22 julho, 2017

UM ATENTADO AO FUTEBOL.


Desde sempre que a grande essência do Futebol são os Adeptos. Sem eles, nada faz sentido. No entanto, há muito que os Adeptos de Futebol em Portugal vêm sendo desrespeitados com a calendarização e definição de Horários das partidas.

Bem sei que esta minha introdução pode parecer demasiado romântica, que vivemos numa era onde as transmissões televisivas têm um peso enorme no que toca ao agendamento das partidas e que para aqueles que são Adeptos de Futebol na mesma, mas que por um ou outro motivo vêem jogos na Televisão, isto pouco ou nada interessa.

Mas a realidade é que não há nada mais deprimente no Futebol do que ver um Estádio sem público. Mesmo para os Atletas, quase todos eles preferem jogar em Estádios carregados de gente, mesmo que o ambiente seja adverso para a sua Equipa, porque voltando à ideia com que comecei: Isso é a Essência do Futebol.

É por isso de lamentar que a nova Época esteja prestes a começar mas a falta de respeito para quem gosta de ir aos Estádios continue. Pegando no exemplo dos jogos do nosso clube, embora esta questão seja absolutamente transversal a todos os clubes sem exceção, nas quatro primeiras jornadas o FC Porto joga numa Quarta às 19h, e em três Domingos, em casa às 18h e fora as duas vezes às 20h15.

Mas que sentido é que faz ter um jogo a um dia da semana, como tal um dia de trabalho para muito boa gente embora estejamos num mês onde tradicionalmente grande parte da população está de férias, a começar às 19h e dois jogos ao Domingo a começar depois das 20h? Como é que a um dia da semana alguém que habite nos mais diversos Concelhos do Distrito do Porto, onde existem imensos Portistas, pode vir ao Dragão com um jogo a começar às 19h? Como é que a um Domingo às 20h15, com o jogo a terminar já depois das 22h, alguém pode ir a Tondela sabendo de antemão que no dia a seguir é dia de trabalho e que depois do jogo terminar ainda há mais de cerca de 1h de viagem pela frente?

Isto são perguntas que, pelos vistos, quem define estes horários absolutamente pornográficos não faz. O que vai valendo, no caso do nosso clube, é termos uma massa adepta apaixonada e que não abandona o seu clube onde quer que ele jogue e em que horário jogue, daí ser cada vez maior o apoio ao FC Porto fora do Estádio do Dragão. Mas o mesmo não se passa com os ditos clubes mais pequenos, onde para além de muitas vezes o precário ser absolutamente desadequado (um outro problema que vai matando o Futebol), os Horários das Partidas também são um claro fator de afastamento das Pessoas dos Estádios.

Numa altura em que a nível Socio-Económico o nosso País vai recuperando aos poucos de anos de grande sacrifício e onde o Futebol poderia ser um dos grandes beneficiados dessa retoma, parece que quem dirige a Modalidade não está preocupado com isso e prefere manter como prato do dia jogos ao Domingo depois das 20h.

O que também não deixa de ser interessante é que num País onde programas sobre Futebol é coisa que abunda na nossa Televisão e especialistas na matéria então isso nem se fala, não há ninguém que seja capaz de trazer isto para o debate, com intuito de chamar à atenção os órgãos competentes mostrando que só estão a fazer mal à Modalidade e a quem a sustenta.

Não poderia terminar o artigo desta semana sem falar do nosso eterno Capitão de Andebol, Ricardo Moreira, que esta semana terminou a sua carreira de jogador para agora abraçar um novo desafio como Treinador com as cores do nosso clube. Ao Ricardo o meu profundo agradecimento por tudo o que fez pelo FC Porto e desejar-lhe as maiores felicidades nas suas novas funções.

Um abraço Azul e Branco,
Pedro Ferreira

21 julho, 2017

20 julho, 2017

LONGOS DIAS TÊM AS CARTILHAS...


Gosto frequentemente de visitar o passado, não só para recordar episódios mais ou menos felizes mas também para procurar lições que possam ser úteis para enfrentar o presente e preparar o futuro.

No desporto, tal como na vida, este exercício pode ser extremamente útil, principalmente para relativizar algumas situações e para nos dar força e motivação para continuar a luta, procurando “beber” nesse passado alguns ensinamentos para prosseguirmos com sucesso o nosso percurso.

Quando por vezes penso que o que fazem actualmente ao FC Porto é mau demais, que colocarem os Janelas, os Braz, Aguilares, Ribeiro Cristóvãos, Guerras e afins como personalidades isentas é um gozo inaudito, logo me lembro que tivemos de enfrentar semanalmente produtos tóxicos como os Donos da Bola, então promovido como espaço de debate e de grande reportagem, que tinha a mira sempre apontada ao mesmo lado.

O FC Porto ia a caminho do inédito Tri, estava numa fase de enorme domínio pela sua força e (há que admiti-lo…) pela fraqueza dos principais rivais e o que iam buscar para menorizar o nosso mérito e para nos achincalhar? Coisas como este episódio desenterrado dos tempos da Selecção Nacional orientada pelo nosso treinador Oliveira, com prostitutas e jogadores com passado ligado ao… FC Porto! Ou seja, o padrão de sempre, os diabos a Norte e os santinhos a Sul.


E seriam os tempos dos Donos da Bola e do ‘boom’ das televisões privadas o início da era em que os factos passaram a ser relatados da forma que mais interessavam aos mensageiros? Não, foi mesmo desde que começamos a ganhar que a máquina de propaganda começou a jogar nos seus tabuleiros, tentando impor a verdade que lhes mais interessa vender ao seu exército.

Aqui, neste pedaço de história com quase 30 anos, o FC Porto após ver-se ultrapassado à má fila na contratação de Ademir sentiu-se desobrigado de um suposto “Pacto de Cavalheiros” e retaliou contratando Rui Águas, o filho do lendário capitão das Taças dos Campeões vermelhas, bem como o central Dito. Algo natural e expectável face ao comportamento recorrentemente anti Porto de dirigentes como Gaspar Ramos e João Santos? Não, um escândalo nacional, já que para boa parte das “cabeças pensantes” da capital era impossível que uns “provincianos” conseguissem jogar o mesmo jogo que eles sempre jogaram. E daí até ao folclore de um tal de José Eduardo Moniz perguntar a Pinto da Costa coisas como qual o salário que pagaria aos dois “traidores” era um pulinho…


Ainda sobre jogos de poder e histórias contadas da forma que mais lhes interessa termino com a recordação da mítica final da Taça de Portugal 1982/83, jogada em Agosto de 1983 (ou seja no início da época 1983/84)!

Marcada desde o inicio da temporada para as Antas (num cenário que não era inusitado na passagem dos anos 70 para os anos 80 depois das finais de 1975/76 e 1976/77) esta final acabou mesmo por se realizar no nosso estádio após meses de polémica, terminando com uma amarga vitória dos encarnados.

A história completa poderão lê-la aqui, sendo que a mentira mil vezes repetida é que o FC Porto fez uma birra ao querer jogar no seu estádio e que a Pinto da Costa e a Pedroto saiu o tiro pela culatra depois de tentarem hostilizar o Benfica e de procurarem ganhar fora do campo uma vantagem injustificável.

Leram a descrição dos factos descrita pelo insuspeito Mais Futebol? Tiraram as vossas conclusões sobre quem tentou virar o tabuleiro a meio do jogo? Então agora vejam como a história é contada no seio deles, neste delicioso vídeo de 57 segundos:


Quando acharem que o presente é mau demais e que o nível de provocação que vemos diariamente é inédito não se deixem levar pelo desânimo e não tenham dúvidas que isto sempre foi assim. Nada do que se passa hoje é novidade, já que eles sempre usaram da mesma cartilha: megalómanos e egocêntricos, incapazes de verem para além da sua verdade mesmo quando ela é comprovadamente falsa e com instintos totalitários no controlo da imprensa e da opinião pública.

Significa isto que devemos aceitar de braços cruzados esta realidade, inevitável e da qual não podemos fugir? Não, temos de utilizar os nossos meios para combater sem tréguas este estado de coisas e oferecer-lhes concorrência dentro e fora do campo de forma a fazer tremer o “mundo perfeito”. Ou seja, e como vimos aqui, denunciar sem receio os comportamentos asquerosos dos Donos da Bola, retaliar e contar a nossa verdade não os deixando a papaguear sozinhos como fizemos no Caso Ademir e lutar pelos nossos direitos, sem medos nem receios, como o FC Porto fez em 1983.

Nunca ninguém nos deu nada e nunca ninguém nos dará nada. Mas se formos capazes de manter e reforçar o espírito dos últimos meses, cada vez mais semelhante à velha mística do Dragão das grandes conquistas, voltaremos com certeza a fazer aquilo que mais gostamos: GANHAR.

PS: Agradecimentos especiais ao Pedro Cardona, Basculação e a um tal de “Futebol 86” pelos vídeos aqui partilhados.

19 julho, 2017

ILIBADOS... AGORA?!?!


A montanha pariu um rato.
Bem que poderia começar desta forma um qualquer artigo sobre o Apito Dourado e o consequente Apito Final. Demorou, demorou muito, demorou demais! E pior do que demorar, foi o conjunto de ilegalidades, verdadeiros crimes que ao longo destes anos foram cometidos e que tiveram o Futebol Clube do Porto como alvo.

A verdade é que depois da justiça civil ter absolvido o clube e o seu presidente de todas as acusações, chegou a vez da justiça desportiva, que parece ter vivido num Mundo diferente ao longo da última década, efetuar o mesmo procedimento.
Os paladinos da verdade desportiva, os impolutos deste país, as virgens ofendidas que tanto levantaram a voz para gritar bem alto contra nós, que fizeram campanhas na comunicação social para inclusivamente nos retirar da Champions, e que só não exigiram a nossa descida de divisão porque nesta república das bananas as mesmas ainda têm casca, afinal confirmaram tudo aquilo que já sabíamos deles: são uns vermes sem espinha dorsal, uns prostitutos capazes de tudo para defender o benfica, uns desavergonhados que agora ficaram a falar sozinhos!

Com a anulação da retirada de 6 pontos ao FC Porto, poder-se-ia dizer que tudo acabou em bem e sem consequências. Nada mais falso!!
Antes de mais, deveremos questionar o que vai acontecer a estes senhores que foram protagonistas das decisões que lesaram gravemente o nosso clube e a honorabilidade do seu presidente. Tudo vai ficar por aqui? Simplesmente enganaram-se, ponto? Ninguém vai sofrer as consequências pelos atos tomados? Não, não pode tudo terminar desta forma como quem sai de um casamento pela porta dos fundos mas já com os bolsos cheios das melhores iguarias.

E tudo isto não pode simplesmente terminar assim porque as principais consequências, as verdadeiras consequências de tudo isto, são factuais e já ninguém as consegue mudar. Quais foram? A desacreditação que tentaram fazer do bom nome e marca Futebol Clube do Porto? Quanto perdemos pelo rótulo que nos foi criado? Quanto deixamos de faturar em merchandising, patrocínios, convites de outros clubes, etc, devido a tudo isto?
Mas recordemos isso sim a principal consequência objetiva de tudo isto: o medo que se instalou no centros de decisão do futebol português, especialmente no seio da arbitragem, de favorecer no que quer que fosse o nosso clube! Por esta razão, quantos pontos deixamos de ganhar ao longo das provas em que estivemos envolvidos? Quantos campeonatos deixamos de ganhar? Quantos pontos e campeonatos ainda haveremos de não ganhar pelo “sistema” entretanto implementado pelo benfica que usou o Apito Dourado e Final para se aproveitar da aparente fragilidade do FC Porto?
Pois é meus amigos, estas foram as verdadeiras consequências de tudo isto e não as decisões dos tribunais civis e/ou instâncias desportivas. E o que vai acontecer aos seus protagonistas? Aparentemente, nada...

De qualquer forma não deixa de ser curioso o timing de anúncio de tudo isto.
A verdade é que o Futebol Clube do Porto é formalmente ilibado numa fase em que o benfica está a ser alvo de investigação por parte do departamento de combate à corrupção da Polícia Judiciária. O que significa isto? Significa que todo o tipo de acusações de que fomos alvo, podem a qualquer momento ser deduzidas contra o carnide, caso a investigação que a PJ está a desenvolver no caso dos email's, venha a identificar indícios comprovados de qualquer um desses crimes.
Ora, se tal acontecer, nada melhor do que termos as instâncias desportivas a branquear todo esse processo, decidindo em consonância com as decisões finais dos processos que envolveram o nosso clube. Ou seja, o processo Apito Final pode ser o álibi perfeito para simplesmente meter na gaveta tudo o que envolve os vermelhos de carnide, passando por isso uma esponja em tudo quanto fomos ouvindo e lendo.
A pergunta que se segue é legítima: mas será que tudo isto irá mesmo acontecer e esta sucessão de factos não terá sido mera coincidência? Meus amigos, nesta república das bananas, onde as mesmas apesar de tudo ainda têm casca, eu desejo que a vergonha na cara possa imperar e não se use um caso para branquear o outro. Se me perguntam se eu acho que é mesmo isso que vai acontecer, aí já tenho muitas dúvidas pois num país onde o Apito Dourado parou em Leiria, num país onde existiram casos como a Porta 18 e o estorilgate, num país com casos de voucher's, milhões de dívidas ao BES e “Mister King” ao barulho, e nunca nada aconteceu ao clube encornado nem aos seus dirigentes, que garantias podemos ter agora de uma justiça cega e que julgue estes atos sem olhar ao facto de se tratar da instituição mais corrupta e impune de Portugal?

Um Abraço,

NOTA 1 – Alguém da estrutura do nosso clube teve a infeliz ideia de contratar o grupo musical D.A.M.A. para a festa de apresentação da nossa equipa. As reações dos adeptos foram mais que muitas e em poucas horas os artistas foram cancelados. Ok, finalmente dão ouvidos aos adeptos. Então e quem foi(foram) a(s) sumidade(s) que tomou(tomaram) a decisão da contratação? Quem são esses rostos que continuam a tomar decisões como se estivessem na sua casa, esquecendo-se que estão na NOSSA casa? Nada vai acontecer? A culpa vai morrer solteira? Vão continuar a demonstrar a sua incompetência e falta de identificação com aquilo que são os valores do clube?

NOTA 2 – Pelo segundo ano consecutivo, o FC Porto vai disputar o torneio cidade de Guimarães. Pelo segundo ano consecutivo, o jogo vai-se disputar a um domingo às 20:30h. Pelo segundo ano consecutivo não marcarei presença nesse jogo. É escandaloso e uma tremenda falta de respeito pelos adeptos de futebol que seja marcado um “jogo a feijões” para um domingo às 20:30h, o que obriga a quem viaja desde a cidade do Porto a só chegar a casa bem depois da meia-noite para no dia seguinte ter de ir trabalhar. Espero que ao longo da época exista um crescente cuidado na marcação dos dias e horários em que o nosso clube vai jogar... será?

18 julho, 2017

O PODER DA (DES)COMUNICAÇÃO.


43 anos após a queda da ditadura, a minha geração, bem como as mais novas, tiveram finalmente um cheirinho do que era a censura no tempo de Salazar e Marcelo. O famoso Lápis Azul. Nesse período nefasto da nossa história, nenhum tipo de conteúdo, fosse ele escrito, visual ou oral, poderia ser publicado ou emitido sem o aval dos censores, sendo utilizado para o efeito um lápis de cor azul, para eliminar os trechos (ou a totalidade) do conteúdo que não se adequava ao pensamento político, ideológico ou moral do regime.

Qual remake cinematográfico, em pleno século XXI, grande parte dos nossos principais meios de comunicação social, quer desportivos, quer generalistas, optaram voluntariamente nesta onda revivalista, substituindo apenas o lápis azul, pela cor vermelha, bem como os censores pelos cartilheiros. Só este saudosismo ditatorial pode explicar o silêncio e timidez com que os canais de TV generalistas, jornais desportivos, bem como a esmagadora maioria da restante comunicação social, dedicaram ao maior escândalo do desporto nacional. O caso dos E-mails. Uma teia de compadrios, jogos de interesse, prostituição, espionagem, chantagem e controlo de todo o circuito da arbitragem nacional, e Liga de Clubes, por um clube da 2a circular lisboeta.

Graças ao brilhante trabalho de Francisco J. Marques, também ele estrategicamente silenciado, o Colinho e o Polvo deixaram de ser apenas palavras ao vento, para passarem a ter uma base factual de registos e troca de comunicações que suporta toda a vergonha que víamos dentro das 4 linhas.

Contudo, não fosse a revelação Nhaga, aquela brincadeira de descompressão ter vingado no anedotário nacional, e o tema ter-se-ia esfumado nas cinzas dos eucaliptos e nos falhanços do SIRESP.

Cabe-nos a nós - Portistas - nunca deixar este fogo se extinguir. Só assim o slb poderá um dia conhecer o inferno pelos seus actos.


Em sentido bem contrário, este foi o fim de semana em que - mais uma vez - foi confirmada a ilibação do nosso clube das acusações do infame processo do Apito Dourado. A consequência mais visível desta decisão, é a restituição dos 6 pontos que nos tinham sido retirados na época 2007/08. Mais do que justa, peca apenas por demasiadamente tardia.

Curiosamente, ao folhear a edição do Jornal i de ontem, esse órgão de imprensa tão distraído para os atuais casos de corrupção desportiva, deparo-me com uma reconstituição histórica digna do CSI, dos acontecimentos que levaram às acusações a Pinto da Costa e ao árbitro Augusto Duarte, base do processo Apito Dourado, artigo sugestivamente titulado de "Apito Dourado. Regresso inevitável à negra noite da Madalena".

Poderíamos questionar o "Porquê" do timming absolutamente despropositado do artigo, se não reparássemos neste pequeno trecho do currículum do seu autor:

Afonso de Melo, (...) É colunista do jornal «O Benfica» e colaborador da «BenficaTV». Foi investigador e fornecedor de dados e de textos para o Museu Cosme Damião.(...)
In Wikipédia
A boa notícia para o escritor da peça, é a existência de uma vasta oferta de medicamentos para a azia, capazes de o aliviar dessa maleita.

A má notícia para todos nós, é a total promiscuidade que reina na nossa comunicação social, pejada de peões e quejandos, pouco importados com o brio a que a sua carteira profissional obriga.

Descendo ainda mais no esgoto dos media, encontramos o grande campeão desta área, o Correio da Manhã.

Na passada sexta-feira, 14, abriam eles as hostilidades com mais uma das suas aberrantes capas:


Para não nos acusarem de facciosismos, transcrevo a notícia que suporta esta capa, de um jornal bem nosso "amigo". O Maisfutebol:

"A Polícia Judiciária informou nesta quinta-feira, através de comunicado, que deteve oito pessoas no âmbito da «operação petardo» e na qual as autoridades realizaram 34 buscas a residências e oficinas de pirotecnia e que visou claques de futebol.

«No âmbito da investigação foram identificadas atividades ilícitas relativas ao fabrico e venda de artigos pirotécnicos, ao tráfico de armas e a comercialização e utilização de petardos e tochas de fumo em recintos desportivos», lê-se no comunicado, já depois de a TVI ter noticiado que a ação estava em curso.

As autoridades acrescentaram ainda que «estão sob investigação os incidentes ocorridos em Braga após o jogo de futebol entre o S.C.de Braga e o V. de Guimarães».

O comunicado explica que este caso se relata a 22 de janeiro, dia em que «foi atingido com disparo de arma de fogo o autocarro que transportava funcionários da empresa de segurança que presta serviço no Estádio do S. C. de Braga».

Refira-se que a PJ cumpria seis mandados de detenção, mas dois indivíduos foram detidos em flagrante delito - a agência Lusa noticiou nove inicialmente, citando fonte da PJ - e que os detidos têm idades compreendidas entre os 27 e os 53 anos."
Então? Onde estão os actos dos Super-Dragões na notícia? Absolutamente ZERO correlação com os SD.

Off the record, todos nós sabemos que as maiores claques nacionais têm os seus contactos e negócios de aquisição de material pirotécnico. Os Super Dragões não serão decerto excepção. Contudo, esta discriminação abominável e nojenta com que o Correio da Manhã persegue tudo o que é relacionado com o Futebol Clube do Porto, com o intuito único de nos colar como arruaceiros, maus da fita ou corruptos, há muito que deveria ter sido punida pela justiça, ou no mínimo por uma ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social). Não estamos aqui a falar de liberdade de imprensa. O termo mais correcto seria bullying. Na manifesta improbabilidade disso vir a acontecer, resta-nos desejar que os postes deste país continuem a prestar os seus bons serviços na observação e punição das infracções às normas deontológicas desta classe.

Curiosamente, da claque que melhor sabe dar uso criminoso a petardos em Portugal, nem um simples esboço de referência...

Pelos exemplos muito recentes aqui expostos, facilmente chegamos à conclusão que o Polvo não é apenas um clube lisboeta. Ele é toda uma instituição omnipresente que nos cerca e entra diariamente nos nossos lares. O maior contributo que poderíamos dar para a sua vitória será lutarmos uns contra os outros. Os actos do passado, presente e futuro poderão (e deverão) ser julgados em 2020. O presente, esse tem que ser de UNIÃO. De todos. Incondicionalmente!

Cumprimentos Portistas.

17 julho, 2017

ARRUMAR A CASA.


Fica cada vez mais claro que a palavra de ordem neste defeso consistirá em aproveitar jogadores que estavam emprestados e que poderão resolver problemas do atual plantel, reduzindo assim a necessidade de ir ao mercado e simultaneamente não piorar a já de si complicada situação financeira.

Na baliza, creio que a chegada de Vaná indica que Sá poderá estar de saída. Sendo que Fabiano apenas regressa em novembro fruto de uma lesão complicada e que João Costa continuará a ganhar experiência na equipa b, o brasileiro deverá ser o concorrente direto de Casillas. Caso contrário, a contratação do brasileiro é mais um mistério a juntar a tantos outros.

No sector defensivo, ainda persistem algumas dúvidas nomeadamente quanto à continuidade de Layun, Martins Indi e Reyes. Muito provavelmente a possibilidade de um bom encaixe financeiro poderá levar a que um ou mais desse lote de jogadores venha a sair, sendo que aí apenas será necessária a contratação de um defesa-central, uma vez que de laterais estamos bem servidos, em quantidade e qualidade.

No meio-campo, continuo a dizer que nos falta um jogador com características diferentes dos que temos atualmente. Obviamente que Decos e Luchos não se encontram ao virar de cada esquina mas era importante termos no nosso plantel um jogador de meio-campo que se distinguisse dos que temos atualmente sobretudo nas valências ofensivas, ultimo passe e surgimento na zona do golo.

No ataque, ao que parece, afinal o parceiro de Soares irá ser o regressado Aboubakar. Sobre esta solução não quero ser catastrófico ou augurar algo de menos bom, mas recordo, para reflexão, que há apenas dois anos ABoubakar era o “patinho feio” da equipa, sendo um jogador muito criticado pela sua evidente falta de consistência psicológica. Sobre as características técnicas do camaronês, não há dúvidas de que se trata de um bom jogador, os golos que marcou no Besiktas, clube que ajudou a conquistar o título turco, são disso prova. Mas, há também as expulsões (o ano passado foram 3!!) que comprovam também a instabilidade psicológica do jogador. Espero bem que Sérgio Conceição retire o máximo do camaronês e que este seja recuperado como peça fundamental no FC Porto, mas confesso que tenha as minhas dúvidas nesta solução. Por outro lado, vender Aboubakar por tuta e meio e gastar 6 milhões num Depoitre ou 11 milhões num Adrian Lopez, é mesmo melhor estarmos quietos e tentar reaproveitar Aboubakar. Em relação aos extremos, creio que se nenhum sair, também não haverá necessidade de ir ao mercado, que neste momento já não é mau, tendo em conta que as idas ao mercado do FC Porto nos últimos anos têm sido desastrosas. Reaproveitar em vez de inventar pode não ser uma má ideia. Quando o dinheiro não abunda, os vícios também não.

PS - O FC Porto foi ilibado em toda a linha daquilo pelo qual foi acusado no âmbito dos processos apito dourado e final. Foi investigado, esmiuçado e julgado quer nos tribunais civis, quer na justiça desportiva. A principal acusação prendia-se com um jogo frente ao último classificado em 03/04, época do FC Porto campeão europeu. Se perante o que foi divulgado ultimamente e aquilo que ainda falta divulgar em relação ao caso dos e-mails, nada for levado a tribunal... cada um tire as suas conclusões!

14 julho, 2017

A FRUTA ACABOU.


Ainda em pleno defeso e quase quase a irmos para banhos de sol e de mar, o BiBó PoRtO volta ao activo. Muita coisa sucedeu nos últimos tempos, mas a verdade escamoteável é só uma: contrariamente ao que o tetra prometia, o FC Porto não está morto e, pelo contrário, parece mais vivo que nunca. Tal foi bem visível na forma verdadeiramente apoteótica com que as gentes nortenhas receberam os novos equipamentos do Dragão, num local muito especial para os portuenses: a Ribeira com a Ponte Luiz I em pano de fundo.

Para esta crença, chama e euforia muito contribuiu a acção de Francisco J. Marques no Porto Canal, divulgando as cartilhas encarnadas, assim como os e-mails da nossa paixão. O tetra, que prometia uma festa sem igual pelo país fora, capaz de durar todo o Verão, afinal não durou mais do que André Moreira no Benfica.

E por falar em André Moreira do Atlético de Madrid para o Braga, com brevíssima escala – certamente para encher combustível – no Seixal, vem-me à memória um episódio que passou algo despercebido na comunicação social, mas que para mim foi bastante significativo e premonitório do que aí vem:

No dia em que a Assembleia Geral da Liga decidiu votar contra a proposta do FC Porto acerca de uma penalização efetiva aos clubes que apoiassem claques ilegais, o benfica respondeu com a proposta de alteração ao Regulamento Disciplinar da Liga, que viola claramente o carácter geral e universal que uma disposição jurídica deve conter: um normativo que visava não apenas punir todos aqueles que fumassem cigarros nas áreas técnicas e adjacentes (conforme disposição já existente), mas também aqueles que fumassem cigarros eletrónicos e que expelissem “fumo ou quaisquer outras substâncias, tais como saliva, na direção de dirigentes, jogadores ou quaisquer outros agentes desportivos”.

Ora, saiba-se que esta bizarra alteração ao regulamento, com o único objectivo de apoucar o presidente do Sporting, foi incrivelmente aprovada com votos favoráveis do proponente (benfica), Arouca, Vitória de Setúbal e Famalicão, tendo todos os outros se abstido de votar, à exceção naturalmente do FC Porto e Sporting.

Mais do que a discussão jurídica em si, importa aqui verificar e perceber o total e absoluto controlo que o benfica detém não apenas nos órgãos federativos, árbitros, observadores, delegados ao jogo, entre outros, mas também e – quiçá – principalmente nos seus adversários que podem ter camisolas de muitas cores, mas que na hora da verdade equipam de vermelho e de águia ao peito.

Não tenhamos pois dúvidas de que as estratégias levadas a cabo pelo benfica junto do Presidente da FPF, Presidente da AG da Liga, entre muitos outros, são as mesmas que são usadas com os chamados clubes pequenos de Norte a Sul do País, que estão completamente na sua esfera de influência, conforme a inacreditável votação da AG da Liga veio a provar.

O FC Porto combate assim num terreno desnivelado e totalmente minado, daí que não seja surpresa que a esmagadora maioria das equipas nacionais se mate esfole quando defronta os azuis-e-brancos, mas que apareça estranhamento adormecida e apática nos jogos contra os lampiões. São os chamados “dias maus”, conforme os pobres treinadores tentam explicar as estranhas falhas de marcação, os estranhos passes errados, os estranhos auto-golos.

Se pudesse apostar, diria que os próximos e-mails com que Francisco J. Marques vai brincar o País serão relacionados com as cada vez mais estranhas relações financeiras entre o benfica e os clubes ditos pequenos. Porque no futebol como na política não há coincidências: o que parece, é. E se parece, é porque é!

E a transferência de André Moreira, a juntar a muitas outras no circuito Atlético, Rio Ave, Braga e benfica cheira mal, muito mal. E deveria levantar atenções da Liga de Clubes ou da FPF, se estes organismos ainda tivessem um grama que fosse de independência e, já agora, competência.

Mas como pelos vistos o Presidente da FPF, Dr. Fernando Gomes, não se importa de ver os seus e-mails completamente devassados e entregues sabe-se lá com que frequência ao clube de carnide, é caso para deixarmos de dar atenção à FPF: já sabemos para o que serve e, obviamente, não serve para nada a não ser amparar e proteger os tentáculos do Polvo.

Isto tudo para dizer que Sérgio Conceição começa bem quando diz que um balneário com grande espírito é meio caminho andado para se ter vitórias. Porque não nos iludamos: o FC Porto vai lutar contra o Polvo em todas as jornadas neste campeonato, pois os seus tentáculos não estão apenas nas arbitragens, mas também na quase totalidade das equipas que compõem a Liga de Clubes.

Este Verão trouxe-nos também um presente: a fruta acabou. Não nos supermercados, mas sim nas conversas de café, nos almoços das empresas, nos coffee-points deste país fora. A partir deste Verão, mais nenhum benfiquista se atreverá a falar na palavra “fruta” ou “café com leite”, pois sabe que é metralhado imediatamente com “padres”, “missas”, com “carne no assador”, com “200 é a noite toda, a 3 é 400”, “eu só quero ser o vosso menino querido”, “que passou se?” e “sabes que sempre estive do teu lado”.

Essa foi, até agora, a maior e a mais preciosa conquista de Francisco J. Marques. A fruta acabou. Agora só há mesmo polvo para desbravar, seja com molho verde, à bordalesa, à lagareiro ou à Guiné-Bissau. Vamos a banhos e aguardemos por cenas dos próximos capítulos!

Boa Época a todos os Portistas!
VAMOS AO RESGATE!

Rodrigo de Almada Martins