeonato, que é o nosso principal objetivo. Tenho jogadores que têm qualidade, se vier alguém tem de ser para dar mais do que o que tenho à disposição. Os treinadores querem sempre mais.”



RESUMO DO JOGO

O FUTEBOL DA PEQUENADA.


Não é de hoje, nem de ontem. É já de há uns anos a esta parte. Sim, já há algum tempo que nos vimos a aperceber que certos clubes pequenos dão tudo contra o Porto e, pelo contrário, parecem extremamente relaxados e conformados nos jogos contra o Benfica.

Podíamos, claro, começar por falar do Belenenses e do escandaloso caso de Miguel Rosa, que se repetiu sucessivamente épocas a fio sem que nenhuma autoridade federativa se pronunciasse. Podíamos ainda voltar a referir esse clube lisboeta cuja Benfica SAD está listada no seu PER, com uma dívida bastante elevada. Além disso, viemos a saber recentemente através de ficheiros divulgados online que o Benfica terá feito uma transferência avultada para o Belenenses, transferência essa que o Belenenses prontamente esclareceu como sendo referente à aquisição dos direitos desportivos de Dálcio Gomes. Sucede que, por azar, os documentos relativos a esse negócio foram também colocados na internet e revelam valores totalmente díspares, não batendo a bota com a perdigota.

Mas há demasiadas coisas estranhas a acontecerem no futebol português. Demasiadas. Podíamos falar das incríveis 8 faltas do Tondela frente ao SLB, quando comparadas com as 27 faltas contra o FC Porto, bem acima da média do Tondela no campeonato (em redor das 20).

Podíamos, além disso, descrever o goal-average do Tondela frente ao FC Porto e Benfica nos últimos 5 jogos entre ambos: 6-1 vs 19-2. Podíamos ainda elencar, sem necessidade de mais detalhes, os últimos treinadores do Tondela: Vítor Paneira, Rui Bento, Petit e Pepa.

Podíamos ir por aí, mas não vamos. Vamos é por exemplo pegar nas palavras de Sérgio Vieira, treinador do Moreirense que justificou assim a derrota da sua equipa: “Fomos pouco pressionantes no primeiro tempo, demos muito espaço ao SLB para criar, fomos pouco agressivos na pressão ao portador da bola, foi pena”.

Foi pena, certamente, mas não foi surpresa. Aliás, é o normal quanso se defronta o Benfica. Afinal de contas, se um treinador não prepara a sua equipa para fechar espaços e pressionar um grande do futebol português quando vai jogar a sua casa, é caso para perguntar: o que anda esse treinador a fazer durante a semana? Os dirigentes  e adeptos do Moreirense que esclareçam...

Podíamos recuperar aqui também a suavidade das declarações dos treinadores da pequenada quando defrontam o SLB. Invariavelmente sai o seguinte das suas bocas: “parabéns ao SLB, foram melhores, foram justos vencedores, a sua qualidade veio ao de cima, hoje não era o nosso dia, para a semana há mais”. No entanto, nos tempos mais recentes, vêm aprimorando a continência: quem não se lembra do treinador do Estoril a pugnar veementemente na conferênca de imprensa para que se discuta o jogo, recusando-se a avaliar se a sua equipa havia sido prejudicada por decisões do árbitro da partida?

Ainda assim, há coisas ainda mais estranhas a passar-se por aí. O tal G15 menos 2, esse movimento de clubes pequenos encabeçados por Salvador (o mais pequeno dos pequenos), deixou a careca a descoberto, dizendo que “o FC Porto e Sporting se deviam comportar como o Benfica”. Nem de propósito, Vieira e Salvador foram apanhados a conversar às escondidas num hotel bracarense, em vésperas de um importante Braga x Benfica. Coincidências, dirão alguns leitores. Mais uma, direi eu. E apetece perguntar: para que serve verdadeiramente este G15 e qual o seu objectivo?

Depois, há aqueles azares típicos de clube pequeno, que sucedem sempre com o SLB e nunca com o FC Porto: laterais a escorregar em lances decisivos; passes directamente para os pés de jogadores do SLB, laterais a esquecerem-se de jogadores nas suas costas, e por aí fora. Um longo rol de erros, lapsos, azares e azarinhos. Como ainda este fim-de-semana em Moreira de Cónegos.

Finalmente, começam a surgir aqui e ali boatos e vozes de que a PJ estará a investigar 5 jogos do SLB, onde existirá a suspeita de que determinados jogadores foram pagos para perder, através de supostos aliciamentos perpetrados por intermediários e empresários ligados ao SLB. As coisas começam a fazer sentido…

Todas estas notícias são boas para percebermos que não é da nossa cabeça, nem é do menor fulgor físico dos atletas do FC Porto. Como seria possível, aliás, que os centrais dos chamados pequenos mostrassem tanta dificuldade em parar um Jonas com 33 anos e que em Espanha foi conotado como o pior avançado da história do Valência e pelo contrário, mostrassem tanta frescura e boa forma na feroz marcação que fazem ao jovem Aboubakar, potente e explosivo camaronês que se impôs nos campeonatos francês e turco?

Podíamos ainda referir o Estoril Gate, aquele caso único a nível europeu no qual um clube da I Divisão que habitualmente joga no Estoril se decide mudar de armas e bagagens, numa jornada, para o Algarve, com a justificação de aumentar as suas receitas de bilheteira, optando assim por jogar em terreno neutro.

Podíamos ainda falar do grandioso Rio Ave, esse satélito mendesiano, que pelos vistos tem vários jogadores seus envolvidos em casos de corrupção, tais como Roderick e Marcelo (Roderick, esse grande central que curiosamente, mesmo depois de andar nas bocas do mundo devido a esta situação, é alvo do Braga de Salvador), que prontamente veio esclarecer que nada de estranho se passa nos Arcos e que tudo isto é uma cabala.

Há algo aqui que não bate certo há muitos anos, desde logo quando vemos a forma como o Feirense festeja de punhos cerrados cortes conseguidos em lances divididos com os nossos extremos. Sabemos que é normal querer ganhar a um grande, compreendemos que seja aceitável dar tudo por tudo para vencer uma equipa do gabarito europeu do FC Porto, aceitamos tudo isso de bom grado. Só temos dificuldade em perceber é a apatia, a falta de frescura e a opção pelo futebol positivo e de menores preocupações defensivas quando está em causa o SLB.

Aguardemos pelas cenas dos próximos capítulos.

Rodrigo de Almada Martins

10 janeiro, 2018

2018 DE TODAS AS ESPERANÇAS.


Viragem de ano, viragem de volta, álibi perfeito para balanços e congeminações futebolísticas. Se quanto às provas em curso, tudo ainda há para falar num futuro que se espera a médio prazo, irei concentrar-me neste texto, no que foi o ano de 2017 para as nossas cores.

Estando na moda a escolha de uma palavra que defina o ano, a minha opção para o Futebol Clube do Porto recai em "Renascer".

Após três longos anos, marcados pelo insucesso e clivagens entre portistas, onde "pipoqueiros" e "verdadeiros portistas" entraram surpreendentemente no léxico do Dragão, a segunda metade do ano de 2017 foi marcada a letras garrafais por um nome: Sérgio Conceição!

Ainda nada está ganho, como o próprio faz - e bem - questão de sublinhar. No entanto, para o bem, ou para o mal, o nosso treinador deu-nos já algo porque suspirávamos há longos anos. Uma equipa com sede de vitória, de conquistas. Uma equipa em que a vantagem mínima é apenas uma etapa intermédia para a ampliar. Uma equipa onde o empate voltou a ser considerado como uma derrota seja contra quem for, como sempre o deveria ter sido em quem enverga o manto azul e branco.

Era injusto, da minha parte, se não reconhecesse uns pozinhos de mérito a Nuno Espírito Santo, pela forma como assentou a poeira do desastre que tinha sido a herança de Peseiro, e deixou ao seu sucessor a semente de uma equipa defensivamente bem estruturada. Mas a reinvenção do ataque demolidor, valorizado ainda mais por sê-lo com um punhado de "renegados", e não estrelas pagas a peso de ouro, tem a marca registada de Sérgio Conceição.

Olhando para 2017 do ponto de vista dos resultados, é curioso verificarmos que internamente só fomos derrotados duas vezes, e pelo mesmo adversário. Ironicamente, o mesmo do jogo de amanhã: o Moreirense. Uma para a taça CTT, com o contributo inestimável da visão traseira do Sr. Luís Godinho. Outra na derradeira jornada da temporada, com a ausência competitiva da equipa portista (excepto o eterno guerreiro Maxi).

Das 4 restantes derrotas, todas em contexto Champions, pouco haverá a dizer. Duas delas, ainda no reinado NES, contra a finalista Juventus, onde o 10 portista foi demasiado imaturo e insuficiente para tão credenciado adversário. As outras duas, já sobre a égide de Sérgio Conceição, contra Besiktas e RB Leipzig. Lições úteis, e felizmente sem consequências de maior, para o crescimento da equipa.

Olhando para as derrotas, e exceptuando o adeus a uma competição, resultante dos confrontos com a "Vecchia Signora", chegamos facilmente à conclusão que não foi pelos desaires que somamos outro ano amorfo no nosso historial. O grande réu de 2017 é mesmo o síndroma do “empate”. Desses destaco dois:

- O de NES no Dragão contra o Setúbal - com o contributo inestimável do Sr. Manuel Oliveira - onde o que seria uma estocada profunda nas aspirações encarnadas, com a ultrapassagem na classificação em jornada pré-clássico, acabou transformado num golpe mortal na nossa moral e motivação.

- O de Sérgio Conceição contra slb - com o contributo inestimável do Sr. Jorge Sousa - injusto pelo que se passou em campo, e que seria a cereja no topo do bolo para uma primeira volta (quase) perfeita.

Debruçando-me nas vitórias durante 2017, com NES, pouco há a referir para além do tímido 2-1 ao Sporting, e um anormal 7-0 ao Nacional. Já na atual temporada, apesar de na balança dos pesos pesados apenas podermos incluir as vitórias expressivas ao fragilizado Mónaco, no geral, as exibições e números têm sido deveras convincentes, colocando-nos as expectativas de conquistas nos píncaros.

Em período de vitórias tudo parece cor de rosa, e qual mancebo apaixonado, as virtudes valem muito mais do que os defeitos. Entre elas, a dinâmica ofensiva e de vitória que o treinador incutiu na equipa, ao que não é de somenos destacar a recuperação incrível de jogadores dados como perdidos, sendo expoentes máximos os nomes de Aboubakar e Marega, aos quais adicionaria surpresas tão díspares como Diego Reyes, Herrera e até mesmo o jogador fabuloso em que se tornou Brahimi. Contudo, também existe o reverso da medalha. Óliver, um dos melhores jogadores do plantel, passou mais de metade da primeira volta entre a bancada e o banco, vendo à sua frente um jogador que não lhe chega a meio do calcanhar, como é o caso de André André. Corona transformou-se num jogador banal de equipa do meio da tabela e Hernâni encarnou o espírito do Marega de 2016. Casillas, que sempre revelou um empenho e profissionalismo inatacáveis, foi afastado injustamente da titularidade com uma explicação no mínimo "manhosa", vendo a titular um miúdo que, apesar de não comprometer, também não acrescenta nenhuma mais valia ao que o próprio seria capaz de fazer.

Para finalizar, para além da esperança e orgulho que, até ao momento, nos trouxeram as exibições em campo do nosso Porto, nunca é demais elogiar e destacar o excelente trabalho feito na retaguarda pelo Francisco J. Marques que, sem chutar à baliza, conseguiu de uma vez por todas fazer engolir aos benfiquistas, a hipócrita supremacia moral que tanto se orgulhavam.

Uma última palavra para a equipa de Hóquei do FC Porto, pela brilhante época de superação e crença, que tão saborosas conquistas nos proporcionaram.


Entre dias de azar ou sorte, a bipolaridade de um árbitro como o Sr. Artur Soares Dias, tanto nos consegue dar dois penaltys como não ver outros dois.

Entre as brumas da Choupana, ou o verdejante tapete do Dragão, a coragem de um árbitro como o Sr. Jorge Sousa, tanto pode fraquejar ou favorecer perante o azul e branco vestido.

Mas quando numa partida de 90 e tal minutos, todos os erros, e por todos refiro-me a muitos mesmo, são sempre para um só lado, a minha opinião do Sr. Fábio Veríssimo está bem expressa no cartaz acima.

Bruno Paixão que se cuide. Com exibições como a do Feirense - FCP, o puto prodígio é bem capaz de o suplantar.

Cumprimentos Portistas.

09 janeiro, 2018

OS PATINHOS FEIOS TRANSFORMADOS EM CISNES.


Não foram poucas as vezes em que nos últimos quatro anos, li e ouvi um argumento com o qual não pude deixar de concordar na maior parte das vezes em que o mesmo foi utilizado. Uma das grandes falhas que se foi apontando aos treinadores que passaram no banco do Dragão foi a falta de aproveitamento da qualidade de muitos dos jogadores do plantel, ou seja, e por outras palavras, muitos jogadores parecerem bem piores do que aquilo que realmente eram.

É impossível não fazer um pequeno exercício de memória relativamente a vários dos jogadores que atualmente compõem o plantel do FC Porto e que tão boa conta do recado têm dado. E refletir, refletir muito sobre o que se passou, sobre o porquê de tanto insucesso nos últimos anos, que obviamente não pode ser só associado a fatores externos, pois teve uma componente de culpa própria significativa.

Lembro-me bem do papel secundário que 99% dos Portistas acreditava que José Sá iria ter no plantel do FC Porto quando foi contratado. Se alguém dissesse em janeiro de 2016 que Sá iria algum dia relegar Casillas para o banco de suplentes, talvez se acreditasse que seria mais fácil ganhar o euromilhões.

Lembro-me também de ver Ricardo Pereira no annus horribilis de 2013/2014 e das suas dificuldades em fazer um simples cruzamento. E da escorregadela de Marcano na final da taça de Portugal que deu origem ao 2º golo do adversário, numa final horrivelmente perdida nos penalties depois de fazer o mais difícil. Bem como, da sentença de morte ao espanhol no FC Porto feita por alguns respeitados comentadores Portistas.

Dos constantes empréstimos de Reyes, que andou de clube em clube até chegar ao ano final de contrato com o FC Porto e afinal se concluir que o mexicano não é tão inútil no plantel como se chegou a pensar.

De Herrera, o caso mais paradigmático de tudo isto. Sinceramente, neste caso nem consigo explicar bem como é possível depois de 4 anos de Herrera, curiosamente os 4 anos de seca Portista, se estar a ver o que se tem visto. É daqueles fenómenos inexplicáveis mas que têm de acabar inevitavelmente com uma conclusão, que mais lá para o fim do post vou explicar.

Das constantes críticas às exibições quadradas de André André e ao seu futebol pouco consequente e dinâmico.

De Marega nem vale a pena falar muito... Aí direi mesmo sem qualquer duvida que 100% dos Portistas devem em algum momento ter feito troça de Marega... Um jogador que até era alvo de chacota por parte dos adeptos com tarjas em estádios, etc, etc... Um bombo da festa transformado num dos melhores jogadores do campeonato.

Da instabilidade mental de Aboubakar no ano em que supostamente seria o substituto natural de Jackson Martinez e de tantos e tantos golos falhados de baliza aberta.

De Brahimi ter estado com um pé e meio fora do FC Porto no ano passado...

Conclusão, a verdade é que muitos jogadores do atual plantel parecem neste momento melhores do que aquilo que realmente são. Estão potenciados a um nível que nunca julguei ser possível. Não é muito difícil chegar a um nome inevitável no meio de tudo isto: Sérgio Conceição! E é a fazer de jogadores normais, jogadores muito bons que se distinguem os bons treinadores dos treinadores assim-assim!

PS: Nada disto quer dizer necessariamente que ganhemos alguma coisa no final da época. Se tudo correr bem em Moreira de Cónegos, a disputa da taça de Portugal e da Liga realizar-se-á frente ao Sporting, uma equipa naturalmente bem trabalhada que ainda não perdeu internamente este ano, ou seja, duas eliminatórias em aberto e repartidas. Mas há uma coisa que transparece de modo evidente este ano, o trabalho realizado até aqui é de qualidade, vê-se futebol, dinâmica, golos, vitórias... Teremos de continuar a ser quase perfeitos para ganhar este campeonato porque os obstáculos irão ser mais que muitos e de diversa ordem. Mas que se está a trabalhar bem, isto é inegável.